Equipe do capitão Gian e do “técnico” Leandrinho mostra maturidade e bom futebol no segundo tempo para se sagrar campeão. Bacana, irreconhecível, esteve muito aquém do futebol mostrado durante todo o campeonato

TEXTO Luiz V. Andreassa
FOTOS Weinny Eirado
Era o grande e tão esperado dia. O dia da final mais promissora dos últimos tempos. O clima era de expectativa: as torcidas, os repórteres, os organizadores, demais jogadores, todos esperando um jogaço de bola e cheio de gols. Pena que esqueceram de avisar os jogadores das duas equipes finalistas... pois é, a final da Ouro, protagonizada por Mulekes e Bacana, dois times de futebol ofensivo e de fino trato com a bola, decepcionou quem esperava pelo espetáculo do futebol arte, pelo menos no primeiro tempo. Mesmo assim, não deixou de ser grandiosa e merecida a vitória da esquadra branca, que finalmente soube ser eficiente quando mais precisou. O Bacana, com enorme torcida, mais uma vez decepcionou.

Mulekes: campeão do XII Chuteira de Ouro
Depois de uma final eletrizante e imprevisível entre CAV e Rabeloska na Prata, onde a rivalidade fez a quadra pegar fogo e toda dividida ser disputada como se a última fosse, os dois finalistas da Ouro iniciaram a peleja de maneira mais moderada, com menos adrenalina. As duas equipes se estudavam bastante, procuravam trocar passes e encontrar espaços, contudo a preocupação maior era com a defesa: Bruno César arrepiava na zaga dourada enquanto, do outro lado, Rafinha – quando enfim chegou, já com quase 10 minutos de jogo – também não dava mole. Com isso, a primeira finalização mais perigosa só veio aos 6 minutos, com Vitinho, do Mulekes, bateu de fora da área, mandando a bola perto da trave esquerda.

Bacana: vice-campeão do XII Chuteira de Ouro
A resposta só veio quando Demehur encontrou Kiwi em boas condições pelo lado direito e este finalizou para defesa de Diego. Mesmo assim, o Bacana sentia dificuldades para impor seu ritmo ofensivo não só pela dificuldade da partida. O problema ia além da quadra: o pivô Yanes estava se casando bem no na hora do jogo e, obviamente, não pode comparecer, deixando seu time carente de uma referência no ataque. Com isso, Rômulo passou a fazer a função, o que o impedia de fazer as jogadas chegando de trás junto com Demehur. Mesmo com o camisa 11 se esforçando para fazer o papel do companheiro ausente – como na jogada em que ajeitou a bola para Bruno chegar finalizando com perigo para fora –, o Bacana perdeu muito do seu poder ofensivo.
Aproveitando este fato, o Mulekes passou a crescer com o passar do tempo. No melhor momento da equipe na primeira etapa, Vitinho – um dos melhores em quadra – passou para Leco dividir com Bruno na área de modo que a bola foi em direção ao gol e obrigou Guido a mandar por cima do travessão. Na cobrança do escanteio, Leco desviou a pelota para acerta o pé da trave. Em outra oportunidade, Armando chutou rasteiro de fora da área, obrigando o arqueiro a trabalhar novamente. Já no final da primeira etapa, foi a vez de Vitinho, em cobrança de falta, mandar no ângulo e ser impedido por nova intervenção precisa. Guido ia salvando o Bacana na etapa inicial com grandes defesas.

MVG do campeonato, Guido salvou o Bacana em diversos momentos. Num time apático em campo, ele foi dos poucos que se salvaram
O intervalo foi iniciado com o apito do árbitro, dando fim a um primeiro tempo sem grandes emoções, bastante abaixo do esperado e sob uma garoa chato que vinha e ia embora persistentemente. Contudo, na metade seguinte da partida, um time se destacaria com um futebol que realmente vale o título de campeão. Apesar de o Bacana ter atacado primeiro, com chute de Kiwi que passou perto da trave direita, foi o Mulekes quem voltou com espírito de vencedor. Prova maior disso: aos 7 minutos veio a melhor jogada de todo o embate, um primor de inteligência e entrosamento protagonizado pelos jogadores de branco. Ela começou com Gian passando para Armando na direita, o qual, por sua vez, cruzou para a área. A bola foi para Caio Ferin dominar e rolar para Rafinha, livre ao lado da trave, balançar as redes. O Mulekes saía na frente.

