Equipe azul e amarela marca três vez seguidas no primeiro tempo e se fecha na defesa para garantir o seu primeiro título na Ouro

TEXTO Luiz V. Andreassa
FOTOS Andressa Babu
Era o duelo entre dois gigantes ainda não unanimemente reconhecidos como tal. Arouca e Rabeloska disputavam a grande final da Ouro de olho no troféu e também na simbologia do título para sancionar de vez a imagem de times grandes no Chuteira – já que o primeiro, apesar da tradição, nunca foi campeão da Ouro e o outro estava apenas em sua primeira disputa do campeonato.

Arouca, campeão invicto do XIII Chuteira de Ouro
Se em questão de reconhecimento as equipes ainda precisavam provar algo, quando o assunto é qualidade todos sabiam que ambos elencos não deixavam a desejar – muito pelo contrário. A quantidade dos reservas também era importante, já que o duelo fora marcado para ocorrer na quadra 14, a maior do PlayBall. Neste quesito, o Rabeloska saía na frente teoricamente por estar acostumado a disputas em campos de futebol, tendo até vencido um campeonato entre universidades disputado no Morumbi em uma noite chuvosa.

Rabeloska, vice-campeão do XIII Chuteira de Ouro
Todavia, além de um embate em uma quadra maior, era também o jogo da inteligência. A equipe que melhor se adaptasse às condições levaria grande vantagem. O Rabeloska começou tocando a bola e tentando impor o seu ritmo, porém sem poder de criação. O Arouca, por sua vez, deixava o adversário brincar sozinho enquanto ocupava todos os espaços do campo. Eram três jogadores na defesa e três marcando na intermediária, de modo que o rival só pudesse trabalhar a bola com tranquilidade em sua própria defesa. Deste modo, a primeira finalização que trouxe algum perigo apareceu apenas aos 5 minutos, quando Juva cobrou falta do meio da rua e mandou a redonda pouco acima do travessão defendido por Maurício. A resposta foi mais insinuante: Renanzinho arrancou pela esquerda em contra ataque e cruzou na área, onde Markinhos chegou atrasado e perdeu a chance de finalizar.
O lance determinante para a partida apareceu pouco depois, quando novamente Renanzinho resolveu quebrar o ritmo estudado e arriscou-se no ataque. O camisa 21 novamente arrancou pela lateral, desta vez a direita, e teve espaço para avançar e ficar frente a frente com Tássio, fazendo uso de um toque tranquilo e preciso para vencer o guarda-metas e abrir o placar.
Apesar de o técnico arouquense Galizé ter conseguido a proeza de ser expulso logo após seu time marcar o gol por causa de reclamações com a arbitragem, quem sentiu mesmo o golpe foi o Rabeloska, que já não conseguia mais passar a bola de pé em pé como antes e passava a sentir dificuldades na saída de jogo. A próxima jogada foi sintomática e evidenciou os problemas alvirrubros. A defesa não conseguiu afastar a pelota de sua área e Marquinhos Bohn aproveitou para ficar com ela na intermediária. Para completar, o meia ainda teve total liberdade para ajeitar, armar o chute e mandar no canto esquerdo de Tássio, o qual caiu atrasado e não conseguiu pegar a (defensável) finalização.

Thiaguinho saiu machucado e teve de ser carregado. Mesmo assim, nada estragou a comemoração
Sem a mesma eficácia, o mesmo sangue frio e o mesmo goleiro salvador de outrora, o atônito Rabeloska tornou-se uma presa fácil. Em bola que sairia para a lateral, Maradona quis evitar dar de graça ao adversário e salvou em cima de linha de cabeça. A bola subiu e desceu no meio de campo, onde encontrou a cabeça de Dih, que tocou para a frente e encontrou Orley livre. O atacante, que há pouco entrara no lugar de Markinhos, dominou na área e finalizou com o peito do pé esquerdo para estufar as redes e levar os torcedores/jogadores do Arouca Jrs. à loucura. 3 x 0 implacáveis em 15 minutos de jogo!
O nervosismo tomava conta dos rivais, que passaram a entrar de modo mais duro nas disputas de bola – exemplo disso foi Juva, o qual levou um cartão amarelo ao fazer falta e, pouco depois de voltar ao jogo, teve de sair carregado por ter se machucado sozinho.

