Acordo na manhã de domingo e percebo uma mensagem de voz de um jogador que está no Chuteira antes mesmo da minha adesão ao melhor campeonato de futebol
society do Brasil. Suas palavras em relação às divisões têm relevância e, no áudio enviado, uma previsão que vai além do politicamente correto num tempo onde qualquer verdade ou brincadeira se tornou sinônimo de polêmica: “O Basicus vai subir pra Série Prata, escuta o que tô te falando.”
Excelente abordagem para falar da divisão mais divertida da Liga Chuteira de Ouro F7: a Série Bronze. Historicamente.
Antes que os cotovelos de quem joga Ouro, Prata, Aço, Chuteira 5 e Copa Estrelato comecem a doer, é preciso pontuar que são divisões bem legais para se acompanhar também. Quanto a isso, nada mudou. A questão pende para um lado de rompimento de uma barreira invisível: a hora de separar os meninos dos homens.
Quando equipes que sonham com a Ouro partem das divisões de baixo (Estrelato e Chuteira 5), e alcançam a Série Bronze, sabem que encontrarão dificuldades até então desconhecidas. Uma delas é enfrentar times que já eram bronzeados, mas que permaneceram nele, criando uma dificuldade até então não sentida. Caso do Midfielders, que era líder do Grupo B e teria o tradicional Só Quem Sabe para tentar ir a 10 pontos e encaminhar a liderança final. A primeira posição está mantida, mas graças ao confronto direto na rodada de abertura ante o Pervas, quando saiu vitorioso. Porque o SQS deu o tempero tradicional da divisão justo na 4ª jornada ao vencer o líder e se tornar o líder por pontos perdidos, já que tem uma partida a menos.
Outro caso de “fogo no parquinho”, expressão moderna, aconteceu no suado e difícil, mas com um sabor de vice-liderança do Grupo A, triunfo do Acidus sobre o então segundo colocado GW Altino. Este ficou animado ao chegar ao complexo Chuteira de Ouro e saber do tropeço da, então, única equipe 100% na divisão, o Los Borrachos Juniors: restavam 50 minutos para o GW assumir a ponta numa corrida maluca dentro da chave. Só não contava com a ascensão acidiana, que vem mostrando bom futebol a cada rodada a partir do entrosamento dos novos jogadores com os velhos de guerra. Igor Bolanho, que ficou conhecido por defender o extinto Vikings no passado, comemorou o triunfo com seus companheiros como se fosse a própria decisão da Bronze. Mais um tempero para o caldeirão bronzeado.
Los Borrachos Juniors e Midfielders lideram seus grupos mesmo derrotados. Porém, para vencerem suas chaves e chegarem à Série Prata por antecipação, terão de aproveitar esta semana decisiva para colocar seus planejamentos de volta às rotas desejadas inicialmente. Daqui pra frente, todo jogo será complicado. O LBJ sentiu no confronto contra o atual campeão do Chuteira 100|Aço, o Soberanos, o peso que é o favoritismo. Pablito, revelação soberana no semestre passado, “cobrou” o suposto protecionismo da imprensa com o líder. “Eu vi você filmando o gol dos caras, quero ver o que você vai dizer no Planeta Chuteira agora”, esbravejou, de forma sadia, Pablito.
A fala é natural para nós do jornalismo, já que a busca pela diversão, em meio à seriedade demonstrada pelas equipes, sempre foi nossa meta. É natural da Série Bronze também. O último estágio antes de adentrar ao mundo fechado da Prata e da Ouro ainda leva o humor necessário para apimentar cada rodada. Quando uma equipe se torna prateada ou dourada, caem drasticamente as brincadeiras e provocações públicas – pelo menos em rede ampla, através das mídias do Chuteira. Pode até ser que um time vá à própria
storie no Instagram para chamar a atenção de um, ou do próximo, adversário. O problema é que não está externado ao universo Chuteira de Ouro, ficando limitado.
