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CHUTEIRA NEWS: FINAL DO IX CHUTEIRA DE OURO

BENGALAS ATROPELA SNG NA FINAL E É TRICAMPEÃO DO CHUTEIRA

SNG bem que tentou, mas em tarde que a bola não entrava de jeito nenhum consagrou rival como primeiro tricampeão da história do Chuteira



A taça do Chuteira é nossa, com o Bengalas não há quem possa!


TEXTO Vinicius Bento
FOTOS Weinny Eirado

O clima para a decisão era sem dúvidas recheado de muita concentração. Enquanto Só Resenha e Canhedo Beppu se digladiavam pelo título da Série Prata, SNG e Bengalas treinavam finalizações e aqueciam em quadras separadas antes da grande decisão. Quando a final da Prata terminou, o SNG não demorou muito para entrar em campo. Geralmente muito descontraídos e simpáticos, dessa vez eles estavam fugindo à regra e entraram muito compenetrados e sérios. Parecia que estavam indo para uma guerra psicológica.

Seriedade que durou só até as típicas cornetadas de Lói. A grande diferença ficou pelas respostas. Dessa vez, Memé resolveu responder ao crítico de todos os times do Chuteira. “Você é bêbado, Lói! Coloca na matéria que ele é bêbado”. Pedido aceito.

O Bengalas entrava em campo meio ofuscado pela grande festa que o Só Resenha estava fazendo pelo título conquistado no gol de ouro. Porém, era perceptível que eles não haviam mudado seu jeito de ser e entraram em campo como sempre, ou seja, muito sérios e unidos.

Um pouco antes do pontapé inicial, algo assustava na arquibancada. A típica torcida barulhenta e reclamona do Bengalas não estava fazendo tanto barulho quanto o habitual. Dessa vez eles estavam sendo ofuscados pelo barulho ensurdecedor produzido pelas vuvuzelas que a torcida do SNG trouxe. Torcida que por sinal não trouxe apenas vuvuzelas, mas trouxe também bexigas das cores laranja e preta. Era o NGM em peso na torcida.

Quando a bola rolou, sobrou tensão no ar. A arquibancada toda mostrava-se muito atenta a cada detalhe (coitado do juiz que tinha que ouvir cada coisa). Nenhum dos jogadores dos dois times estava tirando o pé ou entrando fraco nas divididas. Cada bola que espirrava parava longe do ponto inicial e a cada queda acontecia um silêncio, com medo que alguma contusão tivesse acontecido.

O primeiro lance de perigo do jogo aconteceu quando Fabinho roubou a bola, tocou para Abelha, que a conduziu um pouco à frente, e finalizou em cima da defesa. Se a primeira chance do SNG parou na defesa, a primeira do Bengalas parou na trave! Ritolê recebeu em contra-ataque fatal, conduziu para sua direita e finalizou cara a cara com o goleiro Sampa. A bola explodiu na trave.


Ritolê e Sampa, dois protagonistas da grande final


Os dois times eram bem parelhos até essa altura do campeonato, e Abelha, novamente, decidiu finalizar. Mesmo sem ângulo, quase na linha de fundo, ele chutou contra a meta adversária e Baki fez sua primeira defesa na partida. Sem espirrar o taco para a frente, ele defendeu firme e já ligou o contra-ataque.

Alguns minutinhos depois, Tejeda fez falta dura em Fernando Forte. O camisa 10 do SNG acabou recebendo o primeiro cartão amarelo na partida. Se isso já não fosse punição suficiente na partida, Luisinho arrematou rasteiro de longe ao gol. A bola passou por todo mundo e Sampa nem pulou nela. 1x0.

Não dava para ficar muito tempo atrás no marcador e Léo resolveu tentar diminuir a diferença com uma bomba de longa distância. Ela passou perto e com um belo golpe de vista Baki tirou a bola de sua meta. Na verdade, esse foi um dos poucos lances de perigo que o SNG conseguiu ter em arremates de fora da área. Parecia que a defesa do Bengalas havia estudado essa especialidade do adversário e estava bem posicionada para evitar que a bola chegasse ao seu gol.

A essa altura do campeonato, uma coisa chamava bastante atenção: as duas equipes haviam invertido seu estilo de jogo! O SNG sempre foi um time de muita marcação e de eficiência, e, por estar atrás no marcador, estava plantado no ataque e perdendo muitas chances de gol. Já o Bengalas, que sempre foi um time de acuar seus adversários, deixava-se ser acuado e saía para os contra-ataques nas costas do outro time.

Se de longe não estava dando certo, o SNG resolveu tentar de média distância. Renê finalizou e Baki jogou a bola para o meio da área. Por pouco Memé não pegou o rebote e empatou tudo. Era a hora perfeita para o empate.

