NO GOL DE OURO, SÓ RESENHA É O NOVO CAMPEÃO DO CHUTEIRA DE PRATA
Em partida histórica, equipe vence com gol de falta de Murilo na prorrogação; Canhedo, valente, fica com o vice-campeonato

“Resenha la-la-la-la-oooo, Resenha la-la-la-la-oooo”: o já famoso grito de guerra do Só Resenha ecoou pelo PlayBall com o título conquistado
TEXTO Douglas Almasi Santos
FOTOS Weinny Eirado
Em sua primeira participação o Só Resenha já se sagra campeão do Chuteira de Prata. O título veio na vitória sobre o Canhedo Beppu com um gol de ouro na prorrogação. As duas equipes – já classificadas à próxima edição do Chuteira de Ouro – protagonizaram uma final épica, na tarde de sábado do dia 19 de junho. Com grandes jogadas, placares elásticos, fim de placares elásticos, tensão em quadra e muita vibração que vinha das arquibancadas, Só Resenha e Canhedo mostraram por que foram os melhores times desta edição do torneio.
Antes de rolar a bola, a expectativa entre os jogadores dos dois times era muito grande. Dhanny, o rápido camisa 10 do Só Resenha, disse que seu time ia “jogar com a mesma pegada de costume, e fazer um jogo igual como foi contra o Fúria (jogo da semifinal, vencido pelo Resenha por 3 a 1)”. O atacante do time adiantou que não haveria nenhum esquema especial para brecar o artilheiro da competição, Suzuki: “Vamos jogar o nosso futebol”, comentou Dhanny.
Quem também estava ansioso era o capitão do Canhedo, Luis Siviero. Concentrando-se para a decisão, Siviero disse que apostava no sistema defensivo do time para conter os avanços da rápida e entrosada equipe do Resenha. “Nós vamos jogar com raça, com uma marcação forte que vai dar certo”, salientou o camisa 10.

Só Resenha: campeão do III Chuteira de Prata
Um dos destaques do Canhedo durante o torneio, Véio estava fora da decisão por conta da expulsão no jogo semifinal contra o SPQSF. “Estou triste. A gente ralou, se machucou, e não jogar a final é tenso, mas de fora a torcida será grande”, disse o desolado Véio. Ele ainda revelou que a força para o time sair vencedor viria da arquibancada: “A torcida preparou uma festa enorme”.
De fato, ambas as torcidas protagonizaram uma linda festa antes do início do jogo: uma queima de fogos para saldar o Canhedo, fumaça sinalizadora branca para brindar o Só Resenha, e muitas vuvuzelas. Com a arquibancada da quadra 5 lotada, o show das torcidas fazia aumentar o nervosismo e a ansiedade entre os jogadores.

Canhedo Beppu: vice-campeão do III Chuteira de Prata
Mesmo em uma época antecedendo o inverno, a tarde estava agradável para a decisão. O sol surgiu, para o deleite de todos os presentes. Com as equipes em quadra para o aquecimento, chamava a atenção o “aditivo” na mão do jogador Testa, do Canhedo: uma lata de cerveja para acalmar o jogador. Pelos lados do Resenha, Leo, Dhanny e o capitão Chris Nicolas estavam com uma tinta verde no cabelo cada um, uma das cores do time. Festa pelo acesso dos resenhistas à Série Ouro.
Sol agradável, festa nas arquibancadas e jogadores ansiosos, o jogo estava pronto para ser iniciado. Mas um detalhe retardou o início da partida: o trio de arbitragem ainda não havia pintado em quadra. Após esse atraso de quase 30 minutos, o problema foi solucionado, e os juízes apareceram para darem início à decisão tão aguardada.
A final começou com um jogo muito truncado, principalmente no meio de campo. A marcação era a principal preocupação por parte dos times, sem se aventurarem ao ataque. Nos primeiros quatro minutos de partida, nenhum chute a gol. Os goleiros, até então, ainda não haviam trabalhado. Com o meio de quadra congestionado, pouco se produzia.
O primeiro chute a gol foi do Resenha, através de Renatinho, aproveitando a saída errada da zaga do Canhedo e arriscando com perigo por cima do travessão. Parece que o lance agitou o Só Resenha. Em lance seguinte, Darian, em cobrança de falta, soltou a bomba, a bola desviou no zagueiro Bolacha e enganou Papa-Búrguer, tirando o zero do marcador, e colocando o Resenha em vantagem.

