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Alguma coisa está fora da ordem ou temos mesmo uma nova ordem a comandar a principal divisão da liga?

Das vinte equipes que compõem a Ouro, sete delas ou são novatas ou fazem sua segunda participação na nova divisão. Se fosse para alcunhar a situação, fatalmente a informação seria taxada de ‘nova ordem no Chuteira’. Em partes, está correto. Nomes tradicionais sumiram ou caíram de rendimento – ao ponto de não se sustentarem na principal série. Porém, é necessário pontuar outras questões para que esse fenômeno seja esclarecido.
 
Com quatro quedas e acessos a cada semestre no mínimo, a rotatividade na Ouro é forte. Contudo, sempre ficaram equipes que construíram ao longo dos anos suas reputações. Exemplos não faltam, como Primatas, os Arouca, Fora de Série, Roleta Russa Olímpico, entre outros. Existem também times que se sustentam na divisão, levando trabalho aos rivais mesmo que na bacia das almas – casos de Real Madruga e TáLigado, por exemplo. Há também os que ‘batem e voltam’, situação do Morada Choque nos últimos anos.
 
Porém, caso se encerrasse hoje a fase de classificação, todas as sete equipes ‘novatas’ estariam no mata-mata, ao passo que oito ‘veteranos’ estariam de férias antecipadas ou rebaixados. Trata-se de uma situação diferente e interessante. O que está acontecendo em relação a essas mudanças históricas?
 
Há de ser exaltadas gana e força de vontade dos novos times. As gerações se renovam, e junto a elas, os ânimos. Equipes que começaram no Chuteira 5 ou na Copa Estrelato alcançaram a principal divisão e hoje trazem sangue novo à série. Isso gera um efeito cascata, pois quem está abaixo busca estar em cima para justamente fazer do nível de competitividade o seu prazer semanal.
 
Abre o Olho, Wake ‘n’ Bake e Catado disputam sua segunda temporada dourada. Os olhudos escaparam do descenso na última edição da Ouro apenas na rodada final – ao bater e rebaixar o Condor’s. Já os times de João Gualtieri e Collor, na mesma edição, fizeram jogão nas quartas de final, com o Catado sendo superior e perdendo apenas nas semifinais para o Mulekes.
 
TeJanto, StarFucks, Torce Contra e Guaxupé debutam e mostram força para, no mínimo, permanecerem na nova divisão. No Grupo A, famintos e fuckers já venceram uma cada – com o TJ parando, na rodada de abertura, o atual campeão Peneira em empate alucinante. A outra chave tem em TC e Guaxu a mesma situação do SF: uma vitória e uma derrota cada.
 
O outro lado do enredo também merece análise. Hoje, TáLigado, Zenite, Primatas, Arouquinha, Fora de Série, Morada Choque, Real Madruga e Roletinha estariam eliminados ou com ‘passagem garantida’ à Prata.

 

Em sã consciência, poucos apostam na eliminação de um dos favoritos, o Fora de Série. Com um empate e uma derrota, a equipe liderada por Thiago Dacal está apenas na 7ª posição do Grupo B – classificado como o ‘da morte’. Ou seja, ganharia férias forçadas e ‘mais tempo’ para planejar a temporada 2019. Não é isso que um dos gigantes do Chuteira pode apresentar no semestre. Pensando em uma equipe que tem Juliano, Masson, Jhoni e agora também Deco, entre outros bons jogadores, além do comando técnico de um dos maiores nomes do futebol society na atualidade, a campanha aquém decepciona – o que ajuda na argumentação para o sucesso dos novatos.
 
Para piorar, quem normalmente briga na parte de cima da tabela está, hoje, na zona do rebaixamento. São os casos de Arouca Jrs., Primatas e Roleta Olímpico. Equipes de tradição que sempre buscaram o caneco, mas que encaram situações complexas. Mesmo assim, vivem realidades distintas (mesmo na parte vermelha da tabela). O Arouquinha sofre com um elenco renovado e a falta de entrosamento; a macacada, com as discussões internas e talvez uma mania de perseguição inexistente. Ambos deverão crescer nas próximas rodadas e passar a frequentar a parte verde da tábua de classificação.
 
O caso do Roletinha aparenta ser mais grave. Sem mundo com a saída de seu maior expoente – Kuminha – (após 10 anos, saiu e foi para o Mulekes), Vadão parece mais exausto a cada partida. Além da ressaca de anos batendo na trave, mas sem chegar à decisão dourada, com a mesma passagem do tempo, corpo e mente vão envelhecendo. O tal ‘mais do mesmo’ se torna super cansativo, e isso talvez ajude a explicar o porquê de o Roleta Russa Olímpico ser vazado 13 vezes em apenas duas partidas. Aliam-se a isso a saída de mais de um time e a chegada de peças novas às vésperas da competição, completam esse cenário de queda brusca de rendimento. Ou talvez contribui na elucidação do motivo de os novatos estarem a mil por hora.
 
Prata reloaded – O tempo não passa apenas na Ouro. Na divisão prateada, duas equipes longevas lideram, surpreendentemente, as duas chaves. Aqui a renovação também ocorre, mas não como na principal divisão do Chuteira – há equipes que sobem e demoram para voltar. A surpresa em ver Real Paulista Classic e The Veras nas pontas é grande.
 
No Grupo A, dificilmente alguém discordaria que seria uma chave para Condor’s e 2 Tok’s disputarem ponto a ponto o acesso dourado. Ainda poderá acontecer, mas mais pra frente. É que o RPC não quis saber dos prognósticos e venceu ambos por 4 x 3 nas duas primeiras rodadas. Os passos dados podem ser considerados um feito, já que mexerá, fatalmente, na classificação final. Equipes ainda enfrentarão os dois favoritos e dificilmente arrancarão ponto deles. Ou seja, no mínimo o Real Paulista estará no mata-mata se continuar nessa toada.
 
Na esteira, o The Veras começa sua jornada de forma positiva. Descansará na próxima rodada com 100% de aproveitamento – colocando pressão nos demais adversários, alguns deles apontados como mais capacitados a vencer o grupo. O gabarito apresentado pelos verenses nos últimos semestres permite ao seu torcedor sonhar com o acesso direto nesta temporada. Se irá conseguir, só apenas em novembro para confirmar. Porém, nas duas vitórias obtidas, a certeza que o time pode ir além das desconfianças alheias.
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