“Time do capeta” faz valer a palavra eficiência e fatura o caneco do IV Chuteira de Prata

Vitória dos Reds sela ano de ouro da equipe que em menos de um ano soma 2 títulos e já configura na elite do Chuteira
TEXTO Vinicius Bento
FOTOS Weinny Eirado
Dizem que o goleiro é o jogador mais solitário no campo. Enquanto todos comemoram o gol lá na frente, sozinho, o arqueiro se mantém embaixo das traves. Criança sentiu isso na pele. Enquanto todo o time do Arouca Jrs., muito organizado e disciplinado, aquecia na quadra ao lado, o goleiro estava sozinho, andando e girando os braços, aguardando seu time chegar para a grande final. “Nosso time é assim, Bento. É em cima da hora, no sufoco, mas é emoção até o último minuto”, contava.
Até aqui tinha sido emoção até o último minuto. Salvo alguns jogos, a vida do Red Devils não foi fácil no torneio que findaria após uma hora daquela conversa com Criança. Apesar de ser o time mais temido, perdeu alguns jogos na primeira fase, o que deu a vaga direta na Série Ouro ao Bufalos. Ao Red só restava chegar à final, e o time conseguiu.


Coube ao goleiro Criança mais uma vez levantar a taça de campeão: segunda conquista no ano faz do Red um dos melhores times do Chuteira em 2010
Se até a final as coisas não tinham sido fáceis para o Red Devils, para o Arouca Jrs. muito menos. Quarto colocado na fase de grupos, o time do técnico Vitão mostrou seu verdadeiro futebol no mata-mata. Muito ofensivo, perigoso e constante, a filial do time da Série Ouro derrubou o poderoso Bufalos e chegou à final derrotando o surpreendente Roleta Russa Olímpico.

Estreante Arouca Jrs. e o famoso bandeirão do clube: surpresa com o time chegando na final em seu primeiro Chuteira
A final da Série Prata começou atrasada devido à prorrogação e cobranças de pênalti da final da Bronze. Na verdade, serviu para aumentar a tensão e a expectativa. Era torcer para que a cautela e a precaução não entrassem em campo quando a bola rolasse.
Depois do pontapé inicial, pelo Red, Jadson Negão mostrava-se um tanto nervoso. Primeiro o grandalhão furou na recepção de passe e depois mostrou-se um pouco desconcentrado. Em partidas como essa não se pode ter um segundo de distração. Para piorar, o melhor jogador do Red Devils sentiu a pancada. Neguinho caiu no chão e demorou para levantar. Para sorte dos torcedores de vermelho, ele logo estava de pé. Era teatro do craque.
Depois de 5 minutos para os times se assentarem em campo, saiu o primeiro gol. Paulinho dominou ela no ar na na entrada da aérea com a perna esquerda e, com toda categoria do mundo (e talvez um pouco mais), enfiou o pé direito nela. Ela morreu dentro do gol. Uma pintura de gol e placar aberto na final da Prata. 1 x 0.
Minutos depois, o impecável Jadson Negão errou feio. Em dividida violenta com Markinho, o camisa 5 do Red Devils foi isolar a bola e... quase quebrou a perna do adversário. Markinho ficou no chão e preocupou os dois lados. Quando tirou a caneleira, revelou um corte na perna. De maneira incompreensível o juiz não deu nem cartão amarelo. Além de ter revoltado toda a torcida do Arouca, ainda saiu de graça.

