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CN ESPECIAL: NA BASE DA EXPERIÊNCIA, SNG É O MAIS NOVO TRICAMPEÃO

No aniversário de Renê, time foi envolvido na primeira etapa pelo Fora de Série; no entanto, no segundo tempo, brilharam as estrelas de Allan e Alemão, que deram o terceiro título ao SNG

TEXTO Douglas Almasi Santos
FOTOS Weinny Eirado


Depois de um ano, enfim o grito de tricampeão: camisa personalizada estava no armário à espera da hora certa

O Fora de Série foi surpreendente durante toda a competição, desde coincidentemente a estréia diante do próprio SNG quando o jogo acabou em 4 x 4. O time capitaneado por Rica terminou na vice-liderança do Grupo B, despachou Med Taubaté e Só Resenha nas quartas e semifinais e chegou à grande decisão da Série Ouro. De azarão e candidato a voltar à Série Prata a finalista e já nome de peso no cenário Chuteira. Na grande decisão, quando todos esperavam um atropelo do SNG, o Fora fez um primeiro tempo digno de campeão e alimentou esperanças nos torcedores e certamente deixou o adversário com a pulga atrás da orelha. Porém, como um raio não cai três vezes no mesmo lugar, do outro lado da quadra a experiência falou mais alto no momento crucial da partida. Resultado: o SNG sagra-se tricampeão da Série Ouro, igualando-se ao Bengalas em número de títulos.


Fora de Série contou com torcida bicampeão da Equipe Bróder: integrantes compareceram para torcer por Lapa, ex-EB


O jogo, por si só, era de muita expectativa. Tudo por ser a decisão de um dos campeonatos mais disputados e imprevisíveis de todos os tempos. Na esteira da Copa do Mundo na África, na qual diversas seleções tradicionais acabaram sucumbindo de forma inexplicável, o X Chuteira de Ouro teve muito equilíbrio e algumas surpresas que deixaram atônitos jogadores e torcedores. Equipes tradicionais decepcionaram e desceram para a Prata, outras foram caindo durante o andamento da competição e outras tiveram “decisões” antecipadas, abreviando a sobrevivência no torneio. Assim, o experiente SNG tinha pela frente o surpreendente Fora de Série, sensação da competição.


Duelo pelo alto: dividida no ar entre Renê e goleiro Urbano foi a grande polêmica da partida, que, porém, passou despercebida

Enquanto Red Devils e Arouca Jrs. duelavam para saber quem seria o novo campeão da Série Prata, Fora de Série e SNG se aqueciam em outras quadras do complexo PlayBall. O clima era de descontração e confiança. As equipes estavam muito relaxadas, em especial o SNG, que brincava de bobinho enquanto o Fora concentrava e conversava. “Hoje é o jogo da vida do Fora de Série. Vamos dar tudo que podemos para sermos campeões”, avisava Clebão, homem-forte do Fora, com o discurso mais do que preparado.

Do outro lado, apesar da descontração, o sentimento era de um jogo estratégico para que o time vencesse depois de ser vice por duas vezes seguidas. “É nossa 5ª final e uma ótima oportunidade de sermos tricampeões. O SNG é time maduro, mas dá um frio na barriga. Vai ser um jogo de ‘cabeça’, de posturas defensivas. Ninguém vai querer se arriscar muito”, apostava Allan, de volta à equipe após ficar de fora nas semi diante do Arouca. Mal sabia ele quão fundamental ele seria para mais um título (a lembrar, no IV Chuteira de Ouro, foi dele o gol de ouro que deu o bicampeonato à equipe).


Nas arquibancadas, a irreverência de Rodrigo Barath e Mutssa foi detectada pela reportagem

O público era bom, apesar da chuva. Jogadores de outras divisões perfilados para assistir à decisão, além dos tradicionais e fanáticos seguidores do SNG (o NGM). Fim da angústia e bola rolando para saber quem sucederia o Bengalas na galeria dos campeões. O primeiro bom lance foi do SNG: após cobrança de lateral, Renê apareceu para desviar, mas Urbano – ainda substituindo a Casari – afastou o perigo. Nos primeiros toques na bola, já era visível a disputa entre os times. Com a disposição demonstrada, o destaque eram as imponentes defesas.


