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CN: CAV VIRA NO FIM E É CAMPEÃO DA PRATA

Em jogo digno de uma final e cheio de viradas, CAV marca duas vezes no fim do jogo, vira sobre Rabeloska e sagra-se vencedor da Prata. Quintanilha pega pênalti decisivo quando time perdia por 2 x 1


Clube Atlético da Vila: campeão do VI Chuteira de Prata


TEXTO Gustavo Vasconcellos
FOTOS Weinny Eirado

Quais seriam os ingredientes para uma grande final? Dois bons times, muita emoção, garra e bom futebol? Se for isso, pode-se dizer que CAV e Rabeloska proporcionaram uma grande final a quem compareceu ao PlayBall Pompeia no último sábado. Melhor para o CAV, que, na revanche da Bronze na Prata, conseguiu o que parecia missão impossível – deixar o Rabeloska nervoso e virar um jogo em 5 minutos. Sim, ao final dos 50 minutos, o placar apontava 3 x 2 para o CAV, com gol do título saindo dos pés de Lele. O projeto de Caio Fleischmann deu resultados.


Barath dá as últimas instruções à equipe antes do duelo: técnico assumiu time a partir do mata-mata e era, ao fim, um dos mais emocionados


CAV x Rabeloska, esse era o confronto que todos esperavam. Desde o final do primeiro semestre, quando as duas equipes conseguiram o acesso à Prata – Rabeloska ainda foi o campeão da Bronze eliminando o CAV nas semi –, não havia dúvidas de que ambas as equipes brigariam e eram favoritas ao título. Dito e feito. Com as melhores campanhas de seus grupos, mostraram o porquê de tal favoritismo e despacharam seus adversários nas quartas e semifinais para que pudessem se encontrar na grande decisão.


Foco e determinação foram as palavras de Dick Vigarista para o experiente time do Rabeloska no pré-jogo: equipe seguiu à risca por 45 minutos, quando vacilou nos minutos finais e levou a virada


Com muita rivalidade, apesar de um único confronto, as duas equipes entraram em quadra diante de grande torcida. A turma do Arouca era Rabeloska desde criancinha. A galera da Bronze torcia, mesmo que timidamente, para o CAV. Sinalizadores, fumaça azul e preta estavam presentes na torcida do CAV, enquanto a torcida mackenzista fazia muito barulho e, com 4 torcedoras jornalistas presentes, embeleza a arquibancada.

Bola rolando e nenhum dos times quis ficar esperando o outro jogar. Para quem cogitou a ideia de um jogo truncado no começo, com as equipes se estudando, estava totalmente equivocado. Com um minuto, dois chutes do meio da quadra, um para cada time, já assustaram. Bettoni obrigou Tássio a cair para fazer a defesa. Já Juva também arriscou de longe e quase viu Quintanilha se atrapalhar na primeira bola.


Vitinho (CAV, 22) fez um golaço e foi fundamental na marcação no meio de campo, sendo eleito o MVP do jogo e da Série Prata; Ibraim (20, Rabeloska) levou perigo pelo alto e por baixo; e o pequenino Marcel (debaixo de Ibraim) virou um gigante, anulando Chininha e intimidando o adversário


As equipes iam para o ataque, querendo, claro, abrir o marcador. O Rabeloska esteve próximo disso, mas, após falta ensaiada de Juva e Barata, Ibraim não conseguiu bater a gol. Porém, quando os mackenzistas conseguiam ficar um pouco mais com a bola, o CAV foi lá e marcou o primeiro. 4 minutos jogados e a bola na intermediária do ataque. Chute bateu na defesa e, na volta, Vitinho acertou lindo chute no ângulo direito, sem chances de defesa para Tássio, que ainda pulou mas com a curva que a pelota fez não alcançou. A torcida preta e azul apareceu com força após o gol. O CAV saía na frente e logo com um golaço do MVP da Série Prata.