Resenha abriu 3 x 0 no primeiro tempo: descontração no primeiro tempo, virou apreensão no segundo e enfim a alegria do gol de ouro
– BANCO RESENHA
Em seguida, após tentativa de empate por parte de Suzuki, o Só Resenha aumentou o placar: boa jogada de Fabrício, ele recebeu falta mas continuou em pé, tocando para Dhanny, que devolveu com açúcar para o chute certeiro de Fabrício, fazendo 2 a 0 para o Resenha.
E o terceiro gol do time não demorou a sair. Darian fez linda jogada pela direita, levou a bola à linha de fundo e cruzou rasteiro. Fabrício apareceu e chutou para fazer o seu segundo gol no jogo e a festa dos torcedores do Só Resenha. O Canhedo, perdido, parecia que ia dando adeus ao título da Série Prata com menos de 15 minutos de jogo.
O Resenha era muito melhor em quadra, e a cada ataque levava os jogadores adversários ao desespero. O artilheiro do torneio ao lado de Jaja, Suzuki, estava apagado naquele momento do jogo. O nervosismo dos jogadores do Canhedo era visível. A equipe não se acertava em quadra e ainda corria o risco de levar mais gols. Renatinho quase fez mais um para o Resenha. Okamurinha e Rodrigo Costa discutiam entre si, mostrando o grau de tensão por parte do Canhedo.

Fabinho (17 do Canhedo) bem que lutou, mas o dia era mesmo do time de verde, preto e branco
Final do primeiro tempo, e o Só Resenha tinha uma grande vantagem no placar: 3 a 0, e uma tranquilidade enorme para a etapa final da decisão. Os jogadores do Canhedo conversavam muito durante o intervalo, tentando acertar a marcação falha, visando a diminuir o prejuízo e, quem sabe, virar o placar. Mas a tarefa do time era ingrata, pois o rápido e leve ataque do Resenha teria à sua disposição os contra-ataques.
Todavia, quem esperava um passeio dos resenhistas em quadra para o segundo tempo apostou errado. A etapa final foi diferente da primeira, levando emoção a cada lance de ataque. Logo no começo, escanteio para o Canhedo e Rodrigo Costa, chutando de primeira, deu um susto no Só Resenha.
Em lance seguinte, Papa-Búrguer, de forma arrojada, saiu do gol a tempo de evitar o quarto gol do Resenha, através de Fabrício, que tentou por cobertura. A partir deste lance, o Canhedo renasceu no jogo.
Lembrando Gérson, o canhotinha de ouro, Fabinho fez um lançamento magnífico para Testa que, de cabeça, deslocou o goleiro Ulisses, marcando o primeiro gol do Canhedo. Na sequência, cobrança de lateral, Rodrigo Costa dominou a bola, girou o corpo e encheu o pé no ângulo esquerdo do goleiro Ulisses, diminuindo o placar para 3 a 2 e incendiando a decisão.
O Só Resenha acusou o golpe e passou a ficar perdido em quadra. As gracinhas e os toques de lado feitos pelos jogadores no primeiro tempo transformaram-se em apreensão entre eles. Incrédulos, o time não produzia o futebol entrosado que o trouxe até a decisão.
O Canhedo crescia em busca do empate. O zagueiro Bolacha, de cabeça, acertou a trave, mas quem desperdiçou a grande chance foi o artilheiro Suzuki, que, na cara do gol, parou em Ulisses.
O jogo era outro, e a tranquilidade do Resenha no primeiro tempo deu lugar para a raça e a vontade do Canhedo na etapa final. Em nova jogada de Fabinho, o camisa 17 cruzou forte, Suzuki, embaixo das traves, não conseguiu concluir como queria, desperdiçando mais uma oportunidade. O Só Resenha, mesmo abatido, tentava com Darian, mas nada dava certo para o time naquele momento.
O que parecia impossível no intervalo, aconteceu: falta na entrada da área para o Canhedo, e Bolacha, com extrema categoria, colocou a bola à meia altura do goleiro, empatando o jogo em 3 a 3. O jogo ganhava contornos de dramaticidade. Quem esperava que a partida, faltando menos de 2 minutos, não teria mais lances de perigo, teve grandes emoções.

