Se mudanças de elenco são constantes nos times do Chuteira, o Roleta Russa – aliás, os Roletas Russas – não foge à regra. Às vésperas de mais um torneio, as trupes principal e Olímpica da maior seita futebolística do Chuteira sofreram transformações que podemos chamar de radicais. Afinal, não é sempre que se vê um manager deixando a equipe principal para jogar ao lado dos garotos, ao mesmo tempo que um goleiro premiado com o troféu MVG dificilmente deixa a equipe que o ajudou a ser laureado. Pois no universo RR, tais coisas aconteceram.
O babalorixá-maior do Roleta Russa, o zagueiro Baru Matos, explica, detalhadamente por sinal, como estão as mudanças no plantel Roulette na entressafra do Chuteira: “No Principal a cara é a mesma... Caju e eu fomos pro Olímpico (mas como mal jogávamos não muda de fato a equipe). Trouxemos mais um homem ofensivo (Alemão) e outro segue em teste (Japonês). Já no Olímpico aconteceu algo bem radical. Do elenco que efetivamente disputou o último Chuteira, apenas sete continuam. Billy Joe, Phil, Folha e Casari pediram pra sair. E não estamos mais contando com João e Rachid. Metade do time foi remodelada! Saíram seis e chegaram três. Há possibilidades de mais três contratações, mas bem provável que pare por aí”.
O desmanche, se é que se pode chamar assim, do Roletinha não é uma novidade propriamente falando. “Isto tem sido de praxe a cada virada de semestre no Olímpico. Acho que muitos fatores ocasionam isso. Alguns se decepcionam com o rendimento do time, alguns ficam insatisfeitos com o pouco que jogam, outros não conseguem mesmo priorizar o campeonato. Ou seja, é o mesmo problema que a maioria dos times se desdobra para tentar driblar. Só digo que quem ficar que saiba balancear amizade e competição para tudo ficar bem, mesmo com derrotas. Pois elas virão! Só um time sai feliz de cada campeonato” – aponta Baru, dando seu recado.
Dentre todas as mudanças supracitadas pelo chairman, a que mais pegou de surpresa, sem dúvida, foi a do goleiro MVG da 2ª edição da Série Prata, Marcelo Casari, pois era notório o bom entrosamento entre Baru e Casari, uma das dobradinhas do Roleta – Baru jogava no principal e era técnico do Olímpico, enquanto Casari jogava no Olímpico e “tecnicava” o Principal. A saída de Casari foi mais surpreendente mesmo que a ida de Baru para o Roleta Junior. “Ninguém do time entendeu direito os motivos... Cada um palpita uma coisa, mas de tudo isto o único fato é que o Casari mandou um longo e-mail aos dois Roletas declarando que estava saindo, alegando esta ser uma vontade minha. Discordo de tal declaração, mas respeitei a decisão dele como fiz com Folha, Daniel, Louiz... Todos seguem meus amigos. Até o Rafão que me chamou de Jenjulão!”.
Sem polemizar, mas já polemizando, o goleirão, por sua vez, também deu sua versão à reportagem do Chuteira:
“Resumidamente o que aconteceu foi o seguinte: Após a quarta derrota em seis jogos pelo Roleta Olímpico, fiquei muito chateado e sai esbravejando com o time: ‘Estou cansado de perder!’. Depois disso, muito foi conversado e alguns e-mails trocados. Em um deles, o Dono do Roleta disse que eu andava muito nervoso e que eu deveria ir com calma, recomendação feita após eu fazer duas perguntas pertinentes a um assunto decidido pela comissão. Respondi perguntando o porquê do nervoso já que eu apenas havia feito perguntas e não críticas. O mesmo respondeu dizendo que não estava se referindo ao e-mail anterior e sim a um todo. Mais tarde recebi outro e-mail falando que seu eu quisesse sair que saísse, pois certamente seria muito bem recebido em outro time. Senti nas entrelinhas a vontade implícita dele para eu sair. Enfim, as palavras do Baru fizeram eu me sentir um qualquer, que não faria a menor diferença ficar ou não. E, apesar de ter recebido apoio de muitos da equipe, eu nunca passaria por cima da vontade do dono”, explicou Casari.
“Quando eu disse que estava cansado de perder, foi exatamente isso que eu quis dizer. Em momento algum eu afirmei que tinha a pretensão de sair do time. Sou um cara competitivo, tendo qualidade ou não, não importa, gosto de vencer é isso que eu queria e quero para o time”, completou, justificando sua atitude.
(Nota da reportagem: Casari assinou com o Fora de Série, que já ganhou a alcunha de Galácticos da Prata)
Polêmicas e desavenças à parte, em 2009, a equipe do Kremlin, rebaixada, disputou a Prata, mas sentiu o gosto de jogar a Série Ouro novamente. Entretanto, a campanha do volver pode ser considerada apenas mediana. Após se classificar em sexto lugar no Grupo A, com exatos 50% de aproveitamento na fase de grupos, a trupe foi derrotada pela, agora de férias, Equipe Bróder por 1 x 0 já nas oitavas. “Não ficamos nem um pouco satisfeitos. Estávamos bem na competição e, de repente, ainda na classificação, paramos de fazer gols e nos classificamos em sexto. Em seguida, eliminados pