Depois de seguidas e frustradas eliminações na Ouro, e um vice do time júnior na Prata, o tricolor do Chuteira finalmente solta o grito de campeão. Marquinhos Bohn brilha com golaço e troféu de MVP da competição
TEXTO e FOTOS Weinny Eirado

“AROUCAMPEÕES”: time soube se defender 40 minutos e matar o jogo nas poucas chances criadas
Debaixo da leve garoa que teimava em cair, e com os últimos raios do sol que já desaparecia em meios aos prédios no horizonte do simpático bairro da Pompeia, os dois melhores times da competição iam para o seu terceiro jogo naquela tarde, o sétimo no campeonato. Era o inicio da grande final do V Festival Bola na Rede. De um lado, o fortalecido CAV, que após cair nas semifinais da última Bronze diante do Rabeloska trouxe excelentes reforços, como Paulinho e Bettoni, ambos do My Balls. Do outro, o conjunto de jovens talentos do esquadrão formado pelo Arouca – na verdade, uma mistura entre time principal e juniors.

No inicio do jogo, até os 10 minutos do primeiro tempo, a pequena torcida que se encolhia debaixo do telhado de alumínio da quadra 5 não viu muita coisa. Ambas equipes pareciam entrar com muita cautela, lembrando muito a última final do Festival, entre o extinto Red Devils e o até então estreante Cachorro Velho. Jogo morno, porém tenso. Muitas bolas roubadas no meio campo e um pouco de pressão na saída de bola renderam momentos de preocupação para os dois lados. Por quatro vezes o Arouca subiu no canto esquerdo da quadra para cobrar um escanteio. Contudo, em nenhuma delas levou perigo à defesa comandada pelo habilidoso zagueiro Diego Bettoni.
Até que aos 11 minutos, Marquinhos Bohn cobrou falta de trás do meio campo e deixou o goleiro Johnny preocupado. A partir daí, o clima começou a esquentar. Esquentou tanto que, aos 16 minutos de jogo, Bettoni deu uma entrada mais dura em Cadu pelo lado direito. O camisa 32 do Arouca voou na grade e acabou saindo contundido. Com o joelho inchado, Cadu reclamou que Bettoni teria usado de força excessiva e o acertado por trás.

Marquinhos Bohn: com 8 gols anotados em todo o torneio, camisa 8 leva seu segundo prêmio MVP pra casa
Menos de dois minutos após a falta, uma grande chance do Arouca que quase foi desperdiçada. A bola chegou em velocidade, cruzada à área, mas tanto Renanzinho quanto o goleiro Johnny perderam o tempo da bola e furaram. A pelota já caminhava para a lateral esquerda, e quando todos acreditavam que a jogada tinha acabado, Caio Gothardo apareceu chutando uma bomba para o fundo das redes. Gol do Arouca!
No último lance do primeiro tempo de perigo, Paulinho Caieiro limpou a jogada pelo meio e bateu forte, mas a bola cruzou a frente de Mauricio e saiu pela direita. No intervalo, as orientações de Roberto para os jogadores do CAV e Galizé para os do Arouca resultaram em mudanças de posturas de ambas as equipes.

