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CHUTEIRA NEWS ESPECIAL: FINAL DA SÉRIE PRATA

FINAL I TORNEIO CHUTEIRA DE PRATA:
20 de junho de 2009
PlayBall Pompéia, quadra 5
PRIMATAS 5 x 3 TREINADORES DO BRAZ


PRIMATAS DECIDE NO FIM E LEVA PRIMEIRO TÍTULO DA SÉRIE PRATA



Vitinho levanta a taça: Primatas campeão com MVP, MVG e um dos artilheiros


TEXTO Guilherme Meireles
FOTOS Guilherme Meireles e L. F. Fernandes

Após mais de três meses de competição entre doze equipes inscritas, o Chuteira de Prata finalmente saberia quem seria o grande campeão na tarde do sábado dia 20 de junho. Em campo, Treinadores do Braz e Primatas, terceiro e quarto colocados respectivamente na primeira fase. Favorito na partida? Bom, para começar, poucos acreditavam em uma final sem Arouca e/ou Roleta Russa. Portanto, para a emoção das torcidas que lotaram a arquibancada da quadra 5, a primeira edição do Chuteira de Prata chegou a seu último jogo sem dar a mínima idéia de quem seria a melhor equipe.


Primatas: sem Rafinha, suspenso (no meio, de shorts jeans), superação e tática foram a receita para ser campeão


A torcida do Primatas estava em maior número, mas a do Treinadores também marcou presença. Os dois torcedores mais fanáticos do lado azul e branco eram o sobrinho do zagueiro André Meraio e o irmão do goleiro Criança. Perguntado sobre quanto seria o jogo, este apostou num 3 x 0 para sua equipe e foi alem – “Meu irmão vai pegar um pênalti”. Entretanto, Criança não pegou pênalti – nem teve oportunidade para tanto – mas fez grandes defesas quando exigido, mas quem brilhou mesmo foi Vitinho, goleiro menos vazado e MVG do torneio.


Treinadores do Braz: vice-campeonato coroa campanha de volta ao Chuteira de Ouro


Os árbitros deram início ao jogo, que começou com uma marcação pesada e forte por parte do Treinadores, fazendo valer sua superioridade na força física já que é um time de jogadores veteranos comparado com um Primatas recheado de garotos (com exceção do “veterano” Feliz). O Primatas tinha um adendo de desvantagem: não tinha Rafinha, suspenso, e seu banco era composto por apenas dois jogadores. O cansaço jogaria contra o Primatas?

Se jogaria contra, o Primatas tratou de deixá-lo para o fim, pois desde o apito inicial que o time postou-se na defensiva, em seu campo, esperando o adversário. A aposta parecia clara: contra-ataques rápidos para cima da grandalhona defesa do Treinadores. Mas a tática parecia que daria errada quando, de tanto marcar e apertar o adversário, o TdB inaugurou o placar com Peruca, que recebeu linda assistência de Índio, levantando com categoria a bola, e mandou de primeira a bola no ângulo direito de Vitinho, que ainda se esticou como pôde mas não conseguiu alcançar. Renê, o velho artilheiro, da arquibancada se resumiu a repetir 3 vezes: “Que golaço”.

Instantes depois, a mesma dupla quase marcou o segundo gol só que com papéis inversos desta vez: Peruca dominou na esquerda e cruzou para Índio que vinha fechando na boca do gol com o goleiro quase vencido no lance. O camisa 9 do Treinadores deu um carrinho para tentar desviar a bola, mas não alcançou e a bola atravessou a área e saiu.

A impressão que ficava era de que o Treinadores engoliria o Primatas, que em alguns momentos demonstrava nervosismo. Mas o TdB arrefeceu e o Primatas começou a se arriscar no ataque. Gus chutou forte de fora da área e obrigou Criança a fazer uma defesa extraordinária, dando um leve toque na bola quando ela já estava entrando no ângulo. Este lance em especial mostrou que a defesa do Treinadores jogava de maneira inteligente, não deixando o adversário penetrar muito em seu campo e assim levar perigo ao gol. A solução encontrada pelo Primatas foi chutar de longe. E de tanto arriscar de fora da área, uma hora deu certo: Guerrero empatou a partida em chute rasteiro de longe no canto esquerdo do goleiro, que foi atrapalhado por ter muita gente no meio do caminho. Coisas do futebol.

