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A velha discussão do pagar ou não parar jogar (ou não) segue mais atual do que nunca

Durante conversa informal na última rodada, um técnico de um dos 18 times da Bronze confidenciou algo a ser refletido: “Queria ser técnico de uma equipe como o Condor’s, assim poderia mexer ou escalar sem ter nenhum problema a mais”. A frase, aparentemente inocente, revela algo sempre discutido mas que voltou à tona em um momento em que o dinheiro anda mais do que nunca na crista da onda. Até que ponto a situação monetária interfere em uma conquista?
 
No caso da frase do técnico citado (que por questões jornalísticas terá seu nome preservado, já que a conversa foi informal), era mais um desabafo por conta de ser um gerente dentro de um elenco cujo jogador paga individualmente para o time poder jogar. Desabafo natural de quem sabe que não pode lançar mão de alguém não preparado àquele determinado embate, mas que não pode abrir mão do mesmo jogador que será útil na rodada seguinte. É justamente o gerenciador de crises que este técnico não queria se tornar.
 
Afinal, apenas comandar taticamente uma equipe é fácil, mas contornar os egos, não. Ao citar o Condor’s, a lógica do técnico foi: os jogadores são convidados a fazer parte do plantel, logo, o técnico do time (Roberto Solcia) tem à disposição jogadores de talento e que podem ser utilizados quando bem entender. Ou seja, o famoso discurso “estou pagando e quero jogar” não faz parte de um time cuja mensalidade não é rateada. Liberdade.
 
A teoria é muito fácil, e a simples frase não deveria ser nada de demais. Mas é. Primeiro, que tudo a ser falado sobre o pagamento do Condor’s é mera especulação, a não ser que você chegou para o dono do time e perguntou como funciona o ‘esquema’ dentro do atual campeão da Prata. Segundo, que ‘egos’ também são inflados em uma equipe que supostamente só joga e não tem nada a sair de seus bolsos. Basta lembrar a passagem-relâmpago de Volpato pelo time no primeiro semestre – retornando à Academia Competition sem sequer ter feito 3 partidas com a camisa grená.
 
Ora, então não há saída, certo? Sim, não há saída. O ser humano é fadado a muitos sentimentos, e o de ser preterido é talvez um dos mais cruéis. Quando há uma rejeição, costumamos a nos fechar e a nos sentir melindrados. Traduzindo para um elenco com jogadores: se eu não jogar, vou causar. Talvez tenha sido nessa intenção o desejo do treinador, não querer pessoas negativas e que possam tumultuar o ambiente com a frase que nenhum técnico ou manager gosta de ouvir. Afinal, todos querem jogar. No caso do society amador, o esforço nos treinamentos é trocado pelo esforço financeiro.
 
Gerenciar uma situação assim não deve ser fácil mesmo. Talvez aí esteja um dos motivos de muitas pessoas não quererem certos comandos. Ser manager ou técnico é padecer em um cargo no qual a satisfação pessoal é latente, e o reconhecimento é visto apenas com o título.
 
Muito fácil para quem está do lado de fora apenas apontar culpados e exortar discursos coléricos acerca do “me escala, pois pago o mesmo que os outros”. Óbvio que esse jogador a soltar a célebre frase, ao passo que não pensa sobre não ser uma peça que pode ser útil naquele momento, pode também estar pensando no sentido de “me coloca que eu acabo com a outra equipe”. Daí são as convicções do ser humano, sempre disposto a admirar o jardim do vizinho ao invés de cuidar o seu próprio.
 
Decisão, já? – O desenrolar das divisões a cada rodada é bacana também por um motivo: quando chegam os confrontos diretos o ‘bicho’ costuma pegar. Condor’s x Arouquinha e TáLigado contra Nois Que Soma devem parar a Ouro. Na Bronze, StarFucks x Xoras movimenta a divisão, enquanto Lokomotiv e 2 Tok’s devem fazer o grande confronto da Aço. Porém, das coincidências boas e salutares do futebol, nada se compara à rodada 6 da Prata. Mais precisamente o Grupo B.
 
Tudo porque os quatro primeiros colocados se enfrentam. E isso pode ser já decisivo. Logo pela manhã de sábado o líder Wake ‘n’ Bake terá pela frente o 3º colocado, o Torce Contra. Partida que promete, já que colocam dois estilos diferentes frente a frente mas que têm na troca de passes suas forças. Quatro horas depois, o vice-líder Spartacus bate de frente com o 4º colocado Abusados. Estilos parecidos, que devem fazer do jogo uma guerra tática interessante. Em comum nos dois confrontos apenas um detalhe: todos querem a Ouro vencendo o grupo.
 
Mais decisões, mais coincidências – Se a Prata foi contemplada com dois grandes jogos decisivos, o mesmo pode ser dito da Aço – de uma forma diferente. É que a rodada 6 também marca confrontos diretos de tirar o fôlego, mas nas rabeiras. Nos dois grupos se enfrentarão, justamente, os respectivos frequentadores dos Z-2. E, em jogos assim, é comum os duelos serem eletrizantes.
 
No lado A, o Ex-trelas tem 2 pontos e um ataque capaz de ficar à frente, por exemplo, do Voando Baixo (3º colocado do Grupo B), mas uma defesa que levou 27 tentos (a mais vazada da competição), enquanto seu adversário, o Elefantes Indomáveis, conquistou seu primeiro ponto apenas na rodada passada, mas que costuma se agigantar em partidas decisivas. Já o lado B trará Furinha x Toiss para saber quem dos dois ficará fora do Z-2 por, pelo menos, uma semana. O time de Barnabé vem de 3 empates e um momento de crescimento. Só que a equipe de Robinho está descansada, e cada vez mais entrosada depois da debandada ‘belínica’.
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