Bettoni foi o destaque do CAV no torneio: zagueiro marcou muito – à vezes até demais, como em lance com Cadu ou em bolada aplicada em jogador agachado (foto) – e até fez gol, como o golaço contra o Fora de Série
Agora iluminados pela luz dos refletores, as camisas ensopadas por um misto de suor e chuva brilhavam ao som do apito do árbitro para que a bola rolasse na etapa derradeira. Seriam 20 minutos para tudo ou nada. Logo no inicio, Rodrigo Cunha mandou uma bomba em cobrança de falta e obrigou Johnny a fazer boa defesa. Porém, pouco depois, o goleirão do Só Canelas emprestado ao CAV não pode salvar a bola de Felipinho, que recebeu de costas para o gol após lance de sorte do passador – que tocou, a bola bateu na defesa do CAV e foi parar para o autor do gol – e, da entrada da área, demonstrou talento ao girar rapidamente e bater no canto. Betonni nada pode fazer dessa vez. 2 x 0 para o Arouca e festa da multidão de atletas no banco da equipe. “O Arouca não tem um banco de reservas, tem um coral uniformizado”, ironizou um torcedor.
Para quem achava que o jogo tinha acabado, Paulinho mostrou que o CAV ainda estava vivo no jogo. Em cobrança de escanteio pelo lado direito, ele mandou uma cabeçada que mais se pareceu com um chute devido à força com que a bola explodiu no travessão. Foi o primeiro susto no time tricolor do Chuteira que o CAV dava, pois o time, apesar de ter posse de bola, não conseguia adentrar a área aroucana mediante tamanha marcação dos 6 jogadores de linha da equipe.
A partir daí, o Arouca se fechou mais ainda, dificultando também mais ainda o toque de bola no campo ofensivo do adversário. As únicas oportunidades do time “grenal” vieram quase de trás do meio de campo, com chutes sem muito perigo. Até mesmo o experiente Lele, bicampeão do Festival com o Joga 13 e segundo maior artilheiro da história do Chuteira, acabou anulado pela boa marcação do Arouca, que tinha em Vitão e França o ponto de segurança na defesa. Seu companheiro de ataque, Caio Fleischmann, não conseguia passar do ferrolho armado na entrada da área. O CAV vivia de jogadas de Paulinho, que abusava da individualidade e trocava “carícias” com os braços com os defensores. Num desses lances, deixou o braço muito no alto e recebeu um cartão amarelo. Quando voltou, não tinha mais a mesma pegada. O barco do CAV começava a afundar em meio à água ralinha mas chata que caía do céu.
Na metade da segunda etapa, a tática do desespero de todo time que está perdendo e precisa sair para o tudo ou nada – Johny deu lugar a Quintanilha para fazer o goleiro-linha. Era a tentativa de ganhar um jogador a mais na saída de bola. Às vezes a tática dá certo; na maioria não. E eis que numa dessas jogadas arriscadas de armação no campo de defesa, Marquinhos Bohn roubou a bola e marcou um golaço ao encobrir o camisa 17 do CAV. Um belo gol, com a assinatura do jogador eleito melhor do campeonato.

Arouca sem freio foi o mote da comemoração: segundo título em menos de duas semanas para o tricolor
No último minuto, Quintanilha ainda tentou levar perigo num chute de longe, mas não dava mais tempo. Final de jogo e festa do Arouca, que após diversas tentativas fracassadas no Chuteira chegou à sua primeira conquista na Liga. Do outro lado, uma divisão entre a frustração de novamente pintar como um dos favoritos, mas não conseguiu levantar o caneco, e o sentimento de ter feito o que pode, mas consciente que o adversário foi superior.
“É um time que, quando mexe, possui jogadores com a mesma qualidade no banco. É um time bem completo”, analisou Roberto Solcia, técnico do CAV, após a partida. É a segunda derrota do técnico em finais, lembrando que com o Maciota´s ele perdeu nos pênaltis para o Diabos Negros.

Capitão Vitão levanta a taça após receber do arroz de festa em entrega de troféus
Rodrigo “Che” Barath
Vitão, capitão e manager do Arouca, era só alegria, não só pelo título mas muito pelo ótimo desempenho do time – 7 jogos e 7 vitórias. “Estamos batalhando desde 2009 por isso. Há duas semanas ganhamos nosso primeiro título em quatro anos de clube”, lembra ele, referindo-se à conquista da Copa Paulista, quando derrotaram o Bengalas no shoot-out. Esperançoso para o semestre que começa, ele deixa o recado: “O Arouca vem pra chegar, podem anotar”.
O técnico Galizé também ressaltou o bom momento da equipe. “Tá merecendo [títulos] há muito tempo. É muito tempo junto. E time que é bom merece que ganhar sempre”, explicou o técnico, que já adianta que vai voltar a jogar – no Juniors – este semestre. Sobre a final, ele acredita que seu time foi melhor na estrutura tática, mas não deixa de exaltar a garra do CAV. “Não tenho dúvidas de que CAV e Rabeloska brigarão pela Prata.”
Eleito MVP da competição, Marquinhos Bohn exaltou o espírito de grupo dentro da equipe: “Se é um que ganha, são todos que ganham”. Ele ainda agradeceu aos companheiros: “Eu jogo pelos caras. Não acho que sou o melhor, é o conjunto, um grupo”.
O Arouca chega ao XII Chuteira de Ouro com moral de campeão e favorito ao título, sempre ao lado do tricampeão SNG e jovens equipes como Mulekes e o atual campeão Real Paulista. O CAV, mesmo com a derrota, prova que o time está amadurecendo e tem um elenco poderosíssimo para a disputa da Série Prata, quando, mais uma vez, divide com o Rabeloska o rótulo de favorito.
Comentários (0)