Time de Fabinho abriu 1 x 0 no primeiro tempo e, depois, apenas administrou o resultado; mesmo pressionando na etapa final, Allianza não soube passar pela forte defesa adversária
Por Douglas Almasi Santos
O Cabeça Rachada confirmou a excelente campanha realizada, tanto na primeira fase como nos dois jogos eliminatórios da fase final, e garantiu presença na decisão do IV Chuteira de Bronze. Contando com uma atuação quase impecável de seu sistema defensivo, o time de Peu – que estava do lado de fora torcendo junto ao filho por estar contundido – brecou o Allianza Sagrado em partida muito equilibrada. Agora, o favorito ao título encara a ‘zebra’ Elite, equipe que surpreendeu a todos neste certame. “Não teremos preparação à decisão. Somos um time de amigos e temos amor pelo futebol. Aqui no Cabeça, todo mundo joga, independente do momento”, comentou o capitão Fabinho logo após o triunfo do último sábado.
A torcida presente preparava-se para ver um jogo pegado, de equipes muito dispostas a lutar pelo caneco da competição. E os primeiros minutos de bola rolando já davam a ideia da dificuldade que os respectivos ataques teriam. Tudo porque os sistemas defensivos estavam bem distribuídos e preparados. A dificuldade para chegar ao gol adversário era grande. Mesmo assim, ambos os times foram à luta. A primeira boa tentativa foi do Cabeça Rachada, quando Fabinho fez boa jogada pelo lado esquerdo e rolou para o meio, onde Tché dominou e chutou forte, mas a bola foi por cima da meta de Mussolino. Depois, cobrança de lateral e, na rebatida da zaga, Dieguinho tentou abrir o marcador ao Cabeça, mas sua chance também saiu por cima.
A semifinal era tão disputada que Rodrigo Storch e Gody chegaram a se estranhar após tentativa de ataque do Allianza. Com nervos à flor da pele, qualquer esbarrão poderia ser motivo de discórdia. Paralelamente, os times visavam o tento. Saída errada da zaga do Cabeça, a pelota sobrou limpa para Cesinha na entrada da área, mas o camisa 10 isolou por cima do gol. Fernando Forte começava a se destacar na zaga, desarmando as tentativas de ataque do rival e até arriscando ao gol. Foi do camisa 13 um dos lances mais bonitos do jogo: ele recebeu passe no seu campo, avançou e, um pouco à frente da linha central da quadra, arriscou cruzado. A bola explodiu no pé da trave direita e saiu, assustando o goleiro.
Foi neste momento que as definições foram acontecendo. Enquanto o Allianza desperdiçou excelente oportunidade de sair na dianteira do placar, o Cabeça Rachada foi mortal e começou a se garantir na decisão. Em rápido contra-ataque, Rodrigo Storch foi acionado livre dentro da área. Ele dominou de costas ao gol, mas, quando estava girando o corpo, o arqueiro Macaco foi mais esperto e se atirou a seus pés para salvar o Cabeça. Na reposição, a bola foi espirrada para o lado esquerdo do ataque verde preto, onde Fabinho recebeu de costas para o marcador. Pressionado, ele deu uma bicicleta para a área. Sem querer querendo, a bola passou por toda a extensão e encontrou Paixão livre na ponta direita, que só teve o trabalho de dominar e chutar cruzado para abrir o placar e fazer a torcida explodir em alegria.
Em desvantagem, o Allianza partiu ao ataque em busca da igualdade. Novamente valendo-se de saída desastrada da defesa – coisa que parece ser o ponto fraco da equipe que segue invicta na competição –, Cesinha avançou e chutou, mas Macaco fez boa defesa. Em seguida, Fernadinho, o filho do ‘seo’ Zé Carlos Caetano, espectador privilegiado das semifinais, dominou pelo lado direito e arriscou, mas Macaco apareceu de novo e desta vez com uma ponte para agarrar a pelota. Foi a última boa tentativa da etapa primeira.
Na volta do intervalo, o que se viu foram duas equipes nervosas, errando muitos passes e jogadas, e poucas tentativas efetivas nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. Nervosismo maior por parte do Allianza Sagrado, já que o Cabeça passou a se defender de forma compacta, impedindo a aproximação adversária.
O time de Luisinho Fernando (fora do embate, já que cumpria suspensão automática) começou atacando: Paro recebeu na esquerda, fez linda finta no marcador e chutou de bico, mas Mussolino estava atento no centro de sua meta. Na sequência, em contra-ataque do Allianza, Cesinha recebeu na direita, avançou e encheu o pé. Macaco se esticou todo e foi buscar a bola no canto esquerdo, salvando novamente o Cabeça. A esta altura o goleiro rachado já era o destaque do jogo, e seguiria assim até o final. Depois, a zaga do Allianza cochilou, Dieguinho roubou a bola e avançou pelo meio. Dois jogadores abriram espaço nas pontas e o camisa 9 ficou livre para chutar, mas sua tentativa saiu com muito perigo.