Qualquer falha poderia definir a partida. E essa falha aconteceu. Sampa tocou errado, a bola explodiu no peito do próprio zagueiro e sobrou limpa para Pato colocar para dentro. 2 x 0 e situação muito difícil. Times como Fiorella e Joga 13 conseguiram abrir três gols de diferença contra o Bengalas e mesmo assim não ganharam a partida, imagine só a situação que o SNG se encontrava agora, perdendo de dois gols de diferença...


Com 2 x 0 contra, o pessoal no banco do SNG era só preocupação vendo que a bola não entrava, não entrava, não entrava...


Após isso, não houve tempo para mais nada, e a primeira etapa terminou. Durante o intervalo, vale uma nota para a confusão entre Luisinho e a torcida do SNG. Ofendido pela maioria da torcida adversária, o jogador perdeu a paciência e resolveu retrucar. Uma atitude muito errada, pois os juízes da partida são ofendidos por toda a partida e mesmo assim se mantêm firmes em suas posições. Depois de um bate boca, Bizu foi apaziguar os ânimos e colocar Luisinho de volta na partida. Agora que perceberam que sua provocação estava dando certo, a torcida do SNG caiu matando em cima do bom atacante do Bengalas. Entre os gritos de humor, alguns questionavam a opção sexual do craque.

Quando a segunda etapa recomeçou, o Se Num Guenta precisava urgentemente de um gol. Se isso não bastasse Cássio saiu na cara de Sampa e tocou pro gol. A bola passou por baixo do goleiro e caminhava para dentro do gol quando Ronei apareceu como um foguete e salvou o que era o terceiro gol do Bengalas. Se aquela bola tivesse entrado, poderia baixar a tampa do caixão mais cedo ainda.


O homem do jogo e de todo o campeonato, Luisinho, dá passe de calcanhar na final: 3 gols e a consagração como artilheiro e MVP da competição


Ficava nítido que o SNG precisava do último toque. O time de laranja cozinhava, cozinhava, cozinhava, e nada! A bola ficava na frente do gol de Baki e não entrava. Quem sabe se Renê estivesse em uma tarde mais inspirada...

Se faltava inspiração, teria de ir no coração mesmo. Renê cabeceou de longe e a bola tirou tinta da trave. Alguns minutos depois, ele tentou usar a cabeça novamente e fez exatamente como o manual manda. Com uma cabeçada forte, de cima para baixo e em direção ao chão, o camisa 11 obrigou Baki a fazer sua primeira defesa espetacular na partida. Alguns minutinhos depois, já na base do desespero, ele ainda conseguiu uma bela finalização na trave. O que mais se ouvia na arquibancada era “Ela não entra! Impresionante”. Definitivamente a bola parecia não querer passar pela linha defendida por Baki.

Se Renê não conseguia fazer a bola entrar, era a hora de seus companheiros tentarem mais alguma coisa. Ronei leva a bola da esquerda para a direita, consegue se livrar de vários adversários e finalizar com precisão. Baki usa a perna para evitar o gol. O Bengalas ia salvando o que dava e o que não dava.

Porém, a grande chance do SNG na partida não foi salva e sim desperdiçada. Renê fez pivô com perfeição e tocou para Tejeda, livre, sozinho, sem marcação alguma, perder o gol mais feito da tarde. Na hora de finalizar ele usou a perna esquerda e a bola fez o efeito para o lado contrario. Não dá nem para culpar a Jabulani nesse caso (era da Penalti a redonda!).


Repórter Chuteira Folha esteve presente na final e conversou com os artilheiros Luisinho e Ritolê, do Bengalas


Quando parecia que as armas do SNG estavam se esgotando, a defesa do time laranja perdeu a bola e com apenas Fefe, que entrou no lugar de Sampa para fazer o goleiro linha, pela frente, Luisinho fez o terceiro gol da partida. Como diria o grande comentarista Zé Boquinha, a vaca deitou.

A vaca havia deitado para quem estava de fora, mas não para quem estava lá dentro. O SNG continuava no ataque, mas a bola perseguia Baki. Dentro da área, a um metro do gol, Renê finalizou e ela explodiu no goleiro do time de branco.

Um pouco depois, Renê novamente cabeceou e a bola andou em cima da linha. Antes que ela cruzasse a defesa afastou. No último grande lance do SNG no jogo, Léo arriscou de longe e Baki fez um verdadeiro milagre. Deu uma ponte espetacular e salvou a bola que ia no cantinho.


“A vaca deitou”: Apesar de ter criados boas jogadas no pivô, Renê não conseguiu vencer a muralha do Bengalas, sempre bem representada por Fernando Forte


Como diria o saudoso Jarbas Duarte, Luisinho fez o quarto do Bengalas e liquidou a fatura na quadra cinco do PlayBall. Depois do último gol do Bengalas, Renê disse uma frase que define bem a partida. “Pode jogar até amanha que a bola não vai entrar”, praguejou ele no banco de reservas.

Após essa frase não deu tempo para mais nada e o Bengalas se consagrou tricampeão do torneio Chuteira de Ouro, de maneira limpa e justa.
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