São tempos em que a maioria dos brasileiros, finalmente, se voltou para o toque de bola como tática para vencer jogos. Não se trata de uma novidade o futebol brasileiro primar pela qualidade técnica nos passes que envolvem os adversários. O estilo tupiniquim sempre foi este, e nem a perda da Copa do Mundo – no futebol de campo – em 1950 fez modificar o hábito. A barreira só foi quebrada em 1982, na Copa daquele ano após a derrota para a Itália, sendo ratificada com a conquista do tetracampeonato em 1994 com um esquema tático mais voltado à marcação. O futebol europeu, e o atual Flamengo, mostram outro cenário aos mais jovens – estes acostumados com um estilo menos vistoso.
Comparar futebol de campo com o
society é complicado. Porém, não há como negar: as metodologias acabam se fundindo, e o que mais se vê são equipes jogando de forma fechada para explorar contra-ataques. O primeiro gol do Titans, na vitória sobre o Senta os Alunos, na Série Aço, é prova disso (está no
Instagram do Chuteira de Ouro). É um recurso, e deve ser respeitado. No caso do Titans, é uma equipe que busca a permanência na divisão, ou seja, tentar ser um Mulekes ou Catado – no estilo de jogo – talvez não seja mesmo bom se expor tanto.
Voltando às forças defensivas, a reflexão não é se o estilo serve ou não. É preciso olhar para a movimentação tática. Veja os exemplos de Guaxupé e Mulekes, na Série Ouro. São os únicos, da Ouro até o Chuteira 5, que não romperam a barreira dos dois dígitos em gols sofridos. Isso porque jogam a principal divisão! Méritos aos técnicos,
managers e jogadores das equipes. É com essa força que ambos vão avançar de fase para estarem mais pertos do título.
Só que os destaques que vêm de trás também devem ser enaltecidos. Três ‘zagueiros de ofício’ foram chamativos em toda Liga Chuteira de Ouro no último sábado, mas não apenas pelos desarmes: Pou (Vendetta), Portuga (Primatas) e Biro (SNG), os dois últimos no Chuteira Master. No moderno futebol
society, as nomenclaturas para jogadores se tornam perigosas. Tanto que classificar alguém como ‘zagueiro’ ou ‘atacante’ pode ser um tiro no pé. Afinal, a rotatividade do jogo permite que, quem está atrás, venha para frente – e vice-versa. As funções são movediças. Logo aparece também Pelé, do Catimba. Atuando mais como defensor, surge da defesa para marcar gols – seja de cabeça ou com a bola no pé. Douglas Luiz, do Fúria Moleque, é outro que sabe tanto defender quanto atacar.
Voltando à trinca anteriormente citada. Pou foi destaque, pois segurou o ataque do All Games na primeira etapa, e ainda por cima fez um dos cinco gols do Vendetta justamente vindo como elemento-surpresa. O mesmo ocorreu com Portuga. Na vitória do Primatas ante o SNG, pelo Chuteira Master, veio da quadra de defesa para marcar o quinto tento da equipe na vitória por 6 x 5. O derrotado SNG, pelo menos, viu Biro chegar diversas vezes para arrematar um lance quando os companheiros estavam marcados. O ‘zagueiro’ não anotou nenhum gol, mas acertou trave e raspadas nela.
Claro que existem diversos exemplos parecidos espalhados pelas quadras. Aqui, vale a ressalva sobre não ser uma ode ao ‘estilo fechado’ de jogo. Nada disso. Quem tem qualidade técnica ao trocar passes, casos de Mulekes, Baixada de Munique, Olimpo, Juvena, Parceradas, entre alguns outros poucos times, não deve abrir mão do estilo – talvez equilibrar as ações. O atual campeão da Ouro é prova viva, pois tem a segunda melhor defesa e o segundo melhor ataque. Quem não tem recursos técnicos, ainda se baseia na força física e raça. Junta-se o plano tático defensivo, ao qual a força muitas vezes pode fazer diferença.
Quero mais – Acabou a primeira fase da melhor edição do Chuteira 5 já realizada. A assertiva é verdadeira: não há um único favorito a vencer o título, tampouco dois ou três. Quase todos os classificados mostram consistência para levantar o caneco. Sem contar os ‘patinhos feios’, já que o exemplo de um dos classificados – Murajuba – ainda ecoa entre as equipes.
Os murajubenses, neste caso, servem de inspiração ao Sanjamaica. Último classificado – tanto no dia quanto no Grupo A –, ‘roubou’ a vaga então certa do 1000Gols ao vencer o Bicho Solto e contar com o tropeço do rival direto para o líder Panela. Avançou e já se coloca como candidato, sim, a título. Claro que é por estar classificado, e não pelo entrosamento da equipe. Deverá sofrer, e muito, para segurar a família Salgado e cia. no duelo ante o Pervas. Porém, tanto o próprio Pervas, além do Murajuba, foram o Sanjamaica da última edição da Copa Estrelato. Surpreenderam e chegaram entre os quatro melhores. Os sanjamaicanos querem o mesmo.
Os demais times estão em pé de igualdade. Além de terem qualidade, o sábado provou que, na hora do mata-mata, o que vale é o psicológico em dia. Jogando lado a lado, e no mesmo horário, Tirinhas 4i20 e Los Borrachos Jrs., primeiro, garantiram as emoções dos torcedores. A frieza dos tirinhas para virar o placar sobre o forte Midfielders, ao passo que os borrachudos perderam para o Pervas, mostra o quão equilibrada é a divisão.
Se passarmos ao Grupo A, a mesma situação acometeu Panela e Loloverpool. O primeiro sofreu para vencer o 1000Gols. Se fosse uma partida fora do contexto, a tendência seria de os paneleiros vencerem com certa folga. Não foi o que aconteceu, mas o time fez o suficiente. Até porque o Loló empatou com o Sexta-Feira – este se ajeitando a cada rodada. O fato de o então favorito, o time de Camper e Cadú, ficar apenas na igualdade em um jogo decisivo dá pistas que, a partir de agora, quem classificar alguém de ‘favorito’ pode também ser tachado de lunático.
Mudança de endereço – Se antes o Grupo B da Série Bronze era o mais equilibrado, hoje, outra chave B chama a atenção: a da Série Aço. Dos cinco primeiros colocados, apenas o Só Vai não tem mais chances matemáticas de terminar em primeiro. O Hooligans assumiu a liderança, mas poderá perder a ponta caso haja vencedor no confronto direto entre Paraguay e Juvena. Aliás, este último vem perdendo forças na reta final da fase de classificação e já coloca em xeque um acesso outrora certo.
O Basicus corre por fora, mas torce por um empate no confronto entre paraguayos e juvenais e, caso vença o Só Vai na rodada, colocará mais pimenta neste saboroso grupo. Juntos, os cinco citados já estão no mata-mata. A última vaga é, atualmente, do La Coruja. Porém, até o lanterna e zerado Senta os Alunos poderá se classificar. Neste caso, seria um título ao atual vice-campeão do Chuteira 5 – mas que não se encontrou na nova divisão.
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