Acompanhar as classificações de Leleks e Sem Domínio às semifinais da Aço foi um exercício para lá de positivo. Isso se deve aos momentos que os times tiveram ao longo do certame. Momentos que poderiam receber a velha máxima ‘mudou da água para o vinho’ como alcunha, já que se tratam de duas equipes praticamente distintas nas duas fases do torneio. Essa diferença se deu no coletivo, com os conjuntos unidos em prol de seus objetivos.
Para o(a) leitor(a) se situar, tratam-se de times que estiveram à beira da eliminação na primeira fase. O Leleks começou mal o torneio, mas, na segunda metade da fase de classificação, passou a somar pontos para, na última rodada, surrupiar (na meritocracia) a vaga do co-irmão Ousadura. Paralelamente, o Sem Domínio começou bem, caiu de produção após ser derrotado pelo Baixada de Munique, e só passou de fase no confronto direto da última rodada contra o Toiss.
Poucas pessoas, em sã consciência, apostariam nos dois contra aqueles que terminaram na segunda colocação de suas chaves. Parceradas e Basicus chegavam ao duelo de quartas de final com ligeiro favoritismo, embora os times fossem equilibrados. Só que os futuros algozes lançaram mão de algo fundamental numa partida eliminatória: o coração. Qualquer dividida era dura, embora leal; cada passe era dado sem afobação; todo ataque era com ambição e objetividade. Nem parecia que Leleks e Sem Domínio haviam passado de fase na bacia das almas. Já o contrário era nítido.
Tanto Parceradas quanto Basicus não demonstraram nem 40% do que são capazes. Algo aconteceu para entrarem em quadra sonolentos, desconcentrados, até tímidos. Uma das respostas certamente será a longa pausa entre o término da primeira fase e as quartas de final. Foram três semanas sem atividade no Chuteira, enquanto seus eliminadores entraram em quadra nas oitavas de final. Porém, a principal explicação para os triunfos dos times de Renan e Costela foi justamente a mudança de postura. Muito aconteceu nos dias que antecedeu os jogos, provavelmente.

Em rápida conversa com Chuqui, o perigoso atacante do Leleks creditou à união dos jogadores o sucesso atual. “Conversamos e chegamos à conclusão que as brigas internas atrapalhavam o time”, comentou o jogador em meio ao sorriso de quem acabara de eliminar um forte concorrente. A união citada gerou um sistema infalível ante o Parceradas: explorar os erros da forte equipe de Matheusinho e aniquilar o favoritismo rival nos contra-ataques. O clássico 3 x 0 foi produto de uma eficiência digna de equipes que jogam a Série Ouro.
No caso do Sem Domínio, bastou o time apertar um pouco a marcação sobre o Basicus para abrir o placar e construir o sólido 4 x 1. Se passou aperto, foi bem pouco. Com Jão na zaga, Costela e Barba infernizando nas alas, Cocada marcando gol atrás de gol, além da segurança de Mão na meta – isso sem contar Pedrão, Alan, Falcon, entre outros –, a equipe alcançou seu segundo acesso seguido e está cada vez mais na briga pelo título.
Nas semifinais, os times terão de derrubar outras pedreiras. Dessa vez, equipes que não enfrentaram na primeira fase. Coincidentemente ou não, os primeiros colocados nas chaves. Ou seja, se Vikings e Baixada de Munique classificaram automaticamente seus futuros adversários à Bronze ao avançarem de fase, a chance de uma retribuição indigesta é grande – afinal, Leleks e Sem Domínio aprenderam que decisão não se joga, se ganha (outra nova/velha máxima da juventude). Enquanto isso, a dúvida que fica é o que fez Leleks e Sem Domínio mudarem do dia para noite, ou vice-versa, afinal.
O grande dia – Duas franquias que voltaram à Liga Chuteira de Ouro em 2018 estão em polvorosa. Tanto Futsamba quanto Bacana estarão em dupla decisão no próximo sábado. Nada mal para quem retornou recentemente e tinha apenas como pretensões se readaptarem aos estilos das divisões.
No Chuteira 5, o jogo que abriu o torneio é o que fechará a edição. Justamente Futsamba e Bacana farão a finalíssima na novíssima quadra de neve, apenas corroborando com o favoritismo inicial atribuído por este colunista. Tratam-se de duas equipes experientes e com habilidades coletivas distintas. Enquanto o Sambão é pura intensidade com seus rápidos jogadores, o Bacanão é experiente e com um plantel respeitado. Difícil até apontar quem levantará sua primeira taça dentro do Chuteira.
A outra decisão que o Bacana disputará é no Chuteira Master. Após derrubar o favoritismo do SNG 3.0 e o AFC, o time do agora atacante Marcelão tem tarefa indigesta: passar pelo outro favorito, Primatas Master. Porém, se depender da animação de Fê Loko e outros do time, é bom Dri Ferreira e cia. jogarem além dos 100%.
Já a segunda decisão do Futsamba será no Chuteira Girls. Diante do Olímpia, o técnico Gabs e a capitã Mito sabem que terão de jogar mais do que apresentaram nas duas últimas partidas, mas estão confiantes para levantar o caneco. Para isso, conta com a segurança de Fernanda na zaga e os gols de Fefe, artilheira do torneio. Será um dia inesquecível a Bacana e Futsamba, com duas finais cada, enquanto muito time nem em uma chega.
Mostrando sua cara – Não à toa o Grupo A da Prata foi classificado como sendo o “grupo da morte”: os quatro primeiros colocados farão as semifinais, como se a primeira fase só tivesse ocorrido apenas com essa chave. Em outro Grupo A, porém da Bronze, o cenário foi o mesmo: os quatro que chegaram na frente decidirão o título.
Festa, mesmo sem a taça (ainda) – Esta coluna parabeniza os acessos de Sem Domínio, Leleks e Divininho para as respectivas divisões acima das que jogam atualmente. Que no segundo semestre vocês possam manter o bom nível apresentado até agora em 2018.
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