Depois de sair atrás do marcador, Zenite conseguiu se impor em campo e virar o placar, porém o camisa 20 chamou a responsabilidade e foi às redes por duas vezes para fazer o vira-vira e confirmar o favoritismo de sua equipe

TEXTO Heron Ledon
FOTOS Weinny Eirado
Caso existisse um grande torneio de apostas no Chuteira, certamente a bolada seria dividida por muitos. Dono de um favoritismo tamanho, o Mercenários soube muito bem trabalhar a questão para ser decisivo no momento certo. No entanto, o time do Zenite, pouco escolhido no “jogo das apostas”, queria pregar uma peça e quase surpreendeu a todos. Valentes e com um bom futebol, os jogadores tiveram paciência para lidar com o resultado parcial negativo e o reverteram. Mas eis que a estrela de Lodetti brilhou. Sem tanto destaque durante a partida, o meia do Mercenários foi arrasador na etapa final ao recolocar a equipe no jogo com um belo gol e depois à frente no placar com um chute cruzado. “Campeão invicto” estampava a camiseta comemorativa dos atletas após a partida. Festa para o Mercenários!

Mercenários entrou em quadra sob fumaça e muita concentração de seus jogadores

Torcida do Zenite não se intimidou com chuva, fez barulho e não deixou de incentivar o time durante 50 minutos
Que, por sinal, foi quem começou se impondo na partida. Ao partir para o ataque desde o início, não tardou muito para os caveiras obrigarem o arqueiro rival, Léo Ballestero, a fazer uma ótima defesa em um desvio em cobrança de escanteio. Bem que Negão tentou responder após receber passe de Dutra e bater com perigo da intermediária por cima do gol, mas as principais chances estavam do outro lado. Lodetti também quase balançou as redes ao cabecear sobre o travessão no segundo pau, em arremesso lateral.

Mercenários começou com tudo, pressionando Zenite e levando perigo a Léo Ballestero
Nem mesmo o cartão amarelo ao defensor Henrique, em falta sobre Fê Rampazo, fez com que a equipe azul oferecesse grandes perigos à meta de Allyson. Pelo contrário, o Mercenários soube se postar bem para bloquear os avanços oponentes e ainda teve boa chance com Marcelo Toretta, que dominou um ótimo lançamento na esquerda, limpou para o meio e arriscou o chute, no entanto Léo estava atento e encaixou bem a gorducha. Então, o talento individual do camisa 10 falou mais alto. Guto, arrasador, cirúrgico e decisivo, roubou a bola de seu companheiro de maestria, Negão, no meio-campo, viu Léo Ballestero adiantado e... Sim, isso mesmo! Bateu de cobertura! O goleiro ainda pulou, mas a pelota ainda foi ao seu canto esquerdo e não teve jeito. Muito provavelmente, o gol mais bonito da tarde de finais, para dar tranquilidade ao Mercenários.

Guto fez o primeiro gol da final, e que golaço: bomba do meio de campo que encobriu Ballestero
O que também é de se reconhecer é a postura dos dois times em campo, pois, em momento nenhum, a retranca foi usada como estratégia. A partida era bem aberta, já que eles não tinham medo de chegar à área adversária. Assim, ambos criavam boas chances de gol ao avançarem, principalmente, pelas esquerdas de seus ataques. Além disso, as defesas também se fechavam muito bem, conseguindo desarmar a linha de frente rival. Para completar o espetáculo, a torcida do Zenite não parou um minuto sequer de empurrar o time com cantos puxados pelo ritmo das caixas e das cornetas e estonteados por um megafone. Desse modo, Fê Rampazo fez a última jogada perigosa do primeiro tempo após tabelar com Dutra em velocidade pela esquerda, invadir o espaço de Allyson e bater para fora.

Jogo foi de sacríficio, entrega, dedicação, marcação
A orientação do técnico Clóvis, do time de azul, era para os atletas ficarem mais próximos nas jogadas para fazer as tabelas, pois eles estavam muito abertos e longes uns dos outros. No entanto, quem primeiro mostrou serviço foi Dezinho, que deu uma bonita bicicleta na entrada da área, porém muito por cima do gol. Então, Rodrigo Santana, assim como Guto – que, por opção tática, pouco jogou após abrir o placar –, também quis fazer gol bonito de longa distância. Ele pegou a bola próximo à linha que divide o campo, ajeitou e mandou um chutaço em altura baixa no canto direito de Allyson! Era o empate no início da etapa final que o Zenite precisava para se reerguer no duelo.