Aliás, tratando-se de postagens em mídias sociais, as equipes da Ouro fazem de forma tímida, tendo relação direta com suas faixas etárias. Por serem elencos com pessoas mais velhas, a cabeça de cada jogador quer pensar em outra sentença. Não quer dizer que deixaram de brincar ou provocar, mas os fazem com menos intensidade. O Vendetta, por ser uma geração conectada no wi-fi, mostra-se mais ativo em suas postagens – querendo reativar o espírito que ainda existe na Série Bronze, último estágio antes da seriedade excessiva (mas que é natural).
O áudio falando sobre o Basicus ser da Prata no próximo semestre foi chocante não pelo conteúdo em si, pois todas as equipes sempre puxam as sardinhas para seus lados. A incredulidade positiva é pelo fato de alguém falar algo tão impactante assim e ainda autorizar um jornalista a publicar sabendo que provocará sentimentos de reação (jogando bola, claro) do próximo rival. Algo cada vez mais raro só podia vir de alguém com histórico de Chuteira de Ouro. De Série Bronze também.
A fala provoca, mas com embasamento: sua equipe é a vice-líder por pontos perdidos no Grupo B e tem condições de acessar diretamente a Prata como vaticinou. Seu maior expoente poderá fazer história tamanho equilíbrio e diversão a todos na Bronze: Rodrigo Barath tem a chance de subir, como técnico, tanto o Basicus quanto o Soberanos, este no Grupo A. Algo que só se vê na Bronze.
Garga(lhando) à toa – “Vocês nunca colocam o Lokomotiv como favorito”. Agora será colocado, Garga. O retorno do aurinegro da Zona Norte à divisão onde parou antes da pandemia da Covid-19 era cercado de mistérios, mas que se dissiparam após três jogos do time na Prata. Ao lado do Loloverpool, este no outro grupo, é a única equipe 100% na divisão, e Felipe Moura e cia. estão próximos de vencer o Grupo B para alcançar a Ouro antes dos finalistas. A única preocupação é o Parceradas, que vem com atuações convincentes sob a liderança de Alvinho.
No confronto direto, neste próximo sábado, ao Loko bastará o empate – isso se fizer a lição de casa contra o vice-campeão do Chuteira 100|Bronze e, ainda, atual campeão da Série Aço, Catimba, que somou seu primeiro ponto e quer o mata-mata. Garga, goleiro do Lokomotiv, começará agora a lidar com o favoritismo que sua equipe se atribuiu e a imprensa chuteirense fomentará.
O despertar da fúria – Após passar pelo Sauna e manter a liderança do Grupo B da Aço, chegando a quatro vitórias em quatro jogos, Sucão, legendário capitão e arqueiro do Fúria, disse uma frase emblemática ao elenco furioso: “Quero ser campeão”. O desejo é levantar o único troféu que lhe falta em sua galeria: algum título de divisão do Chuteira de Ouro. E o momento poderá ser esse.
Historicamente, a luta inicial é por vencer o grupo e acessar diretamente a divisão acima. Para a atual Aço, isso é apenas consequência de um trabalho que visa o título, na visão de Sucão. A gana pela taça é natural para quem respira o Chuteira de Ouro desde seus primórdios, lá em 2006.
Antes da pandemia, algo semelhante aconteceu com outro goleiro histórico: Cipó. Fechando a meta do Ras Time, queria levantar algum troféu de divisão com seus amigos. Parou no 2 Tok’s na semifinal do XX Chuteira de Prata (leia aqui
https://www.chuteiradeouro.com.br/noticias_jogos?id_t_noticias_jogos=5233) e, na 22ª edição, ficou nas oitavas de final diante do Camelo (leia aqui https://www.chuteiradeouro.com.br/noticias_jogos?id_t_noticias_jogos=6235). Agora, Cipó poderá ser campeão pelo Invictus, na Série Ouro, mas sem seus amigos de longa data. Já Sucão tem a oportunidade de realizar o seu desejo, igual ao de Cipó, com a diferença de atuar ao lado dos seus velhos conhecidos.
Comentários (0)