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CRÔNICA #13 – A EUROPA É AQUI

O longo e tenebroso inverno chegou ao fim. Não, caro leitor, não estou na Europa e também não me confundi em relação à estação do ano que atravessamos no país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. O fato é que o recesso futebolístico que sempre acontece entre o fim de um ano e o começo do seguinte sempre me traz uma sensação triste, deixa uma lacuna que só começa a ser preenchida com a volta dos campeonatos estaduais aqui no Brasil, os nacionais na Europa e os continentais no velho e no novo continente.

Confesso que tenho uma tendência meio nerd em relação ao futebol. Sou totalmente dependente e não consigo ficar muito tempo sem pesquisar alguma coisa, assistir jogos antigos ou até apelar para o videogame. Outro dia mesmo resolvi fazer uma retrospectiva de tudo que acompanhei no futebol europeu, especialmente do ano 2000 para cá. Mais do que isso, achei interessante fazer analogias com algumas equipes do Chuteira, nem sempre usando critérios técnicos para executar essas comparações.

Logo percebi que essa brincadeira faz parte da essência do futebol, aquele esporte que você começa a gostar quando é muito novo e se identifica com algum jogador que viu meio de relance na televisão. O Chuteira é o resgaste dessa criança, todos os sábados nós vamos ao PlayBall em busca daquele sonho infantil de ser um jogador. E, de certo modo, ele se realizou.

Mas essa questão da essência já foi abordada outrora, vamos para as conclusões dos devaneios que tive durante as férias que proporcionaram algumas comparações, as quais foram muito úteis para as minhas análises sobre o Chuteira.

Ninguém tem dúvida que a Ouro é a nossa Champions League, já que os times mais poderosos da liga se acomodam no setor dourado da competição. Essa temporada promete ter um brilho digno das grandes competições, tamanha a multiplicidade de times qualificados, com estilos e propósitos diferentes.

Vamos começar com os caçulas, os promissores CAV e Rabeloska, times que em um ano saíram do anonimato bronzeado e alcançaram o glamour dourado. O primeiro tem ares de Chelsea, começou com um investimento menos expressivo na Bronze, depois evoluiu na Prata para, enfim, formar uma verdadeira constelação na Ouro. Não há dúvida que os caveiras têm um elenco digno de um verdadeiro esquadrão, escolhido a dedo por seu dono, atacante e capitão. Opa, mas a analogia não era com o Chelsea? Era sim, mas não dá pra negar que o Caio Fleischmann tem um jeitão de Raúl Gonzales, o Raúl Madrid que por muito tempo deu as cartas na capital espanhola a ponto de fazer gente como Ronaldo, Van Nistelrooy, Owen, Robinho e Robben ocupar o banco em algumas oportunidades ou não ter a sequência que mereciam ter.

Basta saber se o Caio está mais para aquele Raúl de 1998 a 2002 que comeu a bola e ganhou tudo ou para o camisa 7 madritista depois de 2003, quando ganhou a fama de desagregador e a responsabilidade pelos tempos de seca. E olha que esse Madrid pós-2003 só montou verdadeiras seleções e jamais voltou a ganhar a Copa dos Campeões.

Já o Rabeloska tem mais a cara do Barcelona das últimas 3 temporadas. Todo mundo se conhece há muito tempo, o time tem uma filosofia de jogo e uma postura muito clara fora dele. Falam pouco, jogam muito. A posse de bola e a movimentação ofensiva da equipe mackenzista chamam a atenção. E a força não é só coletiva, já que tem muito talento individual envolvido. Só que, ao contrário do Barcelona, que teve poucos adversários à altura na última temporada, o Rabeloska tem muita concorrência qualificada.

O legal é ver que esses estilos distintos já se chocaram duas vezes e em disputas de títulos. O primeiro ficou com o Rabeloska, o segundo com o CAV. Daí nasceu uma rivalidade interessante e que pode ter seu apogeu nesse primeiro semestre de 2012.

Outro time que chama bastante a minha atenção, apesar do ano de 2011, é o SNG. Tradicional, copeiro, sólido e muito experiente, a equipe de Renê é a cara do Milan de 2002/2003 ou até de 2006/2007. Na primeira temporada os medalhões eram mais novos, mas tinham muita bagagem. A campanha impecável culminou em um título diante da rival Juventus, depois de derrotar na semi a inimiga Inter. Já em 2006/2007 o time do Milan chegou a ser desrespeitado pela alta média de idade, acusado de ter uma defesa muito velha (Nesta, Kaladze, Maldini e Costacurta eram as opções defensivas) um meio também desgastado (Gattuso, Ambrosini, Pirlo e Seedorf) e um ataque dependente de um ex-jogador como o Inzaghi (que, inexplicavelmente, joga até hoje). Diziam que a equipe era muito dependente do Kaká, o que não era mentira, mas o padrão de jogo rossonero era espetacular.

O Arouca aparece como uma espécie de Arsenal. Uma equipe jovem, muito rápida, técnica e envolvente, mas que sempre para no mata-mata diante de alguma equipe consistente, experiente e equilibrada. A equipe de amarelo tem um futebol vistoso, muito dinâmico, joga uma espécie de futsal dentro dos gramados sintéticos. Dá gosto de ver, mas precisa vencer pra ser reconhecida como merece.

O Mulekes, atual campeão, me lembra a Inter e o Chelsea de José Mourinho. Equipes com muitas peças qualificadas, mas que tinham no sistema tático e no equilíbrio defensivo suas grandes virtudes. Ambas as equipes tinham muralhas no gol (Cech e Júlio César), assim como o vencedor da Ouro no segundo semestre de 2011. Basta saber se o Mulekes quer repetir o time londrino (que fez história na Inglaterra, mas fracassou na UCL) ou o milanês (que parou o Barcelona e ainda conquistou a Europa).

A minha vontade é de ficar aqui viajando pela história do futebol bretão fazendo analogias, mas infelizmente (ou felizmente) tenho outros afazeres pessoais e profissionais. Além disso, esse espaço nem é tão grande assim. Na verdade, paro aqui com as comparações, mas espero ganhar mais inspiração ao acompanhar os jogos da divisão mais competitiva do Chuteira. A guerra começou e eu é que não vou perder nada desse novo episódio da Champions League paulistana. Ainda espero colocar o meu Irado´s nessa analogia, mas não como o Corinthians na Libertadores...
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