(hora de filosofar...) A primeira fase de quase todas as divisões é empolgante. Uma hora é luta para o acesso direto à série de cima, outra hora é disputa por classificação à fase final, noutro momento, a incessante fuga do rebaixamento. E por aí seguem os jogos que nos deixam satisfeitos ao término do sábado – independentemente do resultado, pois a semana seguinte será de recuperação mental ao próximo embate. Exceto a Série Ouro, cuja disputa se limita a quem se classificará ao mata-mata e a escapar da Prata, as nove jornadas nos fazem sonhar e até delirar. Só que a segunda fase também é especial – tem gol de ouro, tem shoot out, só jogo de vida ou morte!
São menos partidas, dando a impressão de um Playball vazio. No caso do último sábado, a estranheza sem os corredores cheios era por conta de uma decisão na Europa de um dos principais campeonatos de futebol de campo do mundo. A impressão de os corredores com menos pessoas é natural e real: com menos equipes, dificilmente o jogador do time eliminado irá acompanhar
in loco algum jogo, mesmo que este seja chamativo. Pensar em se deslocar para assistir ao clássico Arouca x MachuPichu seria um bom programa para o sábado à tarde ao invés de ficar gastando o cérebro sentado num sofá assistindo televisão.
Houve outras partidas movimentadas e de grandes emoções. Ser surpreendido com o massacre do Guaxupé contra o TeJanto ou a eliminação do Soberanos ante um valente Sem Domínio? Confirmar algumas apostas como a do Real Madruga eliminando o Absolutos, ver o 1000Gols quebrando apostadores ao perder para o Murajuba? Talvez vibrar com a emocionante classificação do Catimba ante o Schalkebrada, ou até mesmo esperar a gozação do Faroeste após este superar o Fúria nas cobranças de
shoot out? A segunda fase, ou fase decisiva, é diferenciada. Até a Série Ouro fica mais legal.
É uma sensação única ver os times se concentrando dentro e fora de quadra, um momento no qual um bom observador consegue enxergar além do visual: há equipes que já chegam derrotadas, mesmo com discursos confiantes; há elenco com excesso de fidúcia quando se concentra antes de entrar em quadra e o resultado acaba não sendo o imaginado; há jogadores que se superam e fazem acontecer o incomum. É um lance de áurea envolta ao corpo, uma energia latente aos olhos, mas perceptível à mente. Logo se pensa no ‘antes e depois’ da classificação heroica do Só Nois contra o então favorito GW Altino...
A noite de sábado vai chegando, já passou das 17h. A tarde vai escurecendo e os refletores vão acendendo. Muitos jogos ainda acontecem simultaneamente, mas, à medida que os trilares dos apitos encerram os duelos, vai morrendo o dia naquela determinada quadra. Só que ao lado ainda ocorre uma decisão, então os olhos se voltam a este
game. Era enorme a saudade de ver os refletores se apagando e a quadra 11, por exemplo, ainda estar no começo da prorrogação. Aí é só chegar pelo gramado da quadra 10 e ficar no alambrado lateral assistindo aos desarmes e rostos cheios de cansaço, mas de esperança, a cada tentativa de anotar o gol de ouro.
Neste último exemplo é que reside um dos maiores prazeres do Chuteira de Ouro. Já passam das 19h e o último classificado do dia será conhecido nas cobranças alternadas de
shoot out. Abre-se uma transmissão ao vivo na internet para que, quem não está no complexo, possa ter aquela comoção sentida em torno da arena. Terminam as cobranças e festa. Mais um sábado cumprido. A fase final pode ter menos jogos e menos pessoas, mas é tão cativante quanto as primeiras nove jornadas.
Final decidida – Na Divisão Prata do Chuteira Girls, o Awen confirmou seu favoritismo e goleou o Invictus, largando na frente no triangular final – que ainda conta com o Imperial. Na Divisão Ouro, os jogos de ida das semifinais já dão a certeza das finalistas do dia 15: Corinthians e Independente. Tudo porque abriram vantagens excelentes e dificilmente terão suas vidas incomodadas no próximo sábado.
As corintianas usaram a inteligência e seu conjunto entrosado para construírem o sólido 3 x 0 ante o Futsamba, que terá de fazer quatro de diferença no jogo de volta para sonhar com sua terceira decisão seguida. Camilinha, Cah e Sissi vêm se alternado e fazendo o time girar em quadra e não levar, até agora, nenhum gol em quatro jogos. Mérito ao sistema defensivo, este liderado por Monique, que fecha a meta do time com muita categoria. Às sambonas, além de se preocupar em não levar tentos e marcar muitos, soma-se a contusão da capitã Mito e as prováveis ausências de Fefe e Paula Japa, tornando o que era difícil, quase impossível.
Mesmo cenário se aplica ao Vila Mureta. Scaff, Gina, Liandra, Cal e cia. sabem que ficou complicada a ida à decisão após serem massacradas pelas independentes por 8 x 1. Oriundas do futsal, as mureteiras sofreram numa quadra maior mesmo já se adaptando ao society. Alheias, Mari Loira, Sabrininha, Pupo e as demais jogadoras do Independente fizeram sua parte, e só uma hecatombe nuclear poderá fazer as independnetes perderem essa vaga. O próximo sábado deverá ser apenas protocolar às duas partidas, porque de emoção mesmo, apenas Invictus x Imperial pela Divisão Prata.
Sábado duplamente especial – Quando inscrito em alguma série do Chuteira, da Ouro até o Chuteira 5, e ao mesmo tempo na Copa Estrelato, as emoções a um jogador vêm em dobro. Numa fase decisiva, então, elas se potencializam. Alguns saíram triunfantes, como Markinellas: primeiro, ajudou o Só Nois a avançar às quartas de final da Estrelato e, em seguida, foi marcar seu primeiro gol com a camisa do Guaxupé ao eliminar o TeJanto na Ouro. Joninhas foi também um contemplado com o Panela (Estrelato) e o Divino (Prata), ao lado de Andrey, Cavenco e Cabeça, duplamente parceiros de time.
Porém, dois personagens foram emblemáticos. Um deles, para a lamúria. Mota conseguiu uma eliminação dupla ao, primeiro, cair com o Arouca diante do MachuPichu na Ouro e, em seguida, ver o Pervas comemorar em cima do seu Tirinhas 4i20 na Estrelato. O outro personagem foi das críticas à redenção: Bahia prometeu que seria decisivo tanto ao Entre Amigos (Estrelato) quanto ao Condor’s (Ouro), e cumpriu, marcando o gol de ouro em ambas prorrogações. Este colunista deve um picolé duplo ao ‘monstro do fim de semana’.
Casa nova – Na maioria das divisões do masculino ocorreram as partidas de oitavas de final. Apenas o Chuteira 5 estava nas quartas de final e, quem avançasse, automaticamente se juntaria a Zero 13 e Senta os Alunos à Série Aço do próximo semestre. Portanto, esta coluna parabeniza Catimba e Hooligans pela conquista!
Comentários (0)