Real Paulista 3 x 1 Med Taubaté
REAL PAULISTA FAZ JOGO PERFEITO E É NOVO CAMPEÃO DA OURO
Final foi marcada por muita marcação e toque de bola. No final, a raça com que se defendeu, representada por Márcio Mariano, e a habilidade no contra-ataque, em campo na figura de Fofão, foram cruciais para o Real Paulista e derrotar os médicos e levantar o caneco
TEXTO Luiz V. Andreassa
FOTOS Weinny Eirado
Já era uma final surpreendente, inédita. Os favoritos haviam caído. As apostas foram contrariadas. As duas melhores equipes da Série Ouro agora duelavam pelo grande título, pelo direito de ser a número 1 do Chuteira depois de um longo tempo de supremacia entre Bengalas e SNG. Depois de todos os percalços, de todas as dificuldades para se classificar para o mata-mata, o Real Paulista se agigantou na fase decisiva e derrubou os adversários com muita raça. O Med Taubaté, terceiro colocado no mesmo grupo, também havia mostrado todo o seu poder de decisão e chegou merecidamente à final.

Antes do jogo, a foto que vai para o pôster: Real Paulista, campeão do XI Chuteira de Ouro
Apesar de ambas as equipes já merecerem o título por suas campanhas na fase eliminatória, só uma poderia levantar o caneco. E apesar de ter criado a primeira chance clara quando o uruguaio Javier aproveitou uma sobra na área e só não abriu o placar porque Raphão travou na hora certa, o Med assumiu uma postura mais defensiva na busca pela vitória. O Real Paulista tinha mais posse de bola e a tocava de pé em pé, invertendo os lados das jogadas em busca de um espaço na bem armada defesa taubateense. Já que estava difícil no coletivo, Fofão tentou na habilidade, na jogada individual, desequilibrar: o camisa 9 dominou pelo lado direito, driblou Aníbal e bateu rasteiro cruzado para defesa de Irineu.
Aos 7 minutos, Márcio Mariano resolveu arriscar um lançamento – ou chute – do campo de defesa. A bola passou por todo mundo e chegou mais uma vez em Irineu, que desta vez deu um susto em seus companheiros ao defender todo sem jeito uma bola que não trazia dificuldades. Fofão também resolveu arriscar e bateu de fora da área, errando por pouco o alvo. O rival, por sua vez, buscava aproveitar os contra-ataques, mas não tinha muita felicidade nessas tentativas, até porque o Real, apesar de atacar mais, não deixava a retaguarda desguarnecida. Exemplo disso foi o lance em que Javier conseguiu passar no drible por uns quatro adversários antes de sucumbir diante do paredão formado à sua frente por mais marcadores.
O panorama continuava favorável à esquadra merengue e o gol só não saiu por pura falta de sorte. O zagueiro Márcio resolveu tentar mais uma vez de longe, só que agora com muito mais competência, e acertou o ângulo de Irineu. O goleirão saltou, encostou na bola e viu-a bater na trave e não entrar. O Med Taubaté via o rival se sentir mais à vontade em quadra e o perigo rondar a sua meta, situação que exigia uma reação. Foi assim que a equipe vinho começou a sair mais para o jogo e conseguiu equilibrar as ações. O primeiro a fazer isso foi Bruninho Del Sasso, que quase abriu o placar ao receber belo lançamento de trás e chegar cabeceando livre dentro da área. A tentativa foi evitada pela bela intervenção de Alemão.

Med Taubaté, vice-campeão do XI Chuteira de Ouro
A resposta não demorou a vir em outro lance de Fofão, parecido com aquele de minutos atrás, desta vez com um drible mais bonito só que com uma finalização para fora. O relógio já marcava 20 minutos quando, do outro lado da quadra, Aníbal recebeu lançamento e passou para Rogerinho chegar chutando e só não marcar porque a zaga chegou bem para travar e tirar. O camisa 6 ainda teve outra chance ao aproveitar a sobra de uma tentativa de Bruninho e bater cruzado de primeira com muito perigo pela linha de fundo.
O Real também assustou com uma finalização não tão incisiva de Marquinhos, a qual Irineu de novo resolveu colocar emoção para defender ao soltar a redonda e depois conseguir ficar com ela. Mesmo assim, a última boa oportunidade da primeira etapa foi do Med: Aníbal mandou um voleio sem pulo de primeira pelo lado direito, obrigando Alemão a fazer boa defesa.
Assim foi o contexto dos primeiros 25 minutos: o Real começou melhor e teve maior posse de bola em boa parte do tempo, o que lhe ajudou a criar algumas chances; com a necessidade de responder, o Med partiu para cima e conseguiu também algumas oportunidades, mas o mais importante foi conseguir reequilibrar as ações e não deixar o rival gostar do jogo. O que faltou mesmo foi bola na rede, o que as equipes estavam dispostas a mudar no segundo tempo para evitar problemas e o sufoco da prorrogação – e também dos pênaltis.