A equipe de Dick Vigarista, apesar de se mostrar um tanto nervosa desde o início, especialmente Chininha, com faltas desnecessárias, manteve a calma e seu padrão de jogo e passou a criar algumas chances. O próprio camisa 9 quase marcou. Ele recebeu na entrada da área, girou e bateu com perigo à direita da meta de Quintanilha. A zaga do CAV, liderada por Bettoni, não dava muitos espaços para os jogadores adversários e vibravam muito a cada bola. O pequeno Marcel virava um gigante na marcação e intimidação ao adversário.

Os caveiras evitavam ficar muito recuados e ainda levavam perigo no ataque. Vitinho, aproveitando passe errado de Chininha, bateu cruzado da esquerda e quase ampliou a vantagem. O jogo então começou a ter algumas divididas mais fortes. Pior para o Rabeloska, que viu Chininha receber o cartão amarelo após falta dura.


Diferente do habitual, Rabeloska entrou em campo um tanto nervoso, sendo Chininha um deles, que acabou exagerando e tomando amarelo


Mesmo com um a menos, o Rabeloska quase marcou com Barata. Tássio fez rápida reposição e encontrou o camisa 8 livre no ataque. Ele tinha tudo para marcar, mas o chute desviou no goleiro Quintanilha e saiu pela linha de fundo. Quando Vasko entrou em quadra no lugar de Chininha, o Rabeloska dava a entender que pressionaria, mas erros de passes impediam grandes chances para os mackenzistas. Enquanto isso, o CAV não aparecia no ataque com tanto perigo, mas chances foram criadas com Vitinho e Lele.

O Rabeloska ficava mais com a bola, mas a zaga bem postada do CAV começava a dificultar os ataques mackenzistas. Na melhor das chances, Juva brigou com a zaga pela esquerda e passou para Vasko no meio. Ele dominou e bateu rasteiro no canto esquerdo. Quintanilha fez grande defesa e depois precisou dividir com Maradona para ficar com a bola. O CAV respondeu com Fabiano Santos, mas a cabeçada do camisa 17 foi para fora.


Acostumado a brilhar, Dick Vigarista não teve vida fácil no ataque mackenzista: Marcel e Bettoni levaram a melhor em praticamente todos os lances


O jogo já caminhava para o final do primeiro tempo quando Juva recebeu bola ainda do lado direito da zaga, avançou para o ataque e levou para a esquerda. Ele podia fazer o passe, mas preferiu arriscar a gol. Um chute cruzado no canto baixo direito. Era o empate. Festa da torcida e muita vibração de Chininha. Não deu tempo para mais nada e o apito foi trilado para o intervalo. Placar igual em 1 x 1.

Nos minutos de intervalo, muita conversa entre as equipes. Na volta para a segunda etapa, o jogo ficou mais pegado, disputado, assim, as grandes chances diminuíram. Um chute de Bettoni, pelo CAV, e um de Ibraim, que acabou sofrendo falta na hora do arremate, pelo Rabeloska, foram as melhores oportunidades no começo do segundo tempo.

Aos poucos o jogo foi abrindo novamente. O CAV apareceu com perigo com Marcel, que acertou a trave em chute da entrada da área, e em arremate de Vitinho que Fabiano Santos tentou desviar e mandou para fora. E, se no primeiro tempo, o CAV marcou quando o Rabeloska começava a ficar mais perigoso na partida, aos 9 minutos do segundo tempo, o inverso ocorreu. Juva, em falta da meia direita, bateu forte. Quintanilha quase foi enganado pela curva da bola, mas ainda desviou pra escanteio. Porém, na cobrança deste, o camisa 12 do CAV saiu mal do gol e viu Maradona subir e desviar para o gol vazio. Muita comemoração e torcida vermelha inflamada mais uma vez.


Muita vibração no início do segundo tempo, quando Maradona fez de cabeça e virou o jogo para o Rabeloska. Dali a pouco outra virada estava prestes a acontecer...




