Conversa boa com Lucas P., para esquentar o início de noite de um sábado gelado em São Paulo, após mais uma rodada da Liga Chuteira de Ouro F7. Uma pergunta objetiva, mas imagética, surgiu: quais equipes da atual Série Prata teriam chances de se sustentar na próxima Série Ouro? O questionamento vem através de teorias criadas sobre o nível técnico apresentado nas duas principais divisões do melhor campeonato amador de futebol society do Brasil pré e pós-pandemia.
Durante MachuPichu 6 x 1 Cachorro Velho, válido pelo Grupo B dourado, apareceu Guilherme Damadi, o outrora popular Gui Fenômeno, líder do extinto Primatas – que fez história no Chuteira de Ouro. Com expertise na competição entre 2009 e 2018, não acreditava que tal partida era da Série Ouro. Logo, nota-se que a lacuna de sua ausência nos últimos três anos o tornou incrédulo. Porque as equipes observadas fizeram por merecer estar naquela posição. Se a qualidade do espetáculo não agradou a Gui Fenômeno, daí é outro busílis.
A real questão está na (im)paciência pelo próximo semestre!
Conversando com Derek, Léo Chamma e Maga (Invictus), e com Rato e Denner (Torce Contra), durante o último sábado, as perguntas sobre as forças candidatas ao título dourado têm como respostas os três primeiros colocados dos dois grupos. As demais equipes podem até surpreender neste semestre com uma zebra do tamanho da final entre Real Paulista e Med Taubaté na 11ª edição da Série Ouro, mas a maioria dos jogadores dourados sabem que Olimpo, Coisa Rara, IMZT, Leleks, Cachorro Velho e Magnatas têm de usar este torneio como preparação à pedreira do próximo semestre. Porém, será que os atuais prateados fariam bom papel ao encontrar esses times caso subissem?
Para Lucas P., será brincadeira de criança ao Loloverpool, que cada vez mais se torna uma equipe madura – porque vencedora ela já tem se mostrado em sua escalada. Para mim, das demais agremiações, apenas o Lokomotiv tem estrutura para chegar na Ouro e fazer boa campanha. Porque quem pensa, na atualidade, em facilidade para enfrentar os atuais lanternas dourados, se esquece que, no futuro, eles já estarão um semestre adiantado na questão 'experiência de divisão'. Isso conta demais quando a Série Ouro é disputada, porque a maioria dos jogos é realizada nas quadras maiores – enquanto as equipes da Prata ainda se dividem com as quadras menores.
Os contatos físicos também são diferentes. Raramente você encontra um jovem de 20 anos que brilhe numa equipe da Ouro. A maioria dos
managers, ao montarem suas esquadras, sabem que os sistemas defensivos têm de ter a união da força do corpo com a mental, e, apostar num jovenzinho, somente se ele for de outra galáxia. Essa questão é importante porque Loloverpool e Juvena deverão chegar à próxima Ouro.
Paraguay, Parceradas, Divino e Real Madruga teriam de se reforçar para, em caso de acesso, se manterem na Ouro pro primeiro semestre de 2023. Ao Interativo, é romper a barreira da timidez para se tornar um time vencedor, principalmente com os reforços vindos do Futsamba, mas isso passa única e exclusivamente pela mentalidade de cada jogador.
O Catimba teria condições de se sustentar na Ouro, mas ainda busca se reencontrar após a fatídica decisão do Chuteira 100|Bronze. Ainda está devendo. Para Astúcia, Absolutos e SPQSF, o melhor seria permanecer na Série Prata, mas o sonho de levantar a taça é maior e o acesso à Ouro seria inevitável. Só que a diferença seria chegar fortalecido com o hipotético título. Não deve acontecer.
Momento histórico – O Grupo B da Série Aço vive uma situação rara – para não dizer inédita – nas duas últimas rodadas. Os quatro primeiros colocados se enfrentam, com todos podendo vencer a chave e conquistar o acesso direto à Série Bronze.
O empate em 1 x 1 entre Real Migué e Sexta-Feira colocou pressão e euforia no Fúria, que poderia abrir importantes 4 pontos e ir aos confrontos contra os próprios RM e S-F podendo controlar a liderança com empates. Porém, Bona parou Leka, e o Maestria segurou o líder para vencer por 1 x 0 e entrar de vez, ele, na briga pela primeira posição. Coincidentemente, encara os mesmos adversários do time de Thiago Motta e Fábio Caruso.
No próximo sábado teremos Migué e Fúria. O ainda líder Fúria depende apenas de si para ficar na liderança, enquanto os demais times terão de fazer suas lições de casa e contar com a sorte. Essa, que pode estar atrelada à frase de Sucão levantada na coluna da semana passada: “Quero ser campeão”. Aí poderá ter o casamento perfeito com a frase de Marcelo Facchini na última Duelo (leia aqui
https://www.chuteiradeouro.com.br/noticias?id_t_noticias=1524): “O S-F tinha que estar na Ouro”. É o Grupo B da Aço mostrando para o outro lado que o mata-mata não deverá ter favoritos!
Falta pouco – Duas equipes deram grande passo para estarem na próxima edição da Série Aço. O Madureira confirmou a liderança do Grupo B do Chuteira 5 ao despachar o Gala por 6 x 2 em tarde inspirada de Godoy e sua tripleta. Vai agora à disputa franca contra o Tirinhas Rocontec, que ainda lamenta o empate na primeira rodada ante o Diretoria. A equipe de Lobo e Tico jogará com o regulamento embaixo do braço nas duas últimas rodadas para tentar controlar a ponta. Uma dessas partidas será o confronto direto ante o TR.
No Grupo A, mais perto ainda do acesso ficou o Zona Nossa. Sofreu para vencer por 1 x 0 o Real Baixada, mas conquistou os 3 pontos e, com a derrota do Lapiros, precisará vencer apenas um dos seus dois jogos restantes para subir de divisão antes dos outros. Porém, mostrou que, sem Cavica, é um time que perde em criatividade e objetividade. Precisará de mais gente quando a fase final começar, caso o título esteja nos planos. A primeira colocação é um objetivo bem mais fácil neste momento.
Panela velha na Estrelato – Dois jogadores que brilharam num recente passado voltaram a atuar na Liga Chuteira de Ouro F7 e já mostram que estão acima dos outros jogadores. Lucas Bergamini, o popular Berga (mas que será sempre Lukinhas para este cronista), comanda o poderoso ataque do Pegada Sinistra – que deverá vencer o Grupo B e chegar ao próximo Chuteira 5 no semestre que vem. O ex-atacante do extinto Leões do Brás briga pela atual artilharia da Copa Estrelato e mostra que seu faro em balançar a rede continua apurado.
Quem também destoa é Léo Rinaldi. Já fez história com os extintos Bengalas e HidroNG, e não tão grande temporada pelo Se7e de Perdizes (atual Grupo A da Série Aço). Anos depois, continua jogando de forma clássica e objetiva, sempre buscando o ataque, marcando seus tentos, mas principalmente comandando o Cacildes de Ramos dentro de quadra. A equipe está na terceira colocação do Grupo A, mas deverá vencer suas duas últimas partidas (uma delas com o atual líder Semba) e ir a 12 pontos. A pressão então aumentaria ao Fortalança, hoje na vice-liderança, que também teria de vencer seus últimos dois compromissos. O problema é que nem sembistas, tampouco fortalancenses, têm um Léo Rinaldi ou Berga em seus elencos para fazer a diferença.
Comentários (0)