Na junção das quadras 6 e 10, a conversa com Gui Fenômeno – técnico do Primatas Master – e Bahia – atacante do Condor’s – era acalorada (no sentido sadio) em torno do nível alcançado na Série Ouro. Para o segundo, a divisão não perdia em nada para a segunda divisão do considerado principal campeonato (semi)profissional de society de São Paulo. Ao primeiro, era um exagero a assertiva. À parte, quem entrasse na discussão daria seu pitaco ou concordando com algum dos dois ou dando outras versões.
(o técnico finalista muleke Thiago Dacal, por exemplo, vê as equipes consideradas mais fortes da Ouro como muito competitivas mesmo na primeira divisão)
A gratificação por ver o Chuteira de Ouro, campeonato amador, sendo equiparado a competições profissionais é medida no consumo de notícias produzidas ao longo da semana. Quem joga o torneio sempre busca por alguma imagem ou frase escrita às quais pode tirar lição ou ‘aloprar’ algum amigo nas incontáveis resenhas dos jogadores – seja com sua equipe ou com amigos que jogam em outros times. Mais do que isso: tratando-se de Série Ouro, o nível de competitividade é alto e de qualidade, sim. Logo, Bahia tende a estar certo.
Isolando a conversa, é interessante se concentrar no que pode ser melhor daqui pra frente.
Caso não haja desistências, o próximo semestre contará com, além dos finalistas Catado e Mulekes e os respectivos derrotados nas semifinais – Condor’s e Nois Que Soma –, Torce Contra, TeJanto, Wake ‘n’ Bake, MachuPichu, Academia Competition, La Buça Romana, Arouca, Guaxupé, Abre o Olho e SPQSF. Equipes fortes e que sempre dificultam as ações adversárias. A questão aqui é ver quem está emergindo à divisão. No caso, dos quatro times que subiram de divisão, apenas um chegará sem o status de que deve ‘bater e voltar’ à Prata. Os outros três deverão chegar com olhares desconfiados e com a certeza de matar não um, mas dois leões por sábado.
Claro que futebol se ganha na quadra ou no campo (ou na areia também), mas as especulações dão também o tom. Ou alguém apostaria em Império Celeste e Invictus na Série Ouro? Talvez nem os próprios envolvidos botariam tanta fé antes de a Série Prata engrenar. O importante é como construíram seus acessos – e isso deve ser valorizado. Mesmo assim, ao exemplo de La Buça Romana e 2 Tok’s, deverão mais sofrer do que se divertir. Isso é perigoso. Cedo para tratar de segundo semestre, sim, até porque os invictenses têm uma decisão a encarar dia 29. Só que a fala de Bahia volta a fazer sentido neste contexto. Em breve recomeçarão as emoções, e as realidades desses dois emergentes serão colocadas à prova.
O Vikings também terá problemas na nova divisão. Mostrou isso ao sofrer contra o Divino nas quartas de final e no último sábado, quando foi ao intervalo da semifinal vencendo por 1 x 0, mas levou uma virada fulminante na etapa complementar para ser eliminado por 4 x 1. Justamente pelo único time que aparentemente não deverá ter tantos problemas para permanecer na Ouro: Baixada de Munique. A equipe santista, inclusive, poderá alcançar um feito que apenas o Nois Que Soma conseguiu: vencer todas as divisões em sequência. Já conquistou o Chuteira 5 e as Séries Aço e Bronze. A Prata pode vir em menos de duas semanas, e favorito é. Isso, porém, não é garantia que será campeão da Ouro quando debutar na divisão. Assim como não é certo mesmo seu título no dia 29 ante o Invictus. As dificuldades do mata-mata prateado escancararam situações às quais jogadores, torcedores e imprensa não podem mais ignorar – o fato de que é outra competição dentro do torneio. É justamente na fase eliminatória dourada que está o cerne da tese defendida por Bahia.
Os 14 gols nas duas semifinais mostram o quanto a Série Ouro é complicada. Desde que a divisão se tornou tão competitiva quanto campeonatos profissionais nunca se viu tantos tentos marcados. Mais do que isso: nunca se viu duas goleadas homéricas entre times tão nivelados. O Catado humilhou o Condor’s por 8 x 0, provocando reações espantadas a quem perguntava o placar. Já o atual campeão NQS sofreu sua maior derrota desde a data de sua criação, em 2014, ao ser goleado por 5 x 1 pelo Mulekes. Logo, o(a) leitor(a) se identifica com a tese de Bahia. A divisão dourada é mesmo de outro nível.
Bola no pé, taça na mão! – Três equipes fizeram a festa no último sábado. Pela Divisão Prata do Chuteira Girls, as categorias de Cintia, Má, Renatinha, além dos apoios de Simone Suh e Gi, foram fundamentais para que as comandadas de Daniella administrassem a vantagem obtida e vencessem o Imperial por 3 x 1 – faturando o título da categoria. Já na Divisão Ouro, Independente e Corinthians fizeram partida emocionante e terminaram na igualdade no tempo normal. Quis o destino que as estrelas Mari Loira e Camilinha perdessem suas cobranças de pênaltis, mas bonito mesmo fizeram a independente Ana Carolina e a corintiana Monique ao brilharem em suas respectivas metas – sobretudo na decisão por penalidades alternadas. Coube Thais converter a cobrança que deu o título ao Corinthians, com uma festa sem precedentes das jogadoras.
Já Zero 13 e Senta os Alunos protagonizaram uma decisão igualmente emocionante na preliminar. Morais abriu o placar mas Nadal logo empatou – tudo isso no fim da primeira etapa. Com o empate persistindo, Breno fez o gol na morte súbita que deu o caneco à trupe da Baixada Santista. Maestre pode ser um dos principais nomes do time, mas o Z13 deve, e muito, a diversos jogadores, entre eles o capitão Justo, Frajola, além dos autores dos tentos que deram ao time o título do Chuteira 5.
Encerradas as inscrições – Com as definições dos finalistas, também estão certos os últimos times a carimbarem seus acessos para respirarem novos ares no segundo semestre. Esta coluna, portanto, parabeniza o Invictus na Série Ouro, o Joga Fácil na Série Prata, e Plata o Plomo e Vendetta na Série Bronze. Que essas equipes possam manter os níveis das divisões elevados.
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