Nos anos 1970/80, havia uma comoção em torno do espetáculo de luta-livre cujo nome era
Gigantes do Ringue. Comandado por Michel Serdan, a atração fez muito sucesso – principalmente entre o público masculino –, passando em alguns canais de televisão aberta (
Record,
Gazeta, e as extintas
Tupi e
Excelsior) ao longo de duas décadas ininterruptas e levando entretenimento a uma geração que não tinha internet e se sentia ‘obrigada’ a ser escrava da programação das emissoras. As armações, para quem descobria, tirava um pouco da áurea em torno do ‘realismo’ das lutas. O nome do espetáculo serve para contar a história das quartas de final da Série Ouro. O tipo praticado (lutas combinadas), não.
No próximo sábado, serão quatro partidas de pesos-pesados. Entre os oito times que avançaram à fase, apenas um é novato na divisão: Baixada de Munique. O time que vem de Santos para jogar, porém, é o único, ao lado do Nois Que Soma, a vencer todas as divisões de acesso à principal. Ou seja, dizer ‘novato’ pode ter dupla interpretação. Com jogadores habilidosos, foi subindo e alcançou o último estágio com uma mescla de jogadores jovens (Holanda, Beça, General, entre outros) com experiência (casos do capitão Guina e de William ‘Tanque’, atacante que surgiu no futebol de campo).
Enfrentará o Abre o Olho, que mais uma vez chegou ao mata-mata para, dessa vez, entrar de vez na luta pelo seu primeiro título dentro do Chuteira de Ouro. É a 4ª temporada dourada da equipe, e a segunda chance que tem para ser semifinalista: na disputa da 27ª Série Ouro, perdeu para o que viria a ser campeão, o Mulekes, e ficou fora da briga. Com uma defesa bem postada, e jogadores entrosados, que sabem tocar a bola em contra-ataque (como poucos), o AO eliminou o Torce Contra e depositará em Luan, Beza e Vander todas as suas fichas – já que Fê Amato, infelizmente, está fora desta edição da Ouro após romper os ligamentos do joelho.
No caminho do vencedor desse confronto terá seis títulos da Ouro. Sem dúvida, será o confronto mais histórico entre as quatro partidas eliminatórias. São cinco títulos da divisão ao Nois Que Soma e um do Arouca. Já por isso se justificaria a tese. Junta-se o fato de já terem se enfrentado algumas vezes. É possível, sim, dizer se tratar de um ‘clássico’. O NQS, ao que tudo indica, deverá se despedir do Chuteira de Ouro ao término desta temporada. Indícios para o encerramento das atividades não faltam.
Contudo, é aí que pode residir o problema aos adversários quando Paulinho, Felipinho Talharo, Luiz Minici, exemplos de jogadores da ‘velha-guarda’ do NQS, juntam-se a Paulo Netto, Thiaguinho, Negueba, entre outros que vieram a somar para formarem uma equipe forte e experiente. Só que isso não falta ao Arouca também. Luan, Deboche, Heitor, Marinho, entre outros, sabem o peso que tem essa camisa dentro da Liga Chuteira de Ouro. Quem entrou no elenco, casos de Austrália e Rapha Hulk, logo entenderam o espírito arouquense e mostraram o serviço necessário para deixar o nome da lendária equipe em evidência.
Em se tratando de ‘clássico’, outra disputa será gigantesca. Mais uma vez o Catado entra na rota do Wake ‘n’ Bake. Nas quartas de final da 25ª Série Ouro, deu Catado por 5 x 4; na semifinal da 26ª edição dourada, deu Catado por 3 x 1. Dessa vez, ou o WB terá o tabu ampliado ou exorcizará o fantasma que o acompanha. O time se classificou na sexta posição do Grupo B, mas talvez tenha seu momento mais equilibrado em termos técnicos e psicológicos. Com o retorno de Tutão para jogar ao lado de Leite, Fex, Lipe, Cury, só para citar alguns jogadores históricos do time, o WB quer aproveitar o momento.
Momento este que, aparentemente, deixa o Catado sendo uma certa incógnita. Pelo menos quando se trata de primeira fase. Ao ser goleado pelo Baixada de Munique, mas depois vencer o Guaxupé, mostrou que pode estar escondendo o jogo justamente para a fase final. Aí poderá ser problema ao WB. Vale lembrar que o time que conta com Balãotelli e Interior foi às duas últimas decisões douradas e ficou, nos casos, com o vice-campeonato. Dudu, Drinho, João Gualtieri, só para citar alguns, ainda estão com as perdas dos títulos engasgadas nas respectivas gargantas. Assim como o WB tem o próprio Catado engasgado. A única promessa aqui é que provavelmente será um confronto com muitos gols.
Ao contrário do último jogo das quartas de final a ser destrinchado: Mulekes e Guaxupé, juntos, levaram apenas 21 gols. Têm, individualmente, as defesas menos vazadas entre todos os times da Liga Chuteira de Ouro, incluindo a Copa Calcio (disputada às quintas-feiras). O atual campeão foi vazado apenas 11 vezes e mostra estar pronto para levar o pentacampeonato (o que seria também o segundo seguido). Inclusive, o time que conta com Baiano, Diego Orsi, Gambetta, Pipo, Pitta, entre outros, é o mais comentado entre os apostadores: ninguém se arrisca a dizer que a mulekada não estará, no mínimo, em mais uma decisão.
Só que isso não elimina o Guaxupé automaticamente. E o técnico do Mulekes, Thiago Dacal, sabe disso. Afinal, conhece Maurinho, China, Jé, só para citar alguns jogadores habilidosos que sempre fizeram do Guaxu um vencedor. É certo que o time flertou com a eliminação precoce ao sair perdendo por dois tentos do surpreendente Invictus, mas teve paciência para empatar o embate e sair classificado na morte súbita. O diferencial, neste semestre, está justamente num poder de marcação nunca visto antes na equipe, e por este fator também que o Guaxupé é alcunhado como um gigante a entrar no ringue da Ouro.
O primeiro campeão do semestre será conhecido no sábado. Sexta-Feira e Loloverpool fizeram campanhas vencedoras para decidirem o Chuteira 5, por isso mereceram a final mais que os concorrentes. Inclusive, enfrentaram-se na última rodada da fase de classificação, e o empate à época dá o rumo de como poderá ser a decisão. É notório que a presença de Marcelo Facchini deu maior consistência ao S-F, mas é o conjunto, este a contar com Holly, Falcone, Saraiva, entre outros, que faz a diferença no crescimento do rendimento. Ao Loló, o conjunto também é o diferencial, mas, individualmente, Camper e Cadú se mostram acima da média. Se o campeão for conhecido nas cobranças alternadas de
shoot out não será nenhuma surpresa.
Mais uma passagem carimbada – Com a vitória para cima do Murajuba, o Sexta-Feira não apenas alcançou a decisão do Chuteira 5: está garantido na 15ª edição da Série Aço, a ser iniciada no primeiro semestre de 2020! Esta coluna parabeniza o time!
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