Ausente do Chuteira, Betão, um dos fundadores do Fora de Série, deu as caras para torcer para a equipe azul celeste

Era a vez do Fora. Lançamento da zaga sem pretensão ao ataque, Orley dominou na direita, foi à linha de fundo e, mesmo sem ângulo, chutou para Sampa colocar a escanteio. A resposta do SNG chegou com Allan: ele recebeu na intermediária pelo lado esquerdo, carregou a bola pelo meio e disparou. A bola foi para fora, porém, com muito perigo. O Fora novamente atacou: com um cruzamento da esquerda, Sampa hesitou ao sair de sua meta, e PH cabeceou no travessão.

Mesmo com ataques perigosos, eram as defesas que sobressaíam. Argentino, pelo lado do Fora, era pura raça no momento de desarmar o ataque adversário. Em contrapartida, Allan era a segurança necessária à defesa do SNG, destruindo as pretensões da dupla Orley e Cachaça.

Apesar de um ou outro ataque, o SNG estava perdido em quadra com o esquema montado pelo Fora de Série. O time de Rica era mais consciente em quadra e detinha maior posse da bola, além de criar algumas oportunidades para se colocar à frente no placar. Cobrança de escanteio, a zaga do SNG cochilou, e Cachaça, livre, chutou no canto direito, mas a bola foi para fora. E, melhor em campo, o Fora abriu o placar. Renan Germano tabelou com Orley, recebeu na entrada da área e acertou um chute forte no canto esquerdo de Sampa, que nada pôde fazer. Muita comemoração com o gol do camisa 12, ex-Locomotiva Tarja Preta.






Sequência de comemoração: após chutar e marcar, Renan corre para comemorar com Rica o placar de 1 x 0

A desvantagem fez o SNG acordar. Troca de passes do time, Biro recebeu pelo meio e arriscou uma bomba, que passou próxima ao ângulo esquerdo de Urbano. Nervoso em campo, o SNG reclamou muito no lance seguinte, que foi o de maior polêmica no embate mas passou um tanto despercebido: cobrança de escanteio ao SNG, Renê e Urbano sobem no lance e a bola acaba entrando. Os árbitros mandaram o lance voltar alegando que apenas o goleiro do Fora tocou na bola – e a regra não permite gol em cobrança de escanteio que desvia no goleiro. Renê, aniversariante do dia, não se conformava, afirmando ter desviado a bola antes do toque do goleiro.


“Pelo amor de Deus”: no primeiro tempo parecia que a bola do SNG não ia entrar, ainda mais a de Renê

A vantagem de um tento ao Fora permanecia, e o time quase ampliou a contagem: nova tabela entre Orley e Renan Germano, a bola ficou com Orley dentro da área. Como a bola veio pingando alta, Sampa saiu e o camisa 11 deu um leve toque de categoria por cima do arqueiro do SNG, mas a bola caprichosamente acertou o travessão. Dessa forma a etapa primeira se encerrou, com 1 x 0 ao Fora mas um gostinho de que podia ser mais.

Se o primeiro tempo foi todo da maior surpresa da X edição da Série Ouro, o segundo tempo foi todo do time da experiência, que já começou com um ataque de Allan pela intermediária direita, de onde ele encheu o pé. A bola foi forte e explodiu no travessão, assustando o goleiro Urbano. E se sobra maturidade ao SNG, faltou aos atletas do Fora. Em ataque desperdiçado pelo time, o SNG, ainda em sua área, armava o contra-ataque, mas o zagueiro Rafael Rezende pôs a mão na bola e impediu o início de lance do adversário. Como consequência, cartão amarelo ao camisa 2. Mal ele sabia que a sua atitude acabaria custando o plano de jogo do Fora.