À medida que o tempo ia passando, mais o Allianza se desesperava. Alê recebeu pela esquerda e soltou a bomba, mas a bola saiu por pouco. No afã do empate, a defesa ficava desguarnecida. E o Cabeça passou a lançar mão dos contra-ataques. Em um deles, lançamento do guarda-metas para Tché, que recebeu de frente à meta de Mussolino e arriscou, mas o goleiro espalmou de forma sensacional e salvou o Allianza. Em novo lançamento com as mãos por parte de Macaco, a bola chegou até Fabinho, que desviou de cabeça, mas Mussolino, de novo, fez boa defesa.
O time do suspenso técnico Maurício Mirim era puro coração atrás do tento de empate. Em jogada na entrada da área, Macaco foi arrojado e saiu nos pés do atacante, mas a bola ficou viva e saiu da área. Quase em cima da linha, o arqueiro tocou com as mãos e o árbitro assinalou falta. Uma confusão se formou para a cobrança, além da pressão dos jogadores do Allianza para amarelar Macaco, que saiu mesmo com o cartão. Na confusão, Rodrigo Storch também levou o seu. A oportunidade era boa, mas a bola foi mandado por cima, longe do gol.
A pressão era toda do time sagrado. Cesinha recebeu na ponta esquerda e chutou cruzado, mas seu arremate foi pela linha de fundo. E, valendo-se do contra-ataque, o Cabeça fechou o caixão do Allianza: Tché recebeu livre em velocidade no meio e disparou. De frente para o gol, com categoria, ele não perdoou e fuzilou a meta na saída desesperada de Mussolino.
Cabisbaixos, os jogadores do Allianza apenas deram a saída de bola e esperaram o apito final dos árbitros, que decretou a classificação, suada, do Cabeça Rachada à decisão – logo em sua primeira participação dentro do Chuteira de Ouro. A final será diante da surpresa Elite neste sábado dia 23, na quadra 14 às 15h.
IV CHUTEIRA DE BRONZE: SEMIFINAL
Elite 5 x 3 XTJ
NO RITMO DE PAPAI DO AXÉ, ELITE SURPREENDE NOVAMENTE, DESPACHA XTJ E SONHA COM O TÍTULO
Camisa 9, com 3 tentos e uma assistência a gol, comandou o triunfo do time, que vai disputar a decisão da Bronze ante o Cabeça Rachada; XTJ, mesmo valente, deu adeus ao caneco
Por Douglas Almasi Santos
E a ‘zebra’ Elite fez, de novo, história. Jogando de forma objetiva e contando com tarde-noite inspirada de seu matador Papai do Axé, o time de Manza despachou um dos favoritos ao título e vai, agora, encarar o Cabeça Rachada na grande decisão do IV Chuteira de Bronze. Além do camisa 9, Silvão – na proteção da zaga – e Adriano, na defesa, também foram destaques no triunfo do time ante o XTJ. A vitória do Elite foi uma prova do quão apaixonante é o futebol, já que favoritos não são imbatíveis – e acreditar na própria capacidade pode ser a saída para acabar com místicas e garantir resultados satisfatórios. Mesmo derrotado, o XTJ provou ser uma equipe competitiva, uma vez que nunca desistiu de buscar os gols que tanto precisava. Apenas precisa dominar os ânimos e saber lidar com a derrota, coisa que, ao final, ficou claro que não sabem.
No apito do árbitro, os xaropes se valeram de sua principal característica: a velocidade, tanto com a bola nos pés quanto defendendo, para ir para cima. Mas um golpe de azar logo no início do jogo fez desmoronar o sonho do XTJ de chegar ao título. Logo com um minuto jogado, escanteio ao Elite. Papai do Axé jogou na área e Rafa Gomes acertou uma linda cabeçada que carimbou o travessão. Na volta, Silvão também testou firme, mas novamente a bola acertou o travessão, porém, na volta da redonda para o meio da área, Papai do Axé apareceu como um raio e fuzilou a meta de Kráudio, inaugurando o placar.
O surpreendente gol fez com que o já veloz XTJ ficasse mais rápido ainda – o que acabava deixando o time afobado. Todavia, os principais lances de ataque passaram a ser dos xaropes. Bola pelo flanco direito, ela sobrou para Rafael Lucas, que chutou de bico, mas sua tentativa foi por cima. Depois, Guedes recebeu na intermediária esquerda, avançou e soltou o canudo no canto esquerdo de Diego, mas o arqueiro se esticou todo e espalmou a bola a escanteio de forma espetacular. Na cobrança, a zaga afastou mal e Rafael Lucas ficou com a sobra. Ele ajeitou e chutou da entrada da área, mas sua tentativa saiu pela linha de fundo.
