NO GOL DE OURO, JOGA 13 VOLTA À SÉRIE OURO E ESTRAGA FESTA DO É VERDADEEE
Time de Douglinhas e King domina jogo, mas desperdiça muitas chances e paga o preço logo no começo da morte súbita
Por Luiz V. Andreassa
Só de assistir por alguns minutos o duelo entre É Verdadeee e Joga 13 já dava para perceber a gana dos jogadores em busca do objetivo: a vaga na Ouro. Sim, o duelo valia mais pela Ouro do que pela final. Para a equipe preta e amarela do 13, valia mais do que isso, pois, quarta colocada na primeira fase, era o time de pior campanha entre os semifinalistas e a derrota era a certeza de estar fora da Ouro. E o sonho da volta não poderia ter sido conquistado de maneiras mais dramática – no gol de ouro após empate sem gols no tempo regulamentar.
O jogo era até certa forma lento em seu início, como Joga 13 jogando na cadência de Giba, jogador técnico mas sem a velocidade necessária que uma quadra grande poderia ajudar. Era ele o articulador das jogadas, sempre pelo meio. Assim, de forma devagar, o É Verdadeee conseguia montar sua marcação, evitando maiores perigos para Reyna. O goleiro do EV foi a primeira baixa da equipe, logo aos 3 minutos, quando defendeu um chute fraco no chão. Ele sentiu as costas, que o incomodam há algum tempo na temporada, recebeu atendimento e teve de sair para a entrada de Lenarduci.
Foi em jogada de Giba para Felipe Roth o primeiro lance de perigo do 13, que o goleiro reserva tratou de defender e mostrar serviço. Muralha, do outro lado, mostrou por que é arqueiro sensação do mata mata. Kika mandou a sapatada ao receber cobrança de falta rolada do lado esquerdo, mas a bola bateu na defesa. Pingando dentro da área, King chegou e chutou a gol, mas o goleiro pegou no canto baixo.
Neste momento o É Verdadeee já se impunha mais em campo e dominada as ações. Douglinhas levava velocidade ao ataque e, em jogada do próprio, ele tocou para Nilmar na entrada da área, que chutou e a bola passou raspando a trave. O mesmo Douglinhas teve sua chance ao receber bola de escanteio na marca do pênalti e mandar por cima do gol.
Foi a partir da segunda metade da primeira etapa que o Joga 13 conseguiu crescer em quadra, momento em que Zóio e Doce passaram a chamar a responsabilidade. O placar quase foi aberto quando Zóio dominou pela esquerda e rolou para o outro lado onde o companheiro, livre de marcação, parou na boa saída de Lenarduci. Pouco depois, foi a vez de Rogério cobrar falta pela direita e, com um desvio no meio do caminho, assustar. O lance originou um tiro de canto e, na cobrança, a redonda foi levantada para Zóio subir sem marcação e cabecear para fora.
O advento do intervalo não foi nada bom para o Joga 13. Primeiramente, porque esfriou os ânimos do time, que conseguira bons momentos devido à confiança gerada por algumas chances criadas. Em segundo lugar, porque o É Verdadeee voltou à quadra muito mais atento. Os primeiros minutos até foram marcados por um certo equilíbrio, mas as jogadas mais incisivas eram sempre contra a meta defendida por Muralha. Um dos jogadores que continuaram a mudar o panorama no segundo tempo foi Douglinhas, que continuava bem no ataque. Exemplo disto foi o lance no qual o camisa 21 encontrou espaço pela ponta direita e rolou para a chegada de Fred, mas ele não conseguiu dominar a bola direito e deu tempo para o goleiro fechar bem o ângulo.
