A abertura da fase final do Chuteira 100 não poderia ter como resultado final senão o sucesso. Inclusive os jogos isolados de Prata e Bronze – ilhados entre as eliminatórias de Aço, Chuteira 5 e da última rodada da fase classificatória da Copa Estrelato, além da penúltima rodada da Ouro.
Entre vencedores, perdedores, classificados, não-classificados etc., o choro de alegria/euforia ou tristeza/raiva é tão livre quanto qualquer pensamento. Essa liberdade, porém, pode ter um preço indigesto quando determinada equipe esbarra em um tema levantado pela Contra-Ataque há quase um mês: pensamentos tóxicos (
aqui).
Na ocasião, fora suscitada a máxima que boa parte dos jogadores usa para mascarar a própria falta de competência diante de uma equipe, na visão deles mesmos, “de merda”. No sábado passado, outro aforismo veio à tona e precisa ser trazido a público para que as atuais gerações possam ensinar às futuras (já que cabeça de marmanjo para se livrar dos pensamentos tóxicos enraizados no subconsciente é quase impossível) que o planejamento é fundamental ao sucesso de qualquer equipe. Não será citado o nome do jogador, tampouco equipe e divisão. Aqui, é preciso apenas entender o contexto e adaptar para as respectivas realidades:
Contra-Ataque: “Salve, como foi lá? Ganharam ou perderam?”
Jogador: “Perdemos”
Contra-Ataque: “Putz, que merda, de quanto?”
Jogador: “Acho que foi uns tanto a tanto, e quase a gente beliscou pelo menos o empate”
Contra-Ataque: “Cacete, hein, agora complicou, né? Mas, porra, cadê aquele X
(jogador) que fazia os adversários temerem?”
Jogador: “É, Dodô, tá foda. Mas enquanto estive em quadra, pelo menos meu time não levou gol”
Contra-Ataque: “Ah, que é isso!”
O simples diálogo levou trinta segundos, pois a correria nos corredores é intensa, porém, o pensamento tóxico ficou preso na memória e uma análise se torna importante para não apenas fazermos a conexão com o texto do dia 26 de outubro, mas para entendermos resultados em todas as divisões.
Autoconfiança é fundamental para qualquer situação. Contudo, o indivíduo que não percebe que faz parte de uma equipe, corporação, time etc., com o pensamento individualista, acaba não apenas afundando os planejamentos de sua agremiação como também termina anulando a própria convicção. Recortando essa realidade, se tivesse mais tempo para um rápido debate, diria ao referido jogador “Ok, mas os três pontos foram ao outro time e apenas você se lembrará do tal ‘feito’ de estar em quadra num período em que seu time não sofreu gol”.
Pela leitura já se deduz que a conversa foi com alguém de algum sistema defensivo. Só que o tóxico pensamento do “pelo menos comigo em quadra...” se expande para todos os setores de uma equipe. Inclusive com técnicos. Basta um time perder para que a conversa penda para este lado. “Pelo menos fiz dois gols”; “Pelo menos não levei gol enquanto joguei”; “Pelo menos eu ganhei como estrategista nas partidas que compareci”.
Pelo menos... O brasileiro gosta disso: justificar-se quando perde a razão. Se isso é oriundo apenas do futebol, ou se isso tem em outros países, não se sabe, pois nossa realidade é aqui e agora. Logo, o muro do vizinho não deveria ser invejado ou criticado: deveria servir como modelo para a construção do próprio muro!
Tragamos o Sanjamaica à conversa. Eliminou o então favorito GW Altino nas quartas de final do Chuteira 100|Aço e fez algumas estruturas abalarem. O time se preparou mentalmente, fisicamente e tecnicamente para entrar numa quadra maior e seguir em diante na busca pelo título importante. Fica complicado apontar que alguém dentro do time tenha um pensamento individualista, ainda mais com os sanjamaicanos sempre se voltando à própria equipe historicamente.
“Pelo menos comigo em quadra...”
Atacantes/artilheiros e goleiros são os que usam, com maior frequência, essa sentença quando sua equipe perde. Como se o próprio lançador do pensamento tóxico não fizesse parte do elenco. Coloca-se inclusive como um ‘jogador de aluguel’, que não queria estar ali, mas foi ‘obrigado’ a aceitar; alguém chamado de última hora por qualquer aplicativo do gênero.
Essa falta de sintonia pode ser vista como sendo da boca pra fora, mas é a brincadeira que tem enorme fundo de realidade. Pense no seu time e tente se lembrar de quem fala “Pelo menos comigo em quadra...” enquanto a roda de jogadores regada com bebidas está feita após determinado jogo. Quantas vezes você já não ouviu isso de jogador ‘marrento’? Quanto tempo mais sua equipe aguentará jogadores com esse pensamento, diante de um planejamento inicial?
Todo jogo deveria ser assim – Enquanto equipes se digladiavam, uma partida gostosa, sadia, emocionante – mesmo não valendo nada – rolava na Estrelato: Ressaca e Semba deram o grande prazer do fim de semana. Pouco importa o empate, as equipes personificaram o espírito de diversão e alegria que o maior campeonato amador de futebol society do Brasil deseja e proporciona. A Copa Estrelato espera vocês para mais farras em 2022, sembistas e ressaquistas.
Mais regozijo em 2021 – O Banzelona venceu o confronto direto contra o Madureira e terminou na 1ª posição do Grupo C da Copa Estrelato. Ao lado de Gala e Zona Nossa (vencedores dos Grupos A e B, respectivamente) estará na próxima edição do Chuteira 5. Esta coluna parabeniza ‘os’ Gabriel (Barcellos e Ranoya) e demais banzelonistas pela conquista! Agora ficam duas dúvidas. Como estarão Banzelona e Loloverpool em 2022? Para esta Copa Estrelato, a equipe tem pecha para desbancar favoritos, como o Zona Nossa por exemplo?
Anota na agenda! – A semana chuteirense começa com três jogos eliminatórios entre quarta-feira e quinta-feira. No dia 24, Juvena e Joga Fácil fazem o segundo jogo das quartas de final do Chuteira 100| Bronze, enquanto Danonight e Real Migué abrem as semifinais do Chuteira 100|Chuteira 5. No dia seguinte, o confronto Pervas x Los Borrachos Juniors dá início às semifinais do Chuteira 100|Aço. Três partidas em que o favoritismo foi mandado às favas.
No sábado (27), finaliza-se a primeira fase do Chuteira 100|Ouro e decorrerão os demais mata-mata. Além dos duelos de titãs citados na última Contra-Ataque (
releia aqui), destaques também para: a tentativa de façanha do Absolutos diante do favorito Vendetta, na Prata; os comportamentos de Paraguay e Loloverpool, na Bronze; a outra semifinal da Aço, entre Soberanos e Sanjamaica; o pega do Entre Amigos com o Maestria na segunda semifinal do Chuteira 5. Começa também as oitavas de final da Copa Estrelato com oito bons confrontos. Muito melhor que qualquer final de campeonato sul-americano.
Nota do editor: Para quem gosta de série com essa temática, do individualismo x jogo coletivo no esporte, pode ver a série
Ted Lasso, disponível no Apple TV. De forma humorada, o técnico de futebol americano Ted Lasso assume como técnico de um time inglês da Premier League e, pouco familiarizado com o nosso futebol, tem na questão comportamental e do grupo como foco para mudar a mentalidade dos jogadores.
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