É de Victor Varoli, técnico do Rabisco, a melhor definição para a rodada de abertura chuteirense. “Como é bom o primeiro dia de aula”. Foram 3 meses a separar as decisões do segundo semestre de 2017 (que coroou, entre outros, o Nois Que Soma, maior time da história da liga) do dia 24 de março de 2018. Uma espera angustiante, e não apenas aos jogadores, técnicos e managers: a imprensa estava com saudade do circo de todo sábado, junto com as coberturas no andamento dos dias seguintes.
A máxima “primeiro dia de aula” foi perfeita. A ansiedade em rever amigos, rever árbitros (sim, leitor(a), são pessoas que estão trabalhando e ganhando seus sustentos e merecem respeito), rever a bola rolando na competição que atrai olhares de muitas praças espalhadas por aí. A espera pelas escolhas de MVPs e MVGs, ver o nome descrito em uma matéria, ser citado no Planeta Chuteira, aparecer no Instagram etc. Todo circo tem sua lona e suas expectativas.
Também é gostoso aos repórteres ver as jogadas, os passes, as construções de gols, as rivalidades que movem qualquer competição sadia. Particularmente, é um prazer ver muitos rostos conhecidos ainda nos corredores. Gente das “antigas”, como as turmas de Bacana e Futsamba – que retornaram ao Chuteira nesta temporada. Pessoas como Mauricio, o M1, que há anos defende a meta do Arouca e já passou da casa dos 40 e muitos anos. Elencos como o do The Veras, que ainda arranca olhos esbugalhados de pessoas que vão, mas voltam, e perguntam, incrédulas, “eles ainda estão aqui?”.
Satisfação também por ver a molecada se divertindo e se integrando, como a galera dos mais novos membros da Série Ouro, Catado e Wake ‘n’ Bake, e os prateados do StarFucks. Uma festa bonita para encher os olhos de quem está nos bastidores ou de passagem pelos corredores.
Sensacional, também, é ver as transferências. A imprensa brinca com a alcunha ‘camiseiro’ e isso faz da competição mais divertida. As surpresas em ver determinado jogador, este atrelado a uma equipe, vestindo outro manto são grandes e engraçadas. Ver Guel na lista de mais um time, Gui Faria jogando pela enésima agremiação, os irmãos Motta não vestindo mais a camisa do Fúria, Bocão trocando o mais novo campeão da Copa Apertura, quando foi MVP, pelo StarFucks... Como disse o próprio atacante, “é o mercado da bola, pai”.

Têm coisas que não mudam. Como a eterna transferência de responsabilidade para a arbitragem, quando o próprio umbigo está coçando, mas é ‘esquecido’ (a famosa indignação seletiva). Ou o conflito de ser torcedor de estádio de futebol e jogador do Chuteira ao mesmo tempo (amigo, ou você é um ou é outro). Ou até mesmo os entreveros que acabam gerando tentativa de invasão de quadra (alô, donos de times e jogadores que convidam amigos a verem seu jogo: contenham os compadres, pois invasão de quadra perde pontos, e justamente). Chuteira de Ouro é diversão.
A competição começou nas 5 divisões e, agora, a corrida é por classificação ao mata-mata, ou primeira colocação com acesso, ou meta para escapar da degola. O que tem de ficar claro: o ambiente só é saudável quando se está disposto a ficar em paz e não na guerra. Como alcunhou Varoli, o primeiro dia de aula é muito legal, e o restante do semestre também. Começou o Chuteira de Ouro, amigas e amigos!
Goleadas assustadoras – Dois resultados foram surpreendentes no que tange a placar. Que Guaxupé e 2 Tok’s eram favoritos em seus jogos ninguém duvidava, agora, ambos vencerem com dois dígitos no marcador é que está o busílis. O primeiro, na Prata, marcou 11 x 2 no sempre forte TorceContra. Está certo que a equipe foi prejudicada por conta dos atrasos das quadras, mas não se justifica em nada um placar desses para efeito de explicação. O #TC está se reformulando e deve reagir nas próximas rodadas, mas é bom sempre olhar para esta partida para não repetir o desastre.
Já os 13 x 2 do bronzeado 2T deixa o Camaro mais atolado ainda. O time entra no seu terceiro semestre seguido sem conquistar uma única vitória, à espera de um comandante (Reina, no caso) que possa fazer do Cafas uma equipe competitiva novamente. Não será fácil a tarefa de quem lidera o time: reerguer um grupo que está se acostumando a apanhar. Vontade não falta ao Camaro, mas também não é possível dizer que há organização. Pelo menos aos olhos dos 9 gols de diferença que sofreu.
O vilão shoot out – O desespero em cometer a 6ª falta está cada vez mais se minguando. Incrível como jogadores perdem cobranças de shoot out! Só no jogo em que o Toiss venceu o O’Hara, na Aço, foi um festival de batidas desperdiçadas. No caso, do OH. Foram 6 oportunidades para o time alviverde durante o embate. Acertou, indizivelmente, apenas uma cobrança! Um número ridículo de aproveitamento, que culminou na derrota da equipe. E não é apenas o OH, não: cada vez mais os batedores estão perdendo tentativas. Seja pela péssima pontaria, seja pela infeliz escolha de ou chutar ou driblar, seja pelos goleiros (cada vez mais preparados). Tem gente preferindo banir essa regra da 6ª falta.
Mais ansiedade – Após a primeira rodada, fica a expectativa pelas estreias, na segunda jornada, de Maraca (Chuteira 5), Basicus e QSF (Aço), Academia Competition e Lokomotiv (Bronze), e Absolutos e TeJanto (Prata). Vêm para abrilhantar uma competição que já começou quente.
Os primeiros campeões de 2018 – Esta coluna parabeniza o Broders, campeão da Divisão Prata da Copa Apertura, o TeJanto, vencedor da Divisão Ouro do mesmo torneio, o Fora de Série, campeão da Red & Blue (torneio de meio de semana, preparatório à Copa Calcio), e o Nois Que Soma, bicampeão da Copa Alot dos Campeões. Sobre este último, não resta mais dúvidas: é o melhor time da história do Chuteira de Ouro (por enquanto, até ser superado pelo próximo, quem sabe).
Pausa? De novo? – Não bastasse ficar tanto tempo longe do Chuteira, agora a competição para novamente às comemorações católicas da Páscoa. Assim, o que era para embalar, acabará esfriando um pouco. Porém, no dia 7 de abril, todas as atenções e energias estarão de volta, e para não mais parar até o início do mata-mata! Bom feriado prolongado a todos.
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