Jogo foi duro, mas leal. Arouca fez o placar e se fechou
Apesar de todas as dificuldades, o time mackenzista conseguiu criar uma grande chance de descontar antes do fim do primeiro tempo. Norton passou para Ibrahim, o qual devolveu com um lindo passe de letra para o companheiro, atrapalhado pela marcação, bater para fora de dentro da área. Após o descanso, a equipe voltou querendo marcar logo o seu gol para entrar de novo na disputa – e Perfetti quase o fez ao receber cruzamento da esquerda, dominar no peito e girar a bicicleta, só que a finalização saiu fraca, e Kino, que entrara no lugar de Maurício, não teve dificuldades para defender. Na sequência, Norton aproveitou uma bola invertida pelo lado direito e emendou um chute perigoso que desviou em Dick Vigarista antes de sair perto da trave esquerda.

Precisando correr atrás do prejuízo, até Tássio saiu de sua meta e tentou na frente – em falta e em linda jogada de contra-ataque que tocou de letra e quase saiu o gol
A exemplo do que fez no primeiro tempo, o Arouca soube avaliar bem a situação e se adaptar de maneira eficiente a ela. A defesa se comportava bem, ajudada pela disposição de Renanzinho, Thiaguinho e Mota na marcação e comandada pela grande atuação de França no miolo de zaga. Na frente, Orley ou Markinhos conseguiam ameaçar a meta rival mesmo quando estavam sem companheiros ao lado – já que também não havia marcadores. Exemplo disso foi o lance no qual Kino lançou a bola para o camisa 9 sair de frente para Tássio e parar na boa saída do guarda-metas. Eram só os dois. A zaga? Sumiu. Do outro lado, Maradona tentou responder com um arremate de longa distância e fez a bola passar rente à trave esquerda.

Tática do técnico Galizé deu certo: Rabeloska de Chininha não teve espaço para trabalhar a bola e chegar com qualidade ao ataque
O panorama era cada vez mais aterrador para o Rabeloska – e não só porque os minutos passavam rapidamente. Os jogadores começaram a se irritar com a provocação de rivais na torcida e, dentro da quadra, o rival parecia mais perto de ampliar a sua vantagem do que de sofrer o revés. Mais uma vez, um atacante amarelo e azul teve grandes chances de decidir a parada. E desta vez foi Orley. Primeiro, ele recebeu belo passe de Marquinhos, dominou no bico direito da área e tentou driblar Tássio, mas novamente o arqueiro foi eficiente para evitar o pior. Em outro momento, Orley tentou aproveitar lançamento de trás mas errou a bola na hora de cabecear, ficando no chão a se lamentar, e muito.

Equipe tricolor com grande torcida do lado de fora para empurrar o time dentro de quadra
Para piorar a situação rubra, Ibrahim ainda perdeu uma chance inacreditável de fazer o gol de honra, já aos 25 minutos: quase literalmente debaixo da trave, ele completou passe de Dick Vigarista e conseguiu fazer o mais difícil ao torto para fora. Mas nem mesmo o gol iria arranhar a atuação quase perfeita do Arouca. Para alguns, pode ter sido o exemplo do tão citado “buraco mais embaixo” da Ouro, na qual os novatos têm dificuldades para superar os mais experientes, mesmo que os últimos tenham menos qualidade técnica – o que não foi o caso na final, entre duas grandes equipes. Para outros, pode ter sido uma tarde inspirada do time de Galizé e infeliz do rival. Para os jornalistas e comentarista de plantão, foi a vitória da tática e da inteligência de uma esquadra homogênea e coesa.

O sabor da vitória: Arouca, do capitão Vitão, é campeão do Chuteira
Para aqueles que gostam de comparações, foi o inverso da final da última Copa do Mundo – o time mais experiente que nunca havia sido campeão (Holanda) batendo o novato em decisões (Espanha). Para o Arouca, é a consagração da tradição, do nome de um time agora gigante no Chuteira que, apesar de não precisar provar mais nada, entra com todo o merecimento no seleto hall de campeões da Ouro. E que pinta o campeonato de azul e amarelo até agosto, quando a corrida pela Ouro recomeçará, desta vez com um novo favorito: o inteligente, frio, experiente e histórico Arouca de Maurício, Vitão, Marquinhos, Renan e cia.

Arouca: 3 anos e meio de Chuteira para o primeiro título
FICHA TÉCNICA
23/06/2012 – quadra 14
Arouca 3 x 0 Rabeloska
Gols: Renazinho (10’), Marquinhos Bohn (11’) e Orley (16’) do primeiro tempo
Cartão amarelo: Vitão (A) e Norton, Juva e Estagiário (R)
Cartão vermelho: Galizé (técnico Arouca)

Goleiro Maurício, que se recuperou durante a competição, era um dos mais felizes
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