Na 11ª edição da Série Ouro, disputada no primeiro semestre de 2011, Med Taubaté e Real Paulista fizeram a decisão mais inusitada da história do Chuteira. Os então improváveis finalistas derrubaram equipes como SNG, Fiorella, Arouca, Bacana, entre outros, que eram apontados como superiores, chegando à finalíssima e calando imprensa e torcedores de times adversários sempre dispostos a desmerecer o rival para favorecer seu coração. Sete anos depois, a possibilidade de novas zebras é real, embora muitos possam (e certamente irão) discordar da alternativa.
Em sã consciência, apostar em derrotas de Mulekes e Nois Que Soma logo nas quartas de final é quase como ter acreditado em um 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil antes que a semifinal da Copa de 2014 tivesse acontecido. Lógico que 99% dos apostadores cravarão as duas melhores equipes de toda Liga nas semifinais, mas talvez seja a hora daquela sacudida nos alicerces da competição. Como o Leicester fez no Inglesão, temporada 2015/16. Ou como o campeão da edição 11 da Ouro, Real Paulista.
Se a hora pode ser agora, por que não apostar em MachuPichu e Peneira? É certo que a maioria dos jogadores espalhados pelos corredores do Playball acham todos os times nivelados, com exceção dos dois primeiros colocados do Grupo A dourado. Sendo assim, já cravam o atual tetracampeão da divisão repetindo a decisão do segundo semestre de 2016 contra a mulekada. Porém, seus adversários não são totalmente descartáveis.
Pela segunda vez na história, o Peneira de Negueba e Chide encara o NQS de Luiz Minici e Beletti. No único encontro até então, há três semanas, o próprio Minici (duas vezes), Murilo e Tuco fizeram o placar de 4 x 3, em partida que apenas servia para cumprir tabela. Logo, não dá para medir tanto o equilíbrio entre os times. Porém, há equilíbrio, sim. Tratam-se de duas ‘equipes de boleiros’, cuja malandragem é aliada à técnica e força física. Logo, dificilmente alguém sairá goleado pelo outro do duelo. Logo, é possível imaginar a queda do maior time da história do Chuteira de Ouro.

Já os peruanos do MachuPichu estão, talvez, em seu melhor momento dentro da Série Ouro – a qual joga há anos. Com uma base que atua junta há semestres, esta com Seckler, Caio Lima, Tebas, entre outros, mais a presença de outros jogadores habilidosos, como Luis Blanco e Muka, o time é chamado de ‘primo pobre’ do, justamente, seu rival. É porque junto ao Mulekes formam um grupo de amigos digno de inveja. Além de se conhecerem, sabem o que cada um faz. Então, não se trata de uma equipe paraquedista.
Lógico que a possibilidade de um não-favorito avançar de fase será logo descartada pela maioria. Assim como dificilmente alguém apostará no Real Paulista Classic diante do Guaxupé e no Ras Time ante o Torce Contra na Prata – ou eventualmente no Futeloucos contra o Baixada de Munique na Aço. Todavia, seria um bem às divisões umas zebras, sobretudo na Ouro – que nesta década teve poucos times levantando o tão desejado caneco (só o NQS faturou quatro!)
Frustração, mas com ressalvas – O Independente eliminado do Chuteira Girls com 100% de aproveitamento fez uma chuva de críticas caírem sobre o regulamento. Em primeira instância, sim, é para se lamentar uma fórmula que não privilegiou quem venceu todos os seus jogos. Porém, com a cabeça mais fria, é bom não apenas responsabilizar o formato.
Não que o regulamento deva ser poupado de críticas, mas a responsabilidade pela eliminação das independentes – com quatro vitórias em seus compromissos – também deve ser dividida com outros fatores. Uma delas foi o azar de, na mesma chave do Independente, caírem aqueles que são apontados como times a levantar a taça: Futsamba e Roleta Russa Dasmina. As três equipes venceram seus compromissos, terminando a fase de classificação com 12 pontos cada.
Com isso, o saldo de gols passou a ser importante. Então, existiriam outros culpados nesta questão: IBGE e o próprio Independente. O Futsamba goleou o time de Marian na 1ª rodada e já fez bom saldo (5); já o Roleta Dasmina nem em quadra precisou entrar no
w.o. pela crise dos caminhoneiros há duas semanas dado pelas ibgeenses (mais 3 gols de saldo às roletenses); as independentes vacilaram na 2ª rodada e fizeram apenas um placar de 3 x 1 contra a lanterna da chave B, quando poderiam ter vencido por 8 ou 9 de diferença sem exageros.
Ninguém esperava também uma fragilidade dos times do outro grupo. Os três primeiros colocados terminaram com 3 pontos e com saldos negativados. Uma aberração numa primeira instância, porém, muitos dos confrontos acabaram decididos nos detalhes mínimos. Na rodada final, por exemplo, o Roleta quase ia se complicando diante do Olímpia – que sofreu o tento da derrota aos 17 minutos da etapa final, marcado por Mary (ainda por cima em falha da zaga). Imperial e Pauline também estiveram pertos de passarem da pontuação ao qual terminaram a primeira fase.
Claro que justificativas não diminuirão as frustrações de Mah, Sabrininha, Tina, Lili, Táli, Ana Carolina, Karina, Thami, do técnico André de Sá... No entendimento geral não apenas do Independente, mas da maioria dos torcedores, a culpa é do regulamento. Porém, entraria em questão também o fator ‘se’, pois se não fosse o Independente a se frustrar seria o Futsamba ou o Roleta Russa Dasmina, se as independentes fossem mais caprichosas em seu segundo jogo (contra o IBGE), se as arbitragens não tivessem supostamente invertido faltas, se a goleira fulana não tivesse inspirada... Porém, que é decepcionante, é mesmo, Independente.
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