Caneleira de sangue: algumas jogadas mais ríspidas, como a de Negão em Markinho, rendeu um corte e sangue na caneleira do meia do Arouca Jrs.
O Arouca, apesar de um tanto sem forças para chegar ao ataque, não estava no jogo para brincadeira. Nelsinho, o Cabañas do Chuteira, estava afiado. O meia pegou a bola e saiu driblando todo mundo. Depois de cortar mais de três adversários, ele foi parado com falta. Na cobrança, jogada ensaiada e a bola bateu na trave. No rebote, novamente Nelsinho obrigou Criança a dar um lindo golpe de vista. A redondinha explodiu na trave.
Se Negão não recebeu o cartão amarelo, Neguinho sim. O meia errou a bola e carimbou o adversário. O lance não foi tão perigoso quanto o lance de Negão, mas foi um carrinho fora do tempo que acertou o adversário. Dessa vez o árbitro sacou o cartão do bolso. Era hora de segurar o jogo antes que pudesse complicar.
Depois dos dois minutos Neguinho voltou e não era sombra daquele jogador decisivo de outros jogos. Afinal, ele não estava acertando o pé. Depois de receber lindo passe de Carlão, o camisa 10 acertou a rede pelo lado de fora. No lance seguinte ele teve outra chance clara de gol, mas desperdiçou. Alexandre Pedretti caprichou no passe, porém Neguinho chutou por cima. Não era tarde do autor de um golaço nas semifinais diante do Cachorro Velho.
Se por um lado Neguinho acertava a rede pelo lado de fora, Banana repetia o feito do outro lado. Depois de tabela com Markinho (apesar do corte na perna ele estava em campo), Banana caprichou de longa distância e arrancou um grito de sua torcida. Quase.
A bola insistia em não entrar no gol de Criança. Depois de pegar rebote de chute de Nelsinho, Deh enfiou o pé na bola. Tirou tinta da trave esquerda. Depois disso não deu tempo para mais nada e o árbitro encerrou a primeira etapa. Era hora de se arrumar. Se o Red Devils não tomava, também não fazia. Gui, goleiro do Arouca Jrs., não tinha sofrido muito na primeira etapa. Já o time de branco precisava arrumar um jeito de colocar a bola para dentro. Não estava fácil, então seria preciso inovar.

Darx, um dos destaques da final, comemora bebendo na taça de campeão
A segunda etapa começou tensa. O jogo estava travado no meio de campo e era preciso algo para sair do usual. Foi então que o Red Devils tomou uma atitude. Depois de Darx fazer belo trabalho de pivô, Alexandre Pedretti acertou um balaço de longe no cantinho. 2 x 0.
A situação era preocupante. Vitão pediu tempo e tentou organizar a casa lá na frente. O Arouca Jrs. precisava repetir o feito do Diabos Negros no jogo anterior, sair de um 2 x 0 e ainda ser campeão. Tarefa difícil. Voltando do tempo técnico, a mira do time de branco começou a falhar. Criança começou a só ter de olhar as bolas que iam contra sua meta. Um lance justificava essa afirmativa. Banana pegou de frente para o gol e na hora do arremate... mandou longe. Porém, quando a vaca parecia estar deitando saiu o gol mais bonito da tarde. Breno resolveu arriscar do meio de campo e acertou o cantinho de Criança. A bola foi com tamanha violência contra a meta adversária que rasgou a rede.

O Arouca bem que tentou no segundo tempo, mas a defesa do Red estava intransponível e apenas um chute de longe entrou
Se cabe uma expressão clássica aqui, essa expressão seria fio de esperança. Era tudo que o expressinho tricolor do Chuteira precisava para continuar sonhando com o titulo. O zagueiro Breno estava inspirado. Nos últimos minutos de jogo ele parecia ter achado a chave para decidir a partida. Arriscou mais uma vez de longe e fez Vitão dar um grito de quase.

Coube a R. Barath entregar a taça de campeão a Criança, capitão do Red
No último lance da peleja, Cainho desperdiçou a bola do jogo. Depois de finalização, a bola bateu na defesa e sobrou limpa para ele. “Agora eu se consagro”, diria o saudoso Milton Leite. Quando finalizou, jogou para fora. Metade da arquibancada estava incrédula com o lance.
Não demorou muito e os árbitros apitaram pela última vez nesse semestre na Série Prata. Vitória mais do que comemorada e justa para o Red Devils, que, entre gritos de “time do capeta”, fez a festa dentro de campo e depois num churrasco. E o goleiro Criança, aquele mesmo solitário do começo desta matéria, agora estava envolto entre beijos da namorada, abraços dos companheiros e a taça de campeão do IV Chuteira de Prata nas mãos.

Após a conquista, o prometido churrasco de comemoração
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