Equipe saiu perdendo por dois gols, reagiu e empatou. Nos pênaltis, brilhou a estrela do goleiro Marco, que garantiu o título ante o Maciota’s

Campeões, jogadores comemoram fazendo o chifre do diabo: após estar perdendo por 2 x 0, empataram e levaram nos pênaltis
TEXTO Douglas Almasi Santos
Sob uma garoa que caía em São Paulo, o Diabos Negros sagrou-se campeão do I Chuteira de Bronze ao derrotar o Maciota’s. O time saiu perdendo por dois gols, mas reagiu, empatou e levou a decisão à prorrogação. Com o novo empate no tempo extra, a grande final foi decidida nos tiros livres da marca do pênalti. Daí surgiu a estrela do goleiro Marco, que defendeu uma cobrança e contou com a ajuda da trave para levar o caneco ao Diabos.

Antes da partida, capitães e árbitros posam para uma foto: quarteto já faz parte da história da Série Bronze
Antes do embate, o Diabos Negros encontrava-se em outra quadra do complexo PlayBall para realizar seu aquecimento. A garoa era intermitente, porém, os jogadores estavam animados e ansiosos pela grande decisão. “Vai ser um jogo bem disputado. Deverá ser travado por conta da chuva. São dois times fortes. Ao Diabos é fechar o meio de quadra e evitar os escorregões. Vai ser uma boa final, e estamos com muita vontade”, declarou o camisa 2 do Diabos, Roberto Miluzzi, durante o aquecimento.
O adversário do Diabos já se encontrava no palco da grande decisão. O Maciota’s se aquecia e, ao mesmo tempo, ouvia a preleção do técnico Roberto, que orientava seus jogadores a um melhor posicionamento em quadra. A figura do treinador dava a confiança necessária ao time, que mostrava segurança para o grande embate. “Vai ser um jogo difícil. Mas espero a vitória e o título”, relatou Alex, camisa 9 do Maciota’s.
O público era bom para a decisão. A maioria dos torcedores era do Maciota’s, composta pelas mulheres e namoradas dos atletas, muitas crianças também. Os adoradores do Maciota’s, inclusive, levaram bexigas personalizadas com o escudo do time. A chuva incomodava, mas não era suficiente para detonar o ânimo da torcida, que cantava e gritava muito. Com os times distribuídos em quadra, os árbitros deram início à decisão histórica da Série Bronze.

Melhor jogador da final, MVP do torneio e artilheiro, Jerry lutou mas não impediu a derrota na loteria dos pênaltis
Já era nítida a disposição das equipes. Tanto Maciota’s quanto Diabos disputavam a bola com muita vontade. O primeiro ataque foi da melhor equipe da primeira fase: Jerry recebeu o passe e acionou Felipe Pereira na esquerda. Este fintou seu marcador e chutou, mas Marco espalmou à linha lateral. De novo Maciota’s: a zaga adversária cochilou, Felipe Pereira – agora na direita – chutou e Marco fez uma defesa segura. E o time buscava o gol inaugural: Kaio recebeu o passe na direita e encheu o pé, mas a bola foi por cima.
O Maciota’s começou melhor, aproveitando-se bem do tamanho da quadra e da apatia do Diabos, que mal conseguia trocar passes, prejudicado pelo campo molhado, estava perdido no posicionamento. Assim, a turma do Maciota´s mandava no jogo mas esbarrava em seus próprios erros, como os chutões para a frente que nada rendiam. Mesmo assim, a pressão inicial surtiu efeito: Bola tocada a Felipe Pereira na entrada da área, ele girou o corpo e chutou cruzado no canto direito de Marco, estreando o placar da decisão. Muita comemoração e festa entre a animada torcida do Maciota’s.
Até o presente momento, apenas o Maciota’s jogava. Trocava passes com certa tranquilidade e deixava sem reação a perdida defesa do Diabos. Falta cobrada na direita para Léo Pinholi, seu chute saiu mascado, mas apareceu o pé de Dé que desviou para fora com muito perigo. Depois de tanta pressão, finalmente o Diabos encaixou um bom ataque. Gui Vutto recebeu pelo meio, investiu e encheu o pé. Fê fez boa defesa de Fê e colocou para a lateral. O time se animou: Marcel surgiu livre e soltou a bomba, mas ela foi por cima, com muito perigo.

Destaque no jogo, Marco foi também o herói nos pênaltis ao defender a primeira cobrança do Maciota´s
O Diabos conseguiu equilibrar, mas o Maciota’s ainda era superior. Kaio recebeu na direita, foi levando e chutou forte, Marco se esticou todo para defender a bola no ângulo esquerdo. De novo Marco salvando: Evandro recebeu na direita e experimentou no canto esquerdo, mas o guarda-metas do Diabos foi buscar e colocou a escanteio. Em compensação, o goleiro do Maciota’s estava inseguro: Roberto Miluzzi arriscou o chute da intermediária, Fê, que não usa luvas, defendeu mas, com a bola escorregadia, não conseguiu segurá-la, ela estava entrando quando o arqueiro se recuperou e deu um tapa a escanteio. Seria um frango histórico, mas que o goleirão evitou.
Com o campo pesado e molhado, os chutes de longa ou curta distância eram a tônica do jogo. Alex, pelo Maciota’s, ganhou na raça e chutou cruzado, mas a bola saiu tirando tinta da trave. O Diabos, antes do intervalo, depois de vários chutes tortos e praticamente sem direção, assustou por duas vezes com Dijavan: primeiro, não chutou como queria, facilitando a vida de Fê, e depois, após lançamento na área, ele desviou de cabeça para bela defesa do arqueiro do Maciota’s.