Beijo na taça, careta, cabelos pintados de verde: a festa era definitivamente do Só Resenha
Dhanny fez boa jogada pela direita e, curtindo uma de ponta direita, cruzou para Marcelinho livre, em cima da linha, empurrar às redes e colocar o Resenha novamente em vantagem. Parecia o fim para o Canhedo, porém, em lance seguinte, em cobrança de falta, Suzuki rolou para Fabinho acertar o ângulo esquerdo do goleiro Ulisses. Um golaço, empate em 4 a 4 e decisão para a prorrogação.
O inacreditável e o inesperado aconteceu. Quase ninguém apostava que o Canhedo pudesse reagir da forma como fez. Tampouco ninguém acreditava que o Só Resenha fosse deixar escapar o título após abrir uma vantagem de 3 gols. Em partidas anteriores, o time de verde, preto e branco sempre abriu boa margem de gols em cima dos adversários para não mais perder a partida.
O confronto já era, até aquele presente, histórico. O título ficaria em boas mãos, qualquer que fosse o vencedor. Bola rolando para a prorrogação, e a tensão era nítida na quadra 5. Tanto dentro de campo quanto nas arquibancadas, ninguém queria perder um segundo se quer da etapa decisiva.
O Canhedo, embalado por sua reação espetacular no segundo tempo, começou em cima do Só Resenha. Fabinho arrancou pela esquerda, trouxe o jogo para o meio da quadra e chutou forte. A bola tirou tinta da trave. Em jogada seguinte, cobrança de escanteio para o Resenha e Dhanny, livre, quase fez de cabeça.

Resenha em campo à espera do Grande Troféu Chuteira de Prata: terceiro campeão saiu só no gol de ouro
Mais um ataque do Só Resenha, e o lance que decidiu o campeonato: falta no bico direito da grande área para o Resenha, Murilo cobrou, a barreira abriu e ainda contando com um desvio no jogador do Canhedo, morreu no fundo das redes de Papa-Búrguer. Gol de ouro que valeu o título de campeão da terceira edição do Chuteira de Prata para o Só Resenha.
Festa dos jogadores em quadra e entre os torcedores na arquibancada. “Batalhamos bastante. Queríamos isso de qualquer jeito. O objetivo maior era chegar à Série Ouro, mas o título foi ‘firmeza’”, disse Marcelinho, um dos destaques do Só Resenha. Os jogadores cantavam e dançavam, abraçando-se emocionados, depois de uma verdadeira batalha.
Os atletas do Canhedo, mesmo desolados, agradeceram o apoio dado pelos torcedores. O artilheiro do certame Suzuki, com 28 gols, passou em branco no jogo, mas saiu satisfeito com a campanha do time nesta edição do Chuteira de Prata. “Participação excelente, ninguém dava nada pela gente, e mesmo assim fomos eliminando os favoritos. O time é isso: não foi campeão, mas lutou até o fim”, comentou o matador do Canhedo.

A bola do jogo era do Canhedo, mas o troféu ficou com o Só Resenha
O autor do gol do título, o camisa 16 Murilo, não gostou da desatenção do Só Resenha durante o segundo tempo: “Começamos bem o jogo, abrimos 3 gols de vantagem, mas voltamos para a etapa final desacordados, daí o sofrimento”. Murilo não escondia a satisfação de ter sido o herói da decisão: “Essa sensação é a melhor coisa que tem!”. O capitão Chris Nicolas ergueu a taça, para o delírio dos resenhistas.
Fim de torneio com um saldo positivo. Times fortes na Prata valorizaram os acessos de Fúria, Fora de Série, Só Resenha e Canhedo Beppu à Série Ouro. Porém, só um poderia ficar com o título, e coube aos atrevidos e rápidos meninos do Só Resenha o trabalho de levar o Grande Troféu Chuteira de Prata para casa. De forma merecida.
Comentários (0)