O XTJ quase empatou quando Felipe Modesto recebeu na esquerda e encheu o pé. A bola tinha endereço certo, mas Douglas resolveu colocar o pé na bola, o que acabou tirando a velocidade da pelota e facilitando a vida de Diego. A situação dos xaropes se complicou em seguida. Guedes recebeu na esquerda e cruzou à área, Papai do Axé apareceu novamente como um raio e chutou cruzado no canto direito, sem chance a Kráudio – ampliando a contagem para 2 x 0.
O segundo gol foi um banho de água fria em cima dos xaropes – que, inclusive, pediram tempo técnico para organizar a defesa. Contudo, o tiro saiu pela culatra. Na volta da parada, o lançamento ao ataque encontrou Papai do Axé. O camisa 9, desta vez, atuou como garçom e, no pivô, retribuiu a gentileza de Choni no segundo gol do time, tocando atrás para o camisa 7 fuzilar o canto esquerdo de Kráudio com um chute cruzado. A torcida presente à quadra 4 estava incrédula. Não somente pela vitória parcial do time franco-atirador, mas pela vantagem de 3 tentos obtida.
Mesmo assim, o XTJ não desistiu e teve cinco boas oportunidades para empatar, duas vezes com Fava, duas vezes com Modesto (em uma delas perdendo gol feito em baixo da trave), e outra com Guedes, que fez linda jogada pelo meio e chutou de bico, mas a bola caprichosamente acertou o pé da trave direita e saiu. Porém, os árbitros viram um desvio de Diego e assinalaram escanteio. Os jogadores do Elite ficaram reclamando e não viram os ‘xaropes’ cobrarem de forma rápida, Guedes apareceu na área e desviou para o gol, descontando.
A partida foi para o intervalo com o placar marcando 3 x 1 ao Elite, e a etapa final começou com uma troca na meta do time de Choni: saiu Diego, entrou Sardinha – goleiro que fecharia o gol com defesas sensacionais. Logo de cara, Kaká avançou pelo meio e chutou no canto esquerdo. Sardinha se esticou todo e espalmou de maneira incrível. O Elite poderia ter feito o quarto tento com Rafa Marques, que recebeu livre na esquerda, mas, na hora da conclusão, Kráudio saiu de forma arrojada nos pés do camisa 11 e evitou mais um gol. Porém, se não foi com Rafa Marques, acabou sendo com Silvão: após cobrança de lateral, ele apareceu livre na área para marcar de cabeça. 4 x 1.
A resposta dos ‘xaropes’ foi imediata: tabelinha entre Magu e Kaká, a bola ficou com o primeiro, que acertou o canto direito de Sardinha, dirimindo o prejuízo. O embate pegou fogo de vez quando, após contra-ataque, Kaká recebeu e reduziu mais ainda a desvantagem. A partir daí, foi um jogo de ataque contra defesa. Em cobrança de falta, Guedes ajeitou na direita para a bomba de Magu, que saiu com perigo. Depois, Guedes soltou o pé pela direita e Sardinha jogou a escanteio. Fava avançou de seu campo, rompeu a linha divisória da quadra e lançou o canhão que explodiu no travessão. O Elite respondeu com Manza, que recebeu passe de Papai do Axé por elevação, mas seu chute foi para fora. Rafael Lucas recebeu na direita e chutou colocado, mas Sardinha estava atento e fez a defesa.
No contra-ataque, o golpe de misericórdia. Bola lançada ao ataque, a zaga do XTJ não conseguiu afastar, e a redonda sobrou limpa para Papai do Axé, que não perdoou. Terceiro gol do matador do Elite, que comemorou fingindo segurar um microfone – já que teria direito a pedir música. Mesmo cientes que seria impossível virar o placar de 5 x 3 – até pelo fato do jogo estar nos minutos finais –, o XTJ ainda tentou mais uma vez: Fava arriscou novamente da intermediária uma bomba visando o ângulo esquerdo, mas Sardinha saltou e fez defesa espetacular – evitando novos apuros a sua equipe.
Antes do fim, Bolacha, técnico do XTJ, invadiu a quadra e agrediu um dos árbitros, sendo expulso. Teve jogador do time, descrente da atitude, que deixou o campo antes mesmo do apito final, que veio na sequencia, assim como uma confusão de jogadores – de dentro e fora da quadra – indignados com a derrota e acusando arbitragem e organização de “roubarem” o XTJ. A derrota machuca, ainda mais quando se chega tão favorito e já pensando na final.
Em se tratando de futebol, eis uma vitória ímpar do Elite, que superou um adversário forte, entrosado e muito veloz, que vinha invicto na competição (com 10 vitórias e 3 empates) e já estava garantido na Prata. Agora, o time de Rafa Gomes e Papai do Axé terá outra parada indigesta: o favorito e também invicto Cabeça Rachada na grande final.
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