No segundo tempo, os ventos sopraram ao contrário: Rodrigo Santana, de longe, empatou e vibrou muito, enquanto que...

Bob Fenômeno, raspando bola na área de cabeça, virou o jogo para o Zenite
Todavia, o Mercenários não se acuou e fez Léo voltar a trabalhar no arremate cruzado de Lodetti e no de Iago, desviado em Negão, pela direita. Mas também o adversário não se mostrou satisfeito com a igualdade no marcador e queria mais, queria superar as expectativas de todos e levantar o caneco. Assim, Rampazo puxou o contra golpe, passou para Rodrigo, que virou o jogo para Bob Fenômeno, porém ele foi travado pelo arqueiro no momento da batida. Se pelo chão não deu certo, a maneira encontrada por Bob foi pelo alto. Lançamento da defesa e Negão desviou de cabeça da intermediária. O camisa 9, então, também fez o desvio da entrada da área para trás, e a redonda continuou alta no ar, só que se estufou nas redes, emplacando a virada!

Tensão, vibração e muita marcação não faltaram à final
Eis que o cartão amarelo de Thalão viera a ser crucial para a equipe e fundamental aos caveiras. Na primeira oportunidade, Iago cobrou o corner para Diego, que subiu sozinho no primeiro poste e perdeu o gol ao testar por cima. Entretanto, no minuto seguinte, aos 15, Lodetti desencantou. Seus defensores tentaram o chuveirinho de trás e a gorducha foi desviada em Negão, até cair para Lodetti sozinho dentro da área. Com reflexo, talvez, o camisa 20 deu uma meia chaleira, de costas para o gol, e a bola foi ao canto esquerdo de Allyson. Era um festival de gols bonitos. Era o empate – para incendiar o jogo.

O herói é aquele que surge para decidir. Lodetti (camisa 20) foi esse homem ao Mercenários, com 2 gols
O Zenite fez imediatamente o pedido de tempo, mas pouco adiantou. A equipe pareceu ter sentido o tento, que veio para esfriar a empolgação do sonho do título, tão próximo de ser realizado até então. Juntamente a isso, também vinha o gosto da revanche, já que o Mercenários havia triunfado na fase de grupos por 3 a 2. Negão bem que tentou o gol ao limpar pelo meio e chutar por cima, mas Toretta queria repetir o placar da vitória na quinta rodada e também fez um chute perigoso. Mas quem conseguiu o feito foi mesmo Lodetti. Ele recebeu fora da área a cobrança de escanteio de Marcelo, dominou e bateu rasteiro ao gol. A bola passou pela marcação e morreu no canto direito de Ballestero. Foi a coroação do invicto Mercenários, que segurou a pressão final do oponente para, enfim, soltar o grito da garganta!

Após a virada, muito nervosismo no banco do Mercenários até o apito final para liberar o grito de “É campeão!”
Nem por isso, a torcida azul deixou de festejar e reconheceu a luta dos atletas. O treinador Clóvis, também ciente da atuação da equipe, tentou explicar a derrota: “Acho que não faltou nada. O time não se encontrou na quadra grande, o que é normal, e perdemos para um grande adversário”. Enquanto Léo Ballestero ganhou de Allyson a disputa individual pelo MVG da Prata, Lodetti confessou em meio a risadas que, no gol de empate, sua intenção era desviar para algum companheiro, mas que acabou dando certo de outra maneira.

Festa, sorrisos, choro, emoção: a comemoração mercenária foi completa

Já Guto, convicto de seu gol, comentou sobre a campanha do Mercenários. “Nós temos muita garra e comprometimento. Aqui não tem individualismo. E a gente vai forte para a próxima divisão, pois nós temos o nível da Ouro”. E boas-vindas aos dois times na elite do Chuteira!

Guga recebeu e levantou a taça de vice-campeão: mesmo com a derrota, coroamento de um semestre vitorioso e dourado

”Campeão invicto”, “Eu já sabia”: camisa comemorativa foi vestida por todos para celebrar a conquista inédita
Ficha técnica da final do VIII Chuteira de Prata:
15 de dezembro de 2012 – quadra 14
Mercenários 3 x 2 Zenite
Gols: Lodetti (2) e Guto (M); Rodrigo Santana e Bob Fenômeno (Z)
Cartão amarelo: Henrique e Fê (M); Guga e Thalão (Z)
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