Uma das atrações entre as divisões é quando são anunciados os MVPs dos jogos. Algumas decisões são polêmicas; muitas, justas. É uma faca de dois gumes escolher os três principais destaques do embate – é parecida com a faca de dois gumes que a arbitragem sofre toda rodada, quando oscila entre o bom e o médio. Sempre há mais de três destaques quando o jogo (ou time) é bom. É um tormento quando a partida é fraca e sem emoção.
Ultimamente tenho feito cobertura de jogos por questão médica. Voltar a escrever sobre uma partida me remete a 2010, quando comecei a jornada chuteirense cobrindo – quase sempre – a Prata (Bronze era apenas um sonho, as outras divisões nem passavam pela cabeça), e é um barato, pois, além de assistir ao bom e velho futebol, o repórter é o olhar daquele que não olhou o jogo. Mais além: a lembrança do próprio jogador que esqueceu que fez tal jogada. Duro é escolher os MVPs. O repórter está ali, entretido com as táticas, movimentações – cada vez mais constantes –, trocas de ‘gentilezas’, enfim, um universo dentro de 50 minutos. Só que aí vem a luzinha e lembra ao narrador: tem de escolher os três melhores.
Afastado das reportagens de quadra há anos, mas retornando agora, havia esquecido que na fase final começa outra disputa de MVPs. Então, nos 5 jogos na G11, como não lembrava que não precisava mais destacar três, fiz o ritmo natural de primeira fase e tomei aquele cuidado em separar bem os melhores. Acabou dando ‘tilt’ na escolha dos destaques de Lokomotiv 4 x 1 Rabisco. Os dois primeiros foram tranquilos, já que Zezé e Juninho jogaram demais e foram as locomotivas da equipe durante a eliminatória. O problema estava em definir o terceiro: Neto ou Felipe Moura.
Amiga e amigo, não deixei de dormir por conta da escolha, mas que ela foi complexa, foi. Neto, jogador das antigas, atacante/pivô habilidoso e que dá trabalho aos zagueiros: dois gols no jogo e excelente presença de área. Felipe Moura, atacante rápido, finalizador, sempre em constante movimentação: deu assistências a gols e escancarou a defesa rabisqueira sempre que esteve em quadra. Eis o dilema na escolha: privilegiar o homem dos dois tentos, ou o homem das assistências/movimentação? Como não contará como pontuação, deixarei oculta minha decisão aqui ao(à) leitor(a) (quem quiser saber, vá até a matéria que está indicado). Só posso dizer que cada repórter tem sua visão.
Muitos colocariam Neto entre os MVPs dessa partida por conta das metades dos gols do Lokomotiv no embate. Outros elegeriam Felipe Moura, por entender que o jogador foi fundamental ao cair pelos lados do ataque. Quem assistiu ao bom jogo tirou suas conclusões e deu seus veredictos. É subjetivo. A única questão levantada, numa espécie de ‘advogado do capiroto’, seria: é mais fácil marcar gol no society em relação ao campo? Dificilmente alguém negará. Então se explica muitas vezes o autor de 2 ou 3 gols no jogo entrar nos MVPs, mesmo o zagueiro fazendo uma partida ímpar e não ser mencionado: o ranço do futebol de campo.

Se jogador traz para a quadra sua porção torcedor (por isso acaba achando que sempre a culpa pela derrota é da arbitragem e não dele ou da equipe dele), o repórter também faz o mesmo às vezes e acaba deixando um verdadeiro destaque escanteado. Não é sempre, mas acontece. Repórter também erra, assim como o jogador que tem a bola na cara do goleiro mas chuta para fora; o jogador que tem
shoot out decisivo mas fica no arqueiro; jogador que para no lance para ficar reclamando do árbitro... Criticar as escolhas dos melhores sempre fará parte do espetáculo, e exagerar na reclamação sobre determinada escolha também.
Recentemente cobri dois jogos do Roleta Olímpico na Ouro. Como minha visão é global, não apenas enxergando quem marcou o tento, as escolhas acabam quebrando a banca na tábua de MVPs. Kuminha que o diga. No massacre sobre o Zenite, marcou três vezes e ajudou o time a vencer por 8 x 0. Não entrou nem entre os três melhores. Óbvio que a orelha deste repórter ardeu quando o anúncio saiu. O técnico Vadão ficou inconformado; Kuminha nem deve querer olhar na minha cara (acho que não é verdade). Só que numa partida insossa como Roletinha x Zenite, um olhar geral se faz mais importante. Só que isso é subjetivo, pois meu colega de profissão pode simplesmente pensar o contrário. E assim vamos seguindo, com decisões certas, outras polêmicas. Ainda bem que não é como no filme
A Escolha de Sofia.
Para parar o favorito – O Arouca, mais uma vez, está em uma quarta de final da Ouro. Sem dúvida é um gigante do Chuteira. Como já escrevi anteriormente, a camisa arouquense entorta varal. Coala, Arthur Fon, Dhani Cerra, Pelezinho, entre outros, vêm mantendo a tradição amarela e azul na divisão. Galizé e suas bravatas estão lá também, e a liderança de Barata tem sido fundamental. Só que o homem do Aroucão no momento é Raphinha.
O ex-Raça incorporou a lendária camisa e joga, atualmente, o fino da bola. Marca, passa e ataca com qualidade e faz o jogo do Arouca render. É talvez a principal arma do time para tentar melar o tetra do Nois Que Soma. A tarefa será complicada, pois o atual tricampeão costuma vir babando na fase final. Mesmo assim, a esperança de segurar o NQS – como fez uma vez em fase de grupo recentemente, empatando em 5 x 5 – move a equipe para este sábado. Único problema é encaixar seu jogo ante o favorito, algo que muitos dizem ser o problema da equipe num mata-mata. Simplesmente não vai.
Primo rico, primo pobre – Dois times rivais estiveram na mesma divisão e no mesmo grupo. Quando se enfrentaram, o antes primo pobre venceu, invertendo o papel com seu primo rico. Em um passado não tão distante, o Acidus era o primo rico, que possuía bons jogadores e equipes fortes de serem batidas. O Roletão ficava às margens. Hoje, a diferença técnica é grande. O Acidus vem se reestruturando desde 2016; o Roleta está pronto desde 2016. Não à toa a equipe de Ceron, Leite, Caio, Leite, Thales etc. avançou às quartas de final para encarar o Maciota’s; o time de Negão, Lói, Chicão, Özil, entre outros, preferiu o caminho mais complexo e foi eliminado pelo Guaxupé. Na nova ordem chuteirense, há um novo primo rico...e um novo primo pobre.
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