Enquanto o placar apontava 1 x 1, o jogo ficou um tanto chato, com as duas equipes criando menos chances. Chato, porém leal, o que as poucas faltas no decorrer da partida demonstram. Quando questionado antes do jogo sobre a expectativa de apitar uma final, um dos árbitros afirmou já estar com medo. Claro que ele não disse com essas palavras educadas. Mas, durante o primeiro tempo, o mesário comemorou as poucas faltas que estavam sendo marcadas. O que o mesário não falou, mas deve ter pensado, é que todos esperavam um jogo conturbado por se tratar do Primatas, um dos times que mais se envolveu em polêmica durante o torneio, e o Treinadores, que chegou a ser apelidado durante a competição de Encrenqueiros do Braz. O fato é que na final as duas equipes estavam se portando bem até então.


Antes, durante e depois: torcida do Primatas não parou um minuto de buzinar, torcer e soltar a fumaça vermelha de apoio aos jogadores


Quando a partida ganhou ritmo outra vez, o Primatas começou a mudar de postura. A defesa do Treinadores não parecia mais a mesma – até porque saía mais para o jogo e deixava espaços para o contra-ataque, principalmente pelas laterais, por onde Orley e Gus tentavam as jogadas – e assim o Primatas conseguiu chegar mais perto do gol e parar de chutar tanto de fora da área. Desse modo veio a virada, com Nando, que recebeu passe majestoso de Orley da esquerda virando o jogo por onde corria livre, sem marcação alguma, Nando. Ele teve calma para matar, avançar e tocar no canto esquerdo de Criança.

O Primatas quase ampliou com Feliz: ele chutou da entrada da área pelo meio e o goleiro só acompanhou a bola que passou muito próximo à trave esquerda. Quem começou a parecer nervoso a esta altura do jogo foi o Treinadores do Braz: Leandro entrou em campo e não conseguiu acertar quase nada! Além disso, o time perdeu uma chance clara de empatar a partida após Gafanhoto cruzar da esquerda deixando Peruca na cara do goleiro. Mas o atleta do Treinadores perdeu um gol que ele não costuma perder, dando um voleio na cara do gol e mandando muito longe. Logo depois, a segundos de encerrar o primeiro tempo, o mesmo camisa 10 recebeu livre na esquerda e tocou para o gol na saída de Vitinho, que aceitou por debaixo das pernas e permitiu o empate no minuto final.

Na volta para a segunda etapa, o Treinadores se mostrou bem superior no começo, parando apenas nas ótimas defesas do goleiro do Primatas, que se transformou num paredão: primeiro em chute da esquerda de Binho, depois após Peruca avançar pela esquerda e chutar para ver o camisa 1 espalmar de forma extraordinária. Mas a única bola que Vitinho não pegou foi chute fraco e rasteiro de Binho, após este costurar a defesa do Primatas toda pelo lado direito de seu ataque. Ele cortou para o meio chutou no canto direito do goleiro, que nada pôde fazer. Mas o goleiro do Primatas continou sendo o nome do segundo tempo: Juba bateu de longe uma falta e lá estava ele para espalmar mais uma vez. Em seguida, o menino de esparadrapo na orelha para proteger o brinco salvou novamente sua equipe, desta vez com o pé. A impressão que deu é que o goleiro do Primatas passou o intervalo pensando em como responder dentro de campo aos que o chamaram de frangueiro no lance do segundo gol do Treinadores.

Porém, o Primatas não estava morto e teve de sair para o jogo em busca do empate. Guerrero avançou pela esquerda, mas na hora do cruzamento a defesa do TdB travou bem a jogada. A partir daí, o Treinadores cometeu o mesmo erro da primeira etapa: de uma hora para outra começou a demonstrar cansaço, deixando o Primatas crescer na partida. Em cobrança de falta na direita do ataque, Nando chutou e empatou o jogo. Um novo nome surgia na partida. E ele seria o grande nome do jogo ao lado de Vitinho.