Para piorar a situação, Rogério, defensor do 13, acabou se machucando sozinho e teve de ser carregado para fora da quadra. Alheio a isto, o É Verdadeee foi aos poucos aumentando seu ímpeto ofensivo. Depois de perder o gol, Fred tentou dar uma de garçom ao rolar para Fúria sair de frente para o gol, sem marcação. Todavia, o companheiro também não foi feliz na conclusão e ainda contou com uma defesa primorosa de Muralha, executada com o pé. Os espaços seguiam aparecendo e o ataque verdadeirooo insistia em desperdiçar oportunidades. Kika perdeu a sua ao chutar para fora após receber passe de Nilmar. O adversário finalmente respondeu quando Zóio dominou pelo meio, puxou para a direita e, ao invés de passar a bola, resolveu bater cruzado, assustando Lenarduci.
Mesmo assim, as jogadas mais incisivas seguiam aparecendo do outro lado da quadra. Não que o É Verdadeee fosse incrivelmente superior ou que dominasse completamente as ações. Em geral, a partida era equilibrada na maioria dos setores, mas o time azul e branco jogava com mais homens no ataque, fazendo uso de uma movimentação maior e uma melhor qualidade na troca de passes. Foi assim que o gol quase saiu: Nilmar recebeu passe de Rodrigo pela esquerda e emendou um chute forte de primeira. O goleiro Muralha espalmou a bola para cima e ela ia caindo para dentro do gol, mas foi impedida por intervenção salvadora da defesa. A derradeira chance veio dos pés de Rodrigo, dominou no meio da quadra, avançou e arrematou perto da trave.
Após o empate sem gols no tempo regulamentar, a perspectiva da prorrogação só veio aumentar o nervosismo dos jogadores. Não era mais possível errar: quando a rede fosse balançada, seria a primeira e última vez. E é nessas horas que os personagens mais decisivos têm de aparecer, o que aconteceu em dois lances fundamentais nesta história. Primeiro, Kika aproveitou uma bola tirada pela zaga rival e, de frente para o gol, encheu o pé. Quando a pelota estava perto do seu rumo final, apareceram as mãos salvadoras de Muralha, que com muita agilidade conseguiu cair para a esquerda e espalmar.
O segundo lance determinante foi justamente a próxima jogada de maior perigo. E se as mãos de Muralha estavam abençoadas na hora da defesa salvadora, o que dizer dos pés do Mister Golden Goal? Na verdade, o seu nome é Eduardo, mas a alcunha é justa. Após fazer o gol de ouro da vitória contra o Med Taubaté nas oitavas de final, o camisa 15 repetiu a dose. Ele recebeu na esquerda após o EV afastou mal a bola, dominou invadindo a área e rapidamente finalizou por baixo de Lenarduci, que saíra no desespero para fechar o ângulo. A redonda foi descansar no fundo do gol. Eduardo disparou como um cometar pela quadra, tirando a camisa e comemorando muito com seus companheiros. Aos gritos de “Ôoooo o Joga 13 voltou!” a festa durou quase a tarde toda. Comemoração excessiva? Besteira: a equipe tem mesmo de comemorar sua volta à elite do Chuteira antes de pensar na grande final diante do My Balls. O objetivo principal foi conquistado, o resto é bônus.
VII CHUTEIRA DE PRATA: SEMIFINAL
My Balls 4 x 2 Diabos Negros
MY BALLS VENCE DIABOS NEGROS SEM DIFICULDADE E CHEGA À FINAL DA PRATA
Bruno Valdivia marca duas vezes e inicia goleada da equipe que já está garantida na Ouro
Por Luiz V. Andreassa
O segundo duelo pelas semifinais da Prata teve uma marca forte: o fator psicológico. Duas equipes entraram de maneira totalmente diferente em quadra. De um lado, o My Balls, tranquilo, sossegado, querendo a vaga na final, obviamente, mas já com o acesso à Ouro garantido. Do outro, o Diabos Negros, apostando todo o esforço e luta da temporada em um único jogo que iria determinar o sucesso ou não de sua empreitada.
O estado de espírito tão diferente dos times se refletiu no futebol praticado por eles. Desde os primeiros movimentos, o My Balls se assumiu como dono do jogo, ditando o ritmo das ações com um toque de bola preciso. A tática era fazer a redonda percorrer toda a quadra, de pé em pé, até que algum espaço fosse encontrado na defesa adversária. Tanto que a primeira finalização demorou seis minutos para acontecer, mas foi mortal: Fernando chutou forte pelo lado direito, Marco espalmou e, ao lado da trave esquerda, Bruno Valdivia ganhou da marcação no corpo e completou para dentro.
