O VII Chuteira de Ouro começou e, depois de duas rodadas, os times parecem já estar jogando em ritmo de mata-mata. O que se vê em campo é um equilíbrio impressionante e, mais do que isso, um alto nível da competição. A tabela de classificação é a prova viva disso. Um torneio em que os empates sempre foram raros e geralmente ocorriam em jogos feios e sem brilho passaram a ser um resultado razoavelmente freqüente. Dos 16 jogos, 3 deles terminaram empatados. Foram eles: Melville x EB, Bacana x Bengalas e MachuPichu x Fiorella.
Em duas rodadas podemos ver apenas dois times com duas vitórias e 6 pontos – Kadência e Acidus, seguidos de outros quatro com quatro pontos, a saber: MachuPichu, Bacana, Equipe Bróder e Bengalas. Atrás deles vêm os demais, e são 6 times que não perderam. Fechando as contas, dentre os 18 times da competição, apenas seis ainda não pontuaram (incluindo Fiorella Brasil, que, devido ao WO na 1ª rodada e a perda de um ponto, chega a zero pontos com o empate na última rodada). O mais impressionante é quem são esses times: entre as surpresas estão Joga 13, Estudiantes de La Vila, Fiorella e The Veras, ao lado de Tosco e Giro SP. A contar que esses times são tradicionais e com ótima qualidade, é questão de tempo para começarem a vencer e a subir na tabela, o que leva a crer que ninguém está garantido na ponta da tabela.
Além de todos os times considerados “grandes” e tradicionais, existem outros que gostam de beliscar pontos e surpreender ao longo da competição. Dentre eles certamente estão MachuPichu, The Veras, Atlético Pagalanxe e os renovados Kiaka (ex-Aurora) e Fora de Série. E a ação “Robin Hood” já começou: MachuPichu empatou com favorito Fiorella; Pagalanxe derrubou o vice-campeão Estudiantes e o Fora de Série colocou o sempre favorito e bicampeão SNG para correr.
A tendência, independente de ser Grupo A ou B, é que a briga pela classificação seja cada vez mais disputada e decisiva, com os jogos ganhando cada vez mais importância. Prova é o que disse o capitao Caio, do Estudiantes, em entrevista essa semana. Com duas derrotas, o time joga todas suas fichas na “decisão” deste sábado contra o The Veras, que com um jogo apenas também não pode nem pensar em perder. Ou seja, diferentemente de edições anteriores, quando ainda era possível “escolher adversários” e saber daquele jogo que se contava com 3 pontos, atualmente os times não podem bobear e qualquer ponto perdido pode ser letal para classificação e melhores posições.
Entre os jogadores, os nomes que mais se destacaram sempre foram de Renê e Lele, que polarizavam a briga pela artilharia até a chegada de Paulinho, que suplantou os dois na última competição. Mas hoje, com Renê fora de combate e o Joga 13 de Lele em má fase (o artilheiro ainda não marcou), Paulinho tem na disputa novos nomes, muito bem vindos por sinal. Ritolê, do Bengalas, é o atual artilheiro, com 5 gols, seguido de Paulinho e Demehur, do Bacana, ambos com 4 tentos. Mas muitos outros jogadores estão mostrando e se candidatando a MVP e artilheiro. A expectativa é que este Chuteira seja o mais equilibrado em termos de premiação individual, até em razão das ausências de Renê e Caio, dois sempre favoritos aos troféus.
Assim, é possível elaborar uma lista de ótimos jogadores aptos à concorrência. Além dos já citados, pode-se lembrar os colegas ofensivos de Demehur no Bacana, Yanes e Rômulo; o surpreendente Thiago Branco do MachuPichu; a revelação Rodrigo Cunha, do Fora de Série; as promessas Kinho e Doidinho, do The Veras; a dupla biônica Felipe e Alemão, do Melville; Julio Cruz, do Pagalanxe; Lapa, que voltou a ser decisivo para a Equipe Bróder; e a dupla “só lance” do Acidus, Philip e Ronei, entre outros da equipe.
Nunca o Chuteira de Ouro se mostrou tão equilibrado e tão disputado. Com a Série Prata, a tendência é sempre de melhorar cada vez mais. O único quesito que o Chuteira de Ouro parece não ter equilíbrio é em termos de audiência: enquanto uns jogos trazem público de mais, outros têm de menos. Foi melancólico ver Bacana x The Veras quase sem público. Mas uma coisa é certa: cheio ou vazio de gente, o Chuteira de Ouro está tomando um baile em termos de público do Chuteira de Prata. Neste a casa vive cheia.
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