Ao caminhar pelo corredor do estacionamento até a junção das quadras 6 e 10, encontrei Chicão, goleiro do Acidus, e o mesmo me apontou dizendo que não queria falar comigo – que eu era vidente por ter acertado o placar de 4 x 4 durante o Planeta Chuteira da Aço do dia 27 de março. Outros jogadores acidianos estavam incrédulos não apenas com o péssimo resultado ante o O’Hara mas por eu ter ‘cravado’ o resultado. Ora, acertar o marcador foi puro chute – a maioria já percebe durante a transmissão. Só que o empate não precisaria de vidente para se escolher.
Tecnicamente, o Acidus é superior ao O’Hara. O problema é que, na questão psicológica, a vantagem se inverte – e o time alviverde é bem superior nesse quesito em relação à equipe verde-limão. Só isso para explicar uma vantagem de 3 x 0 aos acidianos ser destruída para 3 x 4, com a turma dos irmãos Gui e Gu tendo de buscar o empate para evitar um vexame histórico. A cabeça do Acidus não está boa faz alguns semestres.
Um dos expoentes da equipe (seu nome será preservado) disse uma frase que faz sentido: “O Acidus é um time com jogadores maduros, mas não é uma equipe experiente”. Logo veio à mente o Real Paulista Classic, que joga em alto nível na Série Prata e tem um elenco cuja média de idade passa dos 30 anos. O RPC seria a antítese do Acidus, já que tem maturidade suficiente para buscar um improvável e impensável empate ante o Baixada de Munique na primeira rodada – após estar perdendo, como o O’Hara, por três gols de diferença. O comparativo é para ver o quanto as aspas do expoente da equipe são poderosas.
O Acidus não é nenhuma
Brastemp (quem não entendeu a referência procure a propaganda dos anos 1980 no
Youtube), mas tem jogadores de qualidade – casos de Marcola, Vini, Pedrinho, Gu e outros, além dos recém-chegados Caza (ex-Basicus) e Johnny (ex-Ex-trelas). Somam-se a eles jogadores voluntariosos, que sempre estão nas partidas tentando ajudar Lói e cia. para mais uma jornada dentro do Chuteira de Ouro. Porém, faz tempo que não tem um padrão tático; um sistema ao qual os jogadores não precisem pensar muito para se adaptar quando entram em quadra.
O tal padrão foi tentado por Ligeiro e Samucka – os dois últimos técnicos a passar pelo Acidus. O primeiro retornou nesta temporada, mas longe de ser um Fábio Carille – que arrumou o Corinthians após ficar mais de seis meses fora do país, tempo suficiente para o time de Parque São Jorge flertar com o rebaixamento no Brasileirão 2018. Ligeiro encontrou um grupo ainda desentrosado – capaz de fazer um período de ouro (quando abriu três de vantagem) mas desaparecer durante o
match ao ponto de sofrer a virada. Sem contar as ausências. Marcola, por exemplo, apareceu mancando e não jogou. Uma equipe que já não conta com padrão tático ainda por cima ter problemas com jogadores faz o torcedor ficar desiludido.
Tanto quanto o capitão Lói após o empate. Desolado, parecia concordar, mesmo sem ter ouvido, com a máxima sobre a inexperiência do time. Não tinha forças para contra-argumentar e apenas ‘olhava’ (na verdade ouvia) o que os companheiros comentavam. Lói sempre foi e sempre será a referência do Acidus. É por suas mãos que o time pode ser 8 ou 80. No próximo sábado o time terá outro confronto direto (Voando Baixo), com a esperança de sair de uma mesmice à qual se enfiou há alguns semestres (em detrimento a outras agremiações históricas, como The Veras, É Verdadeee, Bacana etc.). Não precisa de vidente para prever que será uma decisão antecipada.
Aumentando a coleção – O Nois Que Soma goleou o Torce Contra por 4 x 1 e faturou o tricampeonato da Copa Alot dos Campeões. Foi a terceira edição do torneio, provando o que já não precisaria mais provar: o NQS é a maior equipe de futebol society da história do Chuteira de Ouro! Um time de amigos oriundo de uma cisão, e que destronou equipes como Bengalas, SNG, Mulekes e CAV do trono de ‘o melhor’. Vai ser difícil alguma hegemonia assim nos próximos 13 anos...
Faminto – Algumas equipes começam a tirar as mangas para fora neste começo de temporada. Quem tem se destacado mais, por enquanto, é o TeJanto. Pela segunda vez consecutiva na Ouro, o time de Monts outra vez inicia o certame em alta. No último sábado passou o trator em cima da Academia Competition e já mira o atual campeão Nois Que Soma na terceira rodada. Bruninho, Zé Blois, Rô, Grandão, Gui Faria, Biulas, entre outros, vão mostrando que não são um cometa a passar pela divisão e, a cada jogo, o time vai ganhando mais corpo...ou fome.
Tem, sim – Ao contrário do que se falava, há, sim, grupo da morte este semestre. Trata-se do Grupo A da Série Prata, ao qual StarFucks, Real Madruga e Baixada de Munique vão disputar a vaga direita na Ouro, com Olimpo e até Magnatas correndo por fora (este último precisará ter um pouco mais de equilíbrio emocional). No próximo sábado já tem um confronto direto de tirar o fôlego: Madruga x Baixada, para ver quem começa a ficar mais próximo do sonho dourado. Com certeza os fuckers estão de olho neste duelo – embora tenha que se preocupar mais com o Se7e de Perdizes.
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