A posse de bola concentrava-se somente nos pés dos jogadores vermelhos, deixando o Diabos Negros sem poder de reação e sem possibilidades de ameaçar a meta defendida por Gabriel. Era apenas uma questão de tempo para um novo gol do My Balls, o que realmente aconteceu. E de novo com Bruno, o qual recebeu passe de Paulinho após jogada do companheiro pela esquerda, dominou na entrada da área, limpou a marcação e concluiu sem chances para o arqueiro.
O tempo foi passando e somente na reta final da primeira etapa o Diabos conseguiu chegar com perigo no ataque, em chute cruzado de Bóris que passou perto da trave esquerda. A resposta veio logo em uma ótima troca de passes que terminou com Batata passando para Robgol, livre na área, perder grande chance ao finalizar para fora. A partida entrou então em um momento mais aberto e equilibrado. Robgol subiu sozinho para cabecear após cobrança de escanteio, Marco saiu mal de sua meta e o atacante cabeceou na trave. Na sequência, Chagas não deixou por menos ao dominar pela esquerda e chutou cruzado para acertar a trave oposta.
Os momentos que antecederam o intervalo, contudo, foram marcados pela volta do domínio vermelho. Panorama que voltou a mudar após o descanso, já que o Diabos Negros voltara à quadra com mais gana, marcando em cima para tentar evitar os problemas do primeiro tempo. Mesmo assim, a primeira chance de gol foi do rival, com Lucas recebendo na ponta esquerda e finalizando para fora na saída do goleiro. Pouco depois, João Carlos respondeu ao completar cruzamento rasteiro na área em cima de Gabriel. A oportunidade desperdiçada foi compensada logo na sequência do lance, quando Marcel aproveitou o vacilo da defesa adversária para ficar com a bola e finalizar, descontando no placar.
O tento animou a equipe endiabrada, que foi para cima em busca do empate. E por pouco ele não veio quando Chagas chutou em cima da marcação na entrada da área, ficou com a sobra e emendou um arremate de canhota que passou perto da trave. A reação, porém, estava com os minutos contados. Aos 9, Paulinho dominou na ponta esquerda e rolou para o meio da área onde Lucas, sem marcação e com o gol aberto, só teve o trabalho de empurrar a bola para dentro e fazer 3 x 1.
Do outro lado Chagas voltou a aparecer, desta vez arrancando da defesa até o ataque, onde sua conclusão foi novamente travada. A sobra ficou então com Daniel, que finalizou mal e permitiu a defesa de Gabriel.
A partida passou, então, por um momento de estiagem de bons ataques, sendo marcada pela intensa disputa no meio da quadra. Foi só na reta final do jogo que os goleiros voltaram a ter trabalho. De um lado, Zuppo bateu para o gol, a bola pegou na defesa e mesmo assim Gabriel conseguiu fazer a defesa. Do outro, Mauricio, em lance bem parecido, mandou para fora. A insistência do camisa 13 do My Balls foi recompensada pouco depois, quando recebeu do pivô após jogada começada por Magrão e finalizou para vencer o guarda-metas e praticamente definir a vitória de sua equipe. 4 x 1.
Alguns segundos depois o rival ameaçou uma reação com Daniel, que recebeu passe em profundidade e mandou para as redes. Ainda houve tempo para Bóris dominar pelo lado esquerdo e, na saída do goleiro, finalizar de cavadinha, mas a bola passou rente à trave esquerda.
Com a goleada, o My Balls garantiu o direito de disputar o caneco da Prata diante do Joga 13. Mas o principal objetivo já foi conquistado e o título viria apenas coroar uma grande temporada da equipe, que chega à elite do Chuteira um pouco depois de CAV e Rabeloska, seus irmãos de geração.
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