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CRÔNICA # 15 – RIR É O MELHOR REMÉDIO

A data de 22 de março de 2012 ficará eternizada como o dia em que o Brasil perdeu seu maior expoente do humor na televisão. Chico Anísio não era apenas humorista. Escreveu livros, gravou discos, dirigiu peças e pintou quadros. Entretanto, independente da atividade que exercia, toda atividade era exercida com alegria e prazer. Com Chico aprendemos que rir é o melhor remédio.

Essa é a lição que todos deveríamos levar para o resto de nossas vidas, inclusive aos sábados, quando nos dedicamos ao Chuteira. O clima de competição é tão forte no Chuteira que as pessoas andam esquecendo o verdadeiro intuito do charmoso campeonato. A obsessão pelo triunfo é tamanha que os atletas ignoram o conceito natural do esporte e o significado que ele tem para quem passa a semana inteira trabalhando ou estudando à espera do tão aguardado futebol de sábado.

Não vamos nos enganar, é um campeonato amador sim e isso independe do seu nível de organização ou da qualidade das equipes que o disputam. Os conflitos dentro de campo são até naturais, o sangue ferve e o raciocínio é praticamente reduzido ao reflexo. O problema é quando as pessoas levam os problemas para fora da arena de jogo, partem para as ofensas e até agressões.

Acho que em pleno ano de 2012 essa ideia retrógada de que homem resolve os problemas na porrada beira a imbecilidade. Ofender alguém só porque ela está com um uniforme diferente não parece atitude inteligente mediante a realidade do Chuteira, que prega a integração entre os oponentes. Vamos dar risada, rapaziada. Chega dessa besteira de achar que está sendo prejudicado todo jogo, que A ou B é mau caráter porque entrou um pouco mais forte no lance. Eu sei que às vezes é inevitável pensar assim, mas o bom senso ainda é a maior arma contra a ignorância.

Enfim, deixando esse desabafo de lado, gostaria de ressaltar que se o mestre Chico Anísio tivesse aqui provavelmente estaria exaltando a alegria dos times que estão se destacando nesse começo de temporada, aqueles que andam mostrando um futebol descontraído, envolvente e encantador.

Sob essa perspectiva não dá para ignorar o que o Basicus anda fazendo na Bronze (em termos de bola porque o que se viu no fim do jogo contra o Camelo estraga muito da imagem que se tinha da equipe, além de, agora que vejo as punições, ter perdido alguns que citarei logo abaixo). Os rosados têm despejado ousadia dentro de quadra. Impressionante como conseguiram aliar velocidade e técnica com equilíbrio tático. Puff chama atenção pela inteligência na movimentação e na qualidade com que inicia ou termina as tramas ofensivas da equipe. Kinho e Lucas Barbosa não têm tido vergonha de entortar a zagueirada, sempre com objetividade. Isso sem contar a efetividade de gente como Állex e Hiro. Entretanto, a felicidade do Basicus não vem apenas do ataque, já que os rosados contam com a muralha Roland e o zagueirão Bolas, que atravessam excelente fase.

Não é à toa que a equipe presidida pelo Bombril Barath venceu seus 5 jogos na competição, marcando 23 gols e sofrendo apenas 8. Agora com 4 pontos a menos, a luta pela Prata na fase de grupos complica e independe apenas de si. Se nem tudo são rosas para o Basicus, para a rapaziada do Cabeça Rachada ficou tudo mais que lindo. O sorriso deve estar de orelha a orelha. Também não é pra menos: disparado na frente, o melhor é que a equipe de verde limão foi quem mais vezes proporcionou o grande momento do futebol. Foram 32 gols em apenas 5 jogos, a melhor média entre todas as divisões. Trata-se de um belo time. Compacto e paciente, o Cabeça mostra um vasto repertório ofensivo, além de boa consistência na retaguarda. Vai ser difícil parar a experiente equipe de Luisinho Fernando e de Tché.

Na Prata, quem voltou a sorrir foi o Acidus, do artilheiro Caballero, provavelmente o sujeito mais sorridente do certame. Também, o Jimmy Neutron da Prata não para de fazer gols e agora anda conseguindo levar sua equipe às vitórias. Sofridas, é verdade, mas ao menos são 3 pontos. Mas quem dá as cartas na Prata é o Bonde das Abelhas e o É Verdadeee, equipes que vêm mostrando muita qualidade, cada uma ao seu modo, e evolução.

Apesar da boa qualidade da Bronze e da Prata, o que enche os olhos mesmo é a Ouro, principalmente quando o Rabeloska entra em campo. Impressionante como essa turma não tira o pé do acelerador, com a seriedade de quem sabe que rir é bom, mas que rir demais é desespero. Já no outro grupo, CAV e Arouca tiraram o riso da cara para se confrontarem no melhor jogo da competição até agora. Os dois times queriam a 4ª vitória consecutiva, mas tiveram que se contentar com o empate. Os caveiras até estiveram perto do triunfo, após abrirem 2 a 0, mas a equipe cedeu o empate ao persistente e qualificado elenco do Arouca praticamente nos acréscimos.

Passada mais uma rodada, saí do PlayBall convicto de que vale a pena aparecer por lá todo santo sábado, muito em função da lição que Chico Anísio nos deixou. Mediante a um cotidiano duro e cansativo, o brasileiro precisa se divertir, se sentir bem, dar boas risadas. É atrás disso que eu vou quando coloco os pés em uma quadra para jogar ou sento em uma arquibancada para assistir. Competir é saudável, não tenho dúvidas, mas entender o simples prazer do futebol ainda é a melhor solução. Rir continua sendo o melhor negócio, coisa que muitos esqueceram no último sábado.
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