O Real Paulista teve posse de bola e soube matar o jogo no contra-ataque: Pedrinho abriu a contagem após sobra dentro da área e segurou o jogo quando precisou
Entretanto, desta vez quem começou melhor foi a equipe dos médicos, mostrando que não cederia facilmente o domínio da partida ao rival. Logo nos primeiros segundos Javier já avançou pela esquerda, saiu da marcação e, mesmo sem muito ângulo, bateu para o gol, exigindo que Alemão botasse a bola para escanteio. O camisa 9 apareceu em lance posterior também, agora cobrando escanteio curto para Aníbal chegar mandando uma bomba cruzada de sem pulo. Seria o golaço para abrir o marcado em favor do Med, não fosse a falta de sorte da bola ter raspado a trave e saído pela linha de fundo. Parecia que o gol era apenas questão de tempo tendo em vista também o domínio taubateense.
Porém, o Real Paulista mostrou que sabe usar a sua força nos momentos mais desfavoráveis, quando o rival parece mais perto da vitória ou mesmo quando ele – teoricamente – possui mais qualidade. São em momentos assim, de dificuldade, que aparecem os grandes jogadores, aqueles que suportam a pressão, aguentam o tranco e decidem pela sua equipe. Foi assim que Pedrinho apareceu. No lugar certo, na hora certa. Fofão havia arriscado de fora da área no meio do gol, e o que já estava anunciado aconteceu: Irineu soltou outra vez a bola, desta vez onde não podia. E lá estava o camisa 11, no segundo pau, livre para dominar e, com tranquilidade, mandar para o fundo das redes. Explosão merengue em quadra. Festa dos torcedores na arquibancada. Festa que só não foi maior na sequência porque Irineu defendeu em dois tempos nova finalização de Pedrinho, agora em contra-ataque.

Camisa 9 Fofão brilhou ofensivamente no segundo tempo e com dois gols decidiu o título para o Real Paulista
O tento acendeu os ânimos e botou fogo na partida. Agora o Med vinha com mais gana ao ataque e o Real se defendia com mais raça. O encontro destes dois opostos foi exemplificado pela jogada em que Rogerinho driblou a marcação e deu um chapéu mexicano em Marquinhos, o qual conseguiu se recuperar e mandou de carrinho a pelota pela linha lateral. O camisa 6 dos médicos continuava incisivo e sedento pelo gol e quase o fez aos 15 minutos, quando recebeu na entrada da área e bateu com competência. O lance foi rápido e gerou reclamações dos jogadores: a redonda pegou no travessão e depois no chão. Para alguns, ela entrou, mas pela velocidade que tudo aconteceu, fica difícil dizer se foi gol, pois a impressão foi de que a bola realmente não passou a linha.
Se o tento não saiu, pelo menos agora os taubateenses pareciam mais animados. Entretanto, o rival continuava a encontrar espaços nos contragolpes. Foi em um desses que Pedrinho recebeu passe no segundo pau e perdeu grande chance de ampliar ao mandar por cima. Pouco depois, o camisa 11 dominou na entrada da área pelo lado esquerdo e, de peito de pé, chutou com perigo para fora.
Com o final se aproximando a tensão só aumentava. O Real se defendia e tentava matar o jogo no contra-ataque. O Med Taubaté partia para cima quase na base do desespero em busca do empate. E foi justamente neste contexto que a final teve seu melhor momento, realmente com cara de uma grande decisão. Aos 24 minutos, Pedro Henrique teve chance de deixar tudo igual ao chegar pelo lado direito e bater fraco para defesa de Alemão. Na sequência, a resposta foi mortal. A esquadra branca encontrou o que vinha buscando durante boa parte do segundo tempo: o caminho para decidir o título. Caminho esse que passava pelo meio da quadra, que foi onde Fofão arrancou. O passe foi para a esquerda, onde Tuca apareceu para dominar e, sem ser fominha, passar para o mesmo Fofão concluir com o gol aberto e correr para o abraço. 2 x 0 e título na mão.

Uruguaio Javier (acima) e Rogerinho não tiveram vida fácil na final e não conseguiram romper a barreira defensiva do Real. Gol solitário saiu nos acréscimos apenas, quando partida já estava decidida
A sensação para quem via de fora era de que a partida estava decidida e que dificilmente haveria mais gols e mais emoção. Ledo engano. Javier quase descontou logo em seguida ao dominar na área e mandar uma bomba no poste. Mais uma vez, a trave foi quem impediu uma reação do Med. Não houve nem tempo para lamentar a chance perdida, pois Fofão tratou de aproveitar uma sobra na área e mandar no cantinho, sem chances de defesa para o guarda-metas. Era o terceiro gol e, agora sim, o grito de campeão podia sair da garganta dos jogadores e torcedores. Nem mesmo o gol de Bruninho Del Sasso, no qual ele puxou para dentro da área e bateu por baixo das pernas de Alemão, pôde conter a festa real.
Não havia tempo para mais nada. Não havia mais jeito de tirar o caneco das mãos de Panela, Pedrinho, Fofão e companhia. A comemoração foi totalmente merecida para a equipe que mais soube mostrar a sua qualidade nos momentos decisivos, que se classificou na bacia das almas na primeira fase, que chegou como zebra contra os seus adversários no mata-mata, que soube aceitar as suas limitações e explorar os seus pontos fortes, que não desistiu nas situações mais desfavoráveis, que teve coragem para atacar virando jogos importantes e raça para se defender quando precisou. O Real Paulista mostrou que, ao contrário do que se poderia pensar, não é um time feito de plebeus desacreditados. É, como o nome diz, uma esquadra feita de reis. Os novos reis do Chuteira de Ouro nesta temporada.
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