Velhas questões são sempre suscitadas a cada temporada. Ora é reclamação contra as arbitragens (justas em alguns casos, como a falta de critérios entre os juizões e/ou o fato de os mesmos deixarem jogadas mais duras em disputas de bola rolarem soltas), ora é cara brava porque jogou pouco, ora é técnico/manager se queixando da falta de comprometimento de determinada pessoa. No último fim de semana, outra velha questão voltou à baila: o tamanho da quadra.
Tudo por causa do MachuPichu, capaz de parar duas equipes consideradas quase ‘imbatíveis’ dentro do Chuteira. Primeiro os peruanos venceram nada mais nada menos que o atual tricampeão da Ouro, o Nois Que Soma, na rodada passada, espantando a maioria – que esperava triunfo tranquilo de Murillo, Pivoto e cia. Depois, uma vitória de suma importância contra o líder Fora de Série – não deixando o time do tricolor carioca Jhoni abrir vantagem maior.
Muitos atribuíram os resultados a Hugo, que praticou defesas espetaculares nos dois jogos; outros dirão que Luis Blanco e sua habilidade com a bola nos pés foi fator determinante; contudo, a maioria classificou os feitos como normal “pelos jogos terem sidos na quadra menor”. Há uma sinuca de bico nesta situação. E ela acontece a partir de uma fala do técnico de Invictus e 2 Tok’s, Leandro Dias: quem está acostumado com a quadra grande, quando vai jogar na pequena passa a jogar outro esporte. A frase faz sentido. A compactação nas quadras maiores (5 e 14) são mais complexas de acontecer. Pelo diâmetro e largura, a marcação nessas duas quadras obriga equipes que apostam no sistema defensivo a terem um bom entrosamento e um elenco razoável para qualquer partida – além de um goleiro acima da média. Afinal, o cansaço – sobretudo em dias quentes – é outro obstáculo para a conquista dos 3 pontos.
Porém, dois times já mostraram ser capaz de jogar na defensiva, ser castigado a partida inteira, e mesmo assim sair com a vitória ou ao menos o empate. SPQSF e Primatas são times que sabem de suas limitações, mas também sabem que, se estão na disputa, têm chances de ganhar, por que não? Na quadra maior, conseguem se defender muito bem, mesmo consagrando seus goleiros (Foguinho e Vini, e até Serafa, são figuras carimbadas entre os MVGs), e saem sem levar muitos gols. Ou seja, as quadras maiores, sim, propiciam jogos ‘francos’, e os times que têm ataques poderosos acabam se sobressaindo, mas quem não tem também pode ser vitorioso.
O mesmo ocorre com o MachuPichu. Venceu porque jogou na quadra menor? O que garante os peruanos perdendo para NQS e FDS se os jogos fossem na quadra maior? Nada. O favoritismo seria do outro lado, sempre, mas o futebol society também prega peças e, na quadra maior, os triunfos da equipe de Ricci e Tebas poderiam tanto não acontecer como... acontecer. Então, no fim das contas, desmerecer os 6 pontos conquistados pelo MP é não reconhecer a organização e dedicação peruana – apenas olhar para si é prejudicial para a própria evolução.
Leandro Dias, que defende o tamanho de quadras na fase final igual ao da fase de classificação (ou seja, caso Invictus e 2 Tok’s se classifiquem para o mata-mata, ele prefere continuar jogando na quadra menor), logo é vencido na argumentação com um simples movimento: a maioria dos jogadores de todas as divisões prefere espaço, então, a quadra maior. No último domingo, inclusive, o 2T enfrentou o Lokomotiv pela Aço na G5 e só não perdeu pois os russos perderam gols a rodo. A igualdade acabou sendo de bom tamanho para Leandro, que estava temoroso pelo jogo ser num ambiente ‘diferente’ do habitual (será por isso que ele prefere a menor?). Enquanto isso, alheio à discussão, o MachuPichu comemora seus merecidos triunfos e a sobrevida dourada. O resto é choro livre.
Bololô – O Grupo A da Copa Estrelato embolou de vez na ponta. São 4 times na liderança com 9 pontos. O grande responsável por isso foi o Belini. O time do interativo Samuka surpreendeu e venceu o então líder AFC, colocando fogo na chave. Por enquanto, muita água ainda passará por debaixo da ponte, já que há confrontos diretos a acontecer até a rodada final. Porém, IMZT, Rachão e Titans agradeceram a Vitera e cia. limitada pelo triunfo que, inclusive, fez o comentarista mais pé frio do Chuteira, Lucas P., soltar o famoso “como o AFC conseguiu perder?” (está exatamente aí a resposta, meu caro). Detalhe: nos 3 jogos que restam, além dos líderes, o próprio Belini pode surpreender novamente e passar a todos no sprint final e terminar na primeira posição. Afinal, 3 pontos o separa do paraíso.
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