As cinco principais divisões do Chuteira de Ouro tiveram suas largadas dadas no dia da “independência do Brasil”, e os resultados foram resumidos com a palavra da moda: equilíbrio. No Grupo A da Série Aço, por exemplo, apenas Catimba e Fúria Moleque venceram. Porém, o assunto a ser levantado após a estreia é o contingente de jogadores em algumas equipes. Um elenco recheado é fundamental para qualquer técnico, mas é preciso desmistificar, de uma vez por todas, uma máxima antiga que acompanha o futebol em todas as suas esferas: ter muitos jogadores nem sempre é uma boa dor de cabeça que todo treinador gostaria para si.
O maior exemplo vem da maior 'zebra' entre todas as divisões. A derrota da Academia Competition para o recém-promovido à Série Ouro Invictus assombrou os corredores. O que mais era perguntado: como? Algumas explicações são simples, como o tempo em que Leandro Dias comanda os invictenses – já são mais de cinco anos. Junta-se alguns jogadores de extrema qualidade, casos de Léo Chamma, o arqueiro Léo e Bruninho SS, e uma força mental digna de despertar sentimentos em todos os envolvidos. Tudo o que não se viu na Comp do último sábado.
'A dor de cabeça que qualquer treinador gostaria de ter' não poderá ser aplicada a André Sá, pelo menos neste momento. É uma verdadeira constelação de jogadores à disposição do técnico, mas é também uma certa arapuca neste início de temporada. Antes de tudo, é preciso ressaltar: a Competition estará no mata-mata e disputando o título, mas, agora, é preciso um certo olhar para que o melhor elenco da Liga Chuteira de Ouro não se torne o maior fiasco da história da Liga Chuteira de Ouro.
O time já tinha uma base fantástica. Assis, Volpato, Ricardinho, Andrey Coutinho e Negote, por exemplo, jogam juntos desde que a Comp passou a frequentar cada vez mais as páginas vitoriosas. Para sua primeira passagem pela Série Ouro, a diretoria trouxe Andreas e Serginho – o time se classificou ao mata-mata, mas parou nas oitavas de final ante o Condor's. A aposta para a 28ª edição dourada foi alta. Junto à base montada, e depois reforçada, soma-se jogadores que seriam titulares em qualquer equipe. O(a) leitor(a) poderá imaginar uma dessas contratações vestindo o manto do seu time: Henry, Lucaneta (MachuPichu), Markinellas (Guaxupé), Hulk (2 Tok´s) e Tuco (NQS) teriam vaga garantida sem a necessidade de testes. Na atual Comp, terão de fazer.

A principal dor de cabeça de André Sá será encaixar as estrelas dentro de sua filosofia de jogo. O problema é saber se essas estrelas terão paciência para serem apenas coadjuvantes diante do principal nome da equipe: a Academia Competition. Caso a individualidade seja a saída, é capaz de os planos da Comp de levantar a tão sonhada e desejada taça dourada irem por terra. Caso o indivíduo pense no coletivo, o título é bem plausível. Isso porque Sá terá de encontrar a formação ideal que lhe renda a possibilidade de justamente não ter dor de cabeça. Diante do Invictus, o que se viu foi uma dependência em Andreas, algo que deverá ser corrigido durante os próximos sete jogos que restam ao time na 1ª fase.
É muito jogador bom reunido. Houve quem dissesse se tratar do novo Clube Atlético Da Vila, o famoso CAV – que levantou a taça da divisão por quatro vezes entre 2013 e 2015. Não é por aí, ainda. O tetracampeão tinha uma outra filosofia de jogo e de pensamento. O que a Comp está fazendo é se cercar de gente que tem poder de decisão e que possa trazer o título, mas que já conhece o Chuteira de Ouro. Outro detalhe: o CAV chegou, na conquista do quarto título, a ter dois quadros entrosados. É justamente essa parte que Sá e Ricardinho, este um dos líderes do time, querem que seja colocada em prática o mais rápido possível. Só assim para sonharem com dois quadros de qualidade elevada e entrosados.
Diante de uma equipe que joga junto há muito tempo, no caso o Invictus, a Comp se deu mal. Não era a dor de cabeça que Sá queria. Bem diferente de Rodrigo Barath e sua nova ressurreição com o Basicus – na Série Aço. Dos 19 inscritos no elenco, nada menos que 16 jogadores estiveram presentes na estreia vitoriosa do time contra o atual vice-campeão do Chuteira 5, o Senta os Alunos. É a mesma quantidade de jogadores que André Sá teve à disposição na Comp. Porém, no caso de Barath, a qualidade técnica individual é limitada a poucos jogadores. O ‘Mr. Basicus’, então, teve de 'abusar' do psicológico com um plano infalível para quem conhece o pensador Dave Weinbaum: "se você não puder se destacar pelo talento, vença pelo esforço". Os jogadores assimilaram isso, já que eram muitos à disposição de Barath, mas todos respeitaram o principal nome, que é o próprio Basicus.
Quem também surgiu com número elevado de jogadores foi o StarFucks em sua luta para retornar à Ouro. Foram 15, entre eles as estreias de Thiaguinho, Guiga e o ex-Spartacus Tito. O problema agora será Gino (ou NX) – que deixa a meta de novo com Faragó para ser o coordenador técnico a dar ritmo a um elenco que já era muito bom, com Gucê, Rick, Bocão e Poeirinha, por exemplo. Os fuckers são amplos favoritos a fechar o grupo em primeiro e garantirem o desejo de retornar à elite. Gino não fugirá muito do escopo de 'é uma dor de cabeça que todo técnico gostaria de ter', mas já tem consciência que dores nunca são legais.
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