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CHUTEIRA TEM PRIMEIRO JOGO SEM GOLS DA HISTÓRIA

O jogo começou com frio, mas com campo seco e sem chuva. Porém, não deu 5 minutos jogados quando as primeiras gotas começaram a cair. Em menos de 10 minutos já era temporal. Acidus e Joga 13, que jogavam por uma vaga no G-6 do Grupo B do IX Chuteira de Ouro, tiveram de enfrentar, além de um ao outro, o frio, a chuva, o campo que ficou encharcado e as rajadas de vento que gelavam aqueles instalados nada confortavelmente no banco de reservas.

Mas o fato que chamou a atenção dessa partida não foi apenas o frio ou a chuva. Foi o placar do jogo – um 0 x 0 cheio de tensão que se configura como o primeiro jogo sem gols da história do Chuteira. Algo inédito que se deveu graças, além da bola escorregadia, aos goleiros Diego e Caieiras, que não deixaram passar nada mesmo com as dificuldades conhecidas de um gramado molhado.

No banco de reservas, os jogadores tremiam de frio e não viam a hora de entrar em campo para ao menos correr e se aquecer. Philip, quando de fora, corria de um lado a outro, buscando não ficar congelando sob a água que invadia os olhos e pingava dos cabelos. “A chuva, além de atrapalhar o toque de bola por causa das poças, também atrapalhava a visão, que já é prejudicada pela baixa qualidade da iluminação da quadra. Nunca tinha jogado com tanta chuva antes. Choveu os 50 minutos, minha chuteira tava pesando uns 5 quilos. No banco, não dava para fazer outra coisa a não ser tremer de frio”, comentou Philip, atacante acidiano.

O único que conseguiu se livrar do aguaceiro foi o técnico Lucas, que trajava uma elegante capa de chuva que apenas deixou as canelas e a chuteira descobertas. “Sempre que saio de casa antes da rodada olho a previsão do tempo, se vai ter chuva. Já tinha levado a capa umas três vezes. Dessa vez enfim estreei a danada. Graças a ela consegui ficar no banco e dirigir o time”, comentou Lucas ao fim da partida, de roupas secas e ainda vestindo o modelo transparente de sua capa.

Do lado do 13, há mesmo aqueles que nem jogaram, mas permaneceram no banco. “Foi horrível, me achei um babaca ali. Machucado, não ia jogar e mesmo assim fiquei ali tomando chuva e congelando. Estou me achando um idiota até agora”, confessou o artilheiro Lele já no dia seguinte ao dilúvio.

Mesmo com a chuva, o jogo seguiu. No início do segundo tempo os árbitros chamaram os dois capitães para falar do estado do gramado e se teria condições de jogo. “Eles perguntaram se queríamos dar um tempo porque a chuva estava muito forte naquele momento, mas eu e o Lói concordamos de continuar mesmo assim”, resume Rodrigo, capitão do Joga 13.

Depois da conversa, a partida prosseguiu, mas a bola parava no meio do campo e a saída era jogar pelas pontas. O jogo do Acidus, de habilidade e toque de bola, ficou prejudicado, mas mesmo assim o time criou as melhores chances da partida, especialmente no segundo tempo, já que só a vitória interessava. Mas se não era a água era Caieiras a estar lá para impedir a bola de entrar. Ao menos 4 chutes daqueles rasteiros do canto foram defendidos por ele, além de uma bola cara a cara.

“Joga 13 e Acidus sempre foi um jogo de muitos gols. A chuva prejudicou bastante o jogo, mas também sabíamos que podíamos empatar e não nos arriscamos muito. E, claro, o Caieiras fechou o gol”, comentou explicando Lele o resultado. “Foi 0 x 0, mas foi um jogão mesmo assim, bem pegado, digno de Acidus e Joga 13. Se não tivesse chovido, certamente teríamos gols, pois os dois times têm jogadores habilidosos que podiam decidir, mas com chuva o rendimento deles caíram”, completou Rodrigo.

Diego não ficou por menos e evitou gols cara a cara, mas principalmente dos chutes fortes de Rodrigo, que não tinha pudores de mandar seus tiros do meio de campo. Num jogo com grandes defesas, muita chuva, campo empoçado, frio de tilintar os dentes, o que faltou foi a alegria do futebol – justamente o gol –, mas não por tentativa dos times.

“A chuva ajudou bastante o 0 x 0, mas o placar reflete um jogo de duas grandes forças do Chuteira, duas excepcionais defesas e dois brilhantes goleiros, que trabalharam muito”, afirmou Philip, atacante acidiano.

Ao final, com o empate em 0 x 0, o Joga 13 garantiu vaga e o Acidus ficou na torcida contra o Bacana, que jogou sem chuva e apenas empatou com o Estudiantes de la Vila. Junto a eles jogadores do Arouca, uns pra saber certo em qual posição iam ficar, mas tiveram outros que ficaram por força maior. “Já avisei minha mulher que não tem como ir embora, que está tudo alagado na entrada do PlayBall”, desconversou o goleiro Maurício, no meio da batucada do Arouca e bem agasalhado.
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