O zagueiro artilheiro Rafinha teve estrela e, mesmo chegando atrasado para o jogo, marcou o primeiro gol do time, abrindo caminho para o título
Logo na saída de bola, o Bacana tentou surpreender com um chute no ângulo. Todavia, Diego voou para agarrar a bola de forma brilhante, mostrando como seria difícil fazer a bola passar por ele. Em seguida, foi a vez de Bruno trocar passes com Demehur em cobrança de escanteio e finalizar quase sem ângulo, sendo impedido por nova defesa. Estas duas foram praticamente as únicas chances que a esquadra vinho teve em todo o segundo tempo. Sem criatividade, o badalado time treinado por Marcelão mostrava pouca inspiração e, apesar da vontade, via o adversário crescer e dominar as ações. Crescimento este diretamente relacionado com a melhora de Gian em quadra, que se no início errava passes e quase entregou um gol de bandeja ao adversário, passou a ser mais participativo nas principais jogadas ofensivas.

Goleiro Diego foi mero espectador no jogo, fazendo só duas defesas em 50 minutos
As melhores chances eram mesmo do Mulekes: Rafinha, Leco, Robinho e Gian davam trabalho para a defesa rival e obrigavam Guido a fazer defesas difíceis, como uma em que ele usou o pé para evitar um chute perigoso de Gian. Em bom lance, Caio Ferin recebeu cruzamento de Barata, saiu da marcação e bateu cruzado, tentativa novamente evitada pelo guarda-metas.
Do outro lado da quadra, o Bacana seguia tentando, mais na organização do que na técnica. As oportunidades de gol rareavam, o desespero batia, o desânimo era visível no banco de reserva e os passes não saíam afinados como de costume. À medida que o tempo passava, mais se concretizava o novo vice-campeonato da equipe.

Nervoso e errando no início, quando Gian começou a jogar bola o Mulekes passou a dominar o jogo
Pior para o Bacana foram os minutos finais, quando a vontade de empatar resultou em espaços para o adversário decidir o jogo. Foi assim, em contra-ataque bem armado, que Leco e Barata tabelaram enquanto avançavam pelo campo ofensivo vazio. O gol só não saiu porque Barata, por muito pouco, não conseguiu alcançar o cruzamento do companheiro. Tragédia anunciada: no próximo lance, não haveria centímetros que evitassem o tento. Em novo contra-golpe, Gian saiu na cara do goleiro Guido e, com muito estilo, driblou-o e empurrou a redonda para dentro. Golaço com assinatura de craque. 2 x 0 para o Mulekes. O título era branco e preto.

Melhor em campo, Gian foi coroado com um golaço no fim, sepultando qualquer dúvida de que o time sairia campeão de campo

Foi só esperar o apito final do árbitro e correr para o abraço. Timidamente, os jogadores moleques lavaram a alma – literal e figurativamente – com o título tão sonhado e a chuva que começou a irromper nos momentos finais. Sem torcedores, sem mesmo seu técnico, que, suspenso, não compareceu, o Mulekes recebeu a traça das mãos de Douglas Almasi debaixo de um silêncio um tanto constrangedor.

Com chuvisco e sem torcida, o Mulekes recebeu a taça debaixo de um silêncio incômodo, só quebrado pelos gritos dos próprios jogadores
O título de campeão do XII Chuteira de Ouro coroa a trajetória de um time que soube ser mais time na hora da decisão. De um grupo que superou desfalques e outros problemas mais para, na hora da decisão, reencontrar seu melhor futebol. Um futebol que tem um grupo afinado com talentos como Leco, Caio Ferin, Gian e Diego, entre outros. Mesmo sem o brilho que se esperava – final é final, há nervosismo e até medo de se lançar demais ao ataque –, o certo é que o Mulekes leva finalmente, e merecidamente, o seu primeiro troféu de campeão da elite do Chuteira. Sempre apontado como um dos favoritos, acabou, enfim, a pecha de time que morre na praia. O Mulekes está em terra, firme, forte e campeão.
Ficha técnica:
XII Chuteira de Ouro – Final
10 de dezembro de 2011
Mulekes 2 x 0 Bacana
MVPs:
1 – Gian (Mulekes)
2 – Vitinho Laruccia (Mulekes)
3 – Bruno Gomes (Bacana)
Gols:
Rafinha e Gian (Mulekes)
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