Allan, xerifão do SNG, sai à caça: zagueiro deixou sua marca em Orley ainda no primeiro tempo e foi peça fundamental para o título no segundo

Em lance seguinte ao cartão amarelo, o SNG impôs seu jogo de troca de passes até abrir a brecha para o bate. Bola de pé em pé até que Allan recebeu pelo meio, avançou sem marcação e soltou a bomba. A bola teve um leve desvio na trajetória e morreu no canto esquerdo de Urbano. Decisão empatada e promessa de jogo quente até final. Allan novamente: o camisa 6, pelo meio da quadra, mais uma vez arriscou o chute, que foi no pé da trave esquerda e saiu.

A postura do SNG era outra, e quem começou a brilhar foi uma dupla até então desconhecida aos torcedores presentes, acostumados a ver as jogadas de Ronei e Renê: Alemão e Felipe Augusto. Após ficar no banco por mais de 30 minutos, para descrença dos torcedores do lado de fora, Alemão enfim entrou. E entrou para resolver ao lado de seu eterno parceiro Felipe Augusto. Tabela entre os dois, o arco Alemão toca para a flecha Felipe na esquerda, deixando-o na cara do gol. Um leve toque na bola ainda fez ela bater na trave antes de morrer no fundo do gol. Era a virada e o título mudando de lado.


Pacientemente, Alemão (primeiro à esquerda) espera sua vez de entrar na partida: com ele em campo foram 2 assistências e a vitória garantida

Logo na sequência, aquele que pode ser considerado o golpe de misericórdia contra o Fora: nova tabelinha entre Alemão e Felipe, e novamente Alemão deixou Felipe na cara do gol somente para completar o lance. 3 x 1 SNG e tricampeonato encaminhado. O time ainda teve duas boas oportunidades para liquidar de vez com o adversário, e as duas vezes com Leo: na primeira chance, ele veio de trás e acertou o pé da trave esquerda, e depois, chutou cruzado para defesa de Urbano.


Heróico, o goleiro contundido Casari esteve com o time o tempo todo e gritou muito para ajudar companheiros


Clebão, manager do Fora, bem que tentou brecar o SNG, mas a tática ruiu com um jogador a menos e o nervosismo após sofrer a virada

A oportunidade de diminuir para o Fora chegou em rápida triangulação: Renan Germano cruzou da direita, Lapa tocou para Orley, que devolveu o passe. Na hora de completar. Lapa viu Sampa crescer no lance e salvar o SNG. Com o desespero do Fora, a tarefa do time de Vairo e Cia. foi facilitada. Biro recebeu na entrada da área e chutou firme no canto direito para marcar 4 x 1. Um prêmio a um dos melhores jogadores desta edição da Série Ouro. E, no final, Felipe fez a jogada pela esquerda e cruzou para Abelha, que tinha acabado de entrar, empurrar às redes e iniciar a festa do tricampeão. Fim de jogo, e triunfo do SNG por 5 x 1.


Ao fim da partida, Renê foi ovacionado e levou ovos e farinha dos amigos torcedores, que comemoravam o tricampeonato e os 33 anos do artilheiro

Os jogadores do Fora de Série, mesmo derrotados, aplaudiram-se pela grande campanha dentro do certame. É o reconhecimento pelo vice-campeonato de uma equipe recém promovida à edição. Já o SNG era só festa. Muita comemoração entre atletas e torcedores aos cantos dos gritos de guerra do time. Renê, que comemorava o título, também comemorava seu aniversário. E como presente, farinha e ovos pelos seus 33 anos de idade. E coube ao capitão Biro a incumbência de erguer o troféu de tricampeão da Série Ouro.


Time tricampeão posa para foto oficial: foram 3 anos de espera desde o bicampeonato

“Finalmente conseguimos. Depois de muita luta, chegamos à 4ª final seguida (3 do Chuteira e uma do Festival) e merecíamos. O grupo é muito unido, como uma família. Todos que chegam aqui se sentem bem. Quem entra chega para somar. É um grupo coeso. Cada vitória tem um prazer indescritível. Aqui é raça”, desabafou Fabinho, uma das lenda do time, ao fim da partida.
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