Gui Vutto marcou os 2 gols do Diabos e foi o destaque do time na final
Fim do primeiro tempo, e vantagem de um gol ao time de melhor campanha no certame até o momento. Com a garoa e o nervosismo natural por conta da decisão, a etapa primeira não foi um primor em termos de técnica, mas não faltou raça e vontade, mesmo o Diabos sendo envolvido dentro de quadra. A segunda etapa foi recheada de gols, mesmo que a apreensão só tenha aumentado.

Maciota´s fez a melhor campanha na competição e esteve melhor em campo na final, porém, o título ficou com o Diabos
O jogo já parecia ser outro quando, após cobrança de lateral, Gui Vutto chutou para Fê espalmar a escanteio. Em seguida, o Maciota’s ficou com um a menos quando Kaio levou o amarelo. Com vantagem numérica, era de se esperar um Diabos sufocante, mas quem se aproveitou foi o adversário: Alex roubou a bola e foi avançando, a zaga se recuperou mas, em seguida, novamente Alex a tomou. Ele foi à linha de fundo, do lado direito, cruzou, e Jerry apareceu para completar. Vantagem de dois gols e título a caminho do Maciota’s.
Mas o jogo era realmente outro, e o Diabos reagiu instantaneamente. Lançamento ao ataque, Dijavan recebeu pelo meio da quadra e ajeitou para Gui Vutto, que só cumprimentou o goleiro Fê e diminuiu o prejuízo. A zaga do Maciota’s se perdeu com o tento sofrido e não segurou o empate: lançamento na área, os zagueiros dormiram na jogada, e Gui Vutto desviou de cabeça para deixar tudo igual em dois gols. Segundo gol do camisa 27.

Taça recebida e foi só comemorar, já sem chuva nesse momento da final
A partida encontrava-se como no início, e os times passaram a se arriscar muito pouco. A marcação das defesas começou a ser o principal atrativo do jogo. De um lado, Jerry era só vibração pelos lados do Maciota’s, enquanto o zagueiro Kaio cometia falta atrás de falta e merecia a expulsão após matar contra-ataque do Diabos. Os árbitros, benevolentes, deixaram barato ao camisa 2. Já pelos lados do Diabos, Dani, mesmo perseguido pelos torcedores, era segurança na zaga do time.
Os últimos bons lances do tempo regulamentar foram do Maciota’s. Em grande tabela entre Jerry e Felipe Pereira, a bola ficou na esquerda para o primeiro, que chutou cruzado para sensacional defesa de Marco, salvando o Diabos com os pés. Já no último lance, Tavinho recebeu na entrada da área, girou em cima do zagueiro e chutou forte, mas a bola foi fora. Fim do tempo normal, e a prorrogação com promessa de ser emocionante.
Com a regra do gol de ouro, qualquer ataque era motivo de apreensão por parte dos torcedores. Mas com medo de levar o tento, os time poucos se arriscaram. Marcel recebeu pelo lado direito, mas chutou para fora. O Maciota’s respondeu com Jerry, que arriscou chute no ângulo esquerdo, porém, Marco fez ótima defesa. E assim a grande final foi decidida nos pênaltis.

Dé vai para a bola e... trave! Só restava ao Diabos Negros comemorar
A primeira cobrança foi do Diabos, mas Dijavan chutou na trave e a bola saiu. Em seguida, Felipe Pereira cobrou pelo Maciota’s, mas Marco defendeu. “Cadu” Santos e Marcel converteram suas cobranças pelo Diabos, enquanto que Jerry contou com a sorte para vencer Marco, que defendeu com a mão direita mas viu a redonda escorregar para dentro do gol. Na última cobrança, a responsabilidade estava nos pés do camisa 13 do Maciota’s, Dé. Ele correu para bola com confiança, mas acertou a trave e jogou fora a chance do título ao time. Festa do Diabos Negros, campeão do I Chuteira de Bronze.

Alegria contagiante do Diabos e fome de títulos: em 2011 time debuta na Prata já pensando em título
“Perdemos uma decisão de campeonato em 2006. Voltamos recentemente a jogar. O time, aqui, começou devagar, mas foi se entrosando durante a competição. Nos tornamos um time de verdade, tomamos consciência da competição, e merecemos este título. O time deles (Maciota’s) é muito bom, mas fomos melhor e acabamos merecendo. Hoje eu vou é comemorar”, comentou Dani ao fim do jogo. A festa do time foi grande, com o capitão Marcel erguendo a taça e muitos jogadores ficando para ver as outras duas finais, quem sabe já sonhando com o título da Prata e uma subida à Ouro.
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