O Rabeloska via um CAV mais nervoso enquanto trocava passes, mas não chegava. A torcida fazia a festa e gritava “vice de novo”, lembrando a derrota do CAV no festival de meio de ano para o Arouca (eram os jogadores do Arouca que aprontavam na arquibancada). E o vice ficou muito perto de ser ratificado aos 15 minutos, quando o Rabeloska teve um pênalti a seu favor. Em cobrança de escanteio, Caio empurrou Vasko e o árbitro não titubeou para apontar a marca do cal. Era o lance decisivo da partida. Vasko logo puxou a responsabilidade batendo no peito e dizendo que era dele a cobrança. Ele foi para a bola e chutou à meia altura à direita de Quintanilha, que, baixinho, não teve trabalho para espalmar e comemorar muito! Sim, Vasko perdeu a chance de fazer 3 x 1 e matar o jogo. O pior estava por vir.


Quando Vasko correu para a bola, o Rabeloska podia fazer 3 x 1 e matar o jogo, mas...



... a bola foi à meia altura, à direita de Quintanilha, que caiu para o lado certo e...



... salvou o CAV, dando moral e ânimo ao time para conseguir a heróica vitória minutos depois


A defesa do pênalti animou o CAV, que agora ficava mais com a posse da bola. O Rabeloska recuou, mas ainda faltavam cerca de 10 minutos de jogo. Bettoni, em chute de longe e em cabeçada, levou perigo para a meta de Tássio. Lele também tentou, mas ficou na zaga. O Rabeloska tentava sair um pouco do sufoco, mas não conseguia encaixar um bom contra-ataque. E de tanto pressionar o CAV chegou ao empate. Andrezinho passou para Marcel na direita, o camisa 7 chutou mascado, mas ainda viu a bola entrar mais na sorte que na competência do chute. O time azul e preto explodiu no banco, invadindo a quadra na comemoração e rebatendo aos xingamentos da galera do Arouca na arquibancada...

Empatado em 2 x 2, o tempo ia se esgotando, as emoções aumentando e a prorrogação se aproximando. O CAV, animado com a igualdade, não se acomodou e continuou martelando o Rabeloska, que visivelmente sentiu o golpe. Algo como um boxeador que leva um golpe e fica grogue. Seguindo a metáfora, veio o knock down. Aos 25 minutos, Julinho recebeu na meio direita e deu passe açucarado para Lele no meio da área. O camisa 9 do CAV, predestinado, desviou levemente para matar Tássio e sair para a comemoração. Era o terceiro do CAV, o gol da virada, o gol do título.


Não é preciso dizer que Caio Fleischmann era dos mais radiantes com o título. “O projeto Ouro do CAV foi concretizado, e com o título”, disse ele


O Rabeloska ainda tentou de todos os jeitos achar um gol nos minutos restantes de acréscimo, mas quem quase marcou mais um foi Lele, que acabou parando em defesa de Tássio. O apito final veio para a festa dos caveiras começar e só acabar no domingo. Jogadores e torcida gritaram muito, desabafaram sobre a torcida adversária, que gritou o jogo inteiro, não dando tréguas aos jogadores e ao técnico Barath.


Taça em riste, garoa típica paulistana, a festa foi do CAV e ninguém mais


Os mackenzistas permaneceram em quadra para receber as medalhas pelo vice-campeonato. Claro, não estavam nem um pouco empolgados. Enquanto isso, os jogadores do CAV entoavam pela última vez seu grito de guerra antes de receber a taça de campeão do VI Chuteira de Prata. Para Caio Fleischmann e companheiros, a festa não tinha hora para acabar. O projeto Ouro prometido para 2011 se confirmou. Agora é pensar em 2012, na Série Ouro, tanto CAV quanto Rabeloska e torcer para, quem sabe, novo confronto num mata-mata. Afinal, CAV x Rabeloska já pode ser considerado um dos mais novos clássicos do Chuteira.

Ficha técnica:

VI Chuteira de Prata – Final


10 de dezembro de 2011

CAV 3 x 2 Rabeloska

MVPs:

1 – Vitinho (CAV)
2 – Juva (Rabeloska)
3 – Marcel (CAV)

Gols:

Vitinho, Marcel e Lele (CAV)
Juva e Maradona (Rabeloska)
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