Nando, o nome do jogo: camisa 12 do Primatas vibra muito ao empatar o jogo em 3 x 3, no que seria o segundo de seus 3 gols na grande final


Quem está lendo esta matéria provavelmente se surpreendeu porque o nome do jogador mais “badalado” do Primatas não havia aparecido até então: Orley, além do belo passe para Nando virar o jogo na primeira etapa, de fato não fazia uma boa final, até porque o Treinadores deu atenção especial a ele depois que ele acabou com o Arouca nas semifinais. Mas se Orley não jogava muito bem, ele não deixou de se envolver em polêmicas, como ao ficar caído com as mãos no rosto afirmando que teria levado um soco do recém entrado Anderson, que parece ter entrado só para isso (afinal, foi a confusão se formar que todos do Treinadores, especialmente o goleiro Criança, mandaram ele deixar o campo). Segundo o jogador do Treinadores, o do Primatas teria levantado o cotovelo intencionalmente para atingi-lo e o revide foi a solução. Portanto, se Orley não era o nome do jogo, era o nome mais xingado por parte da torcida do Treinadores, que não perdoou e pegou no pé dele o resto da partida.


Apesar de não brilhar como na semifinal, Orley não deixou de ser polêmico: provocação lhe rendeu um sopapo do adversário que o levou ao chão


O jogo começou a ficar nervoso pelas duas partes, pois o jogo já ia chegando à reta final e qualquer gol tinha peso de gol de ouro. Com certeza teria ficado mais nervoso ainda caso a taça que brilhava sobre a mesa do mesário tivesse se despedaçado após quase levar uma bolada. Em campo, a partida passou um período de poucas chances, nitidamente resultado da preocupação dos times em não se expor e dar o contra-ataque ao adversário. O jogo ficou preso no meio de campo.

E eis que o Primatas, ainda se defendendo mais, conseguiu um escanteio. E num momento que o Treinadores estava martelando atrás do gol da vitória. No arremate da cobrança, surge o pé de Gui Fenômeno para acertar um belo chute que pareceu desviar no meio do caminho e enganar o goleiro. O fato é que a bola entrou e o Primatas, com quase 22 minutos jogados no segundo tempo, conseguia o quarto gol e ficava muito próximo do título.


Gui Fenômeno carrega taça de campeão: gol decisivo aos 22 minutos do segundo tempo saiu de seus pés, o que lhe rendeu uma estrela e o troféu de MVP da competição


A partir daí, era tudo ou nada para o Treinadores, que foi para cima com tudo para tentar o empate e levar o jogo para a prorrogação. E no que o time atacava, o Primatas devolvia com um contra-ataque. Nando ainda teve a chance de fazer o quinto quando ganhou de dois adversários, entrou na área pela esquerda mas acabou chutando à esquerda do gol. Porém, aos 25 minutos, o Treinadores vacilou novamente ao persistir no erro de deixar Nando livre, que pegou mais um contra-ataque com muita liberdade pela esquerda. Ele não teve trabalho de correr, invadir a área da mesma maneira que tinha feito há pouco, mas desta vez teve mais calma para tocar no canto e marcar o quinto gol do Primatas, fechando o placar em 5 x 3 e decidindo quem era o dono do título.

Já rolavam os acréscimos e a torcida do Primatas já esboçava a comemoração com fumaça vermelha, buzinaço e gritaria, coisa que só aumentou com o soar do apito do árbitro encerrando a primeira edição do Chuteira de Prata.


Sob o sol do quase inverno paulistano, Daniel, manager da Série Prata, entrega taça ao capitão Vitinho


Parte da torcida entrou na quadra para comemorar com os atletas e o gramado foi tomado por muita festa e emoção. Os jogadores não paravam de lembrar dos que duvidavam do Primatas. E, todos sabem, não eram poucos até porque a equipe fez uma campanha regular na primeira fase com cinco vitórias, dois empates e três derrotas. Enquanto isso, os jogadores do Treinadores do Braz estavam muito tristes e abatidos, com muitos a chorar em campo. Criança e Juba eram os mais desolados e foram confortados pelo capitão João Lucas.


Após passar por cirurgia no joelho ao romper ligamento na 3ª rodada, Nelsinho esteve na final para apoiar seu time, nos bons e nos maus momentos, como ao consolar o goleiro Criança depois da derrota


A partir de setembro, Primatas e Treinadores, campeão e vice do I Chuteira de Prata, estarão disputando o título do Chuteira de Ouro com as equipes mais tradicionais do Chuteira. E, a contar as provocações do Primatas, o time já chega com panca de mala e falador, coisa que terão de comprovar em campo. O Roleta Russa parece que já ganhou um rival à altura no quesito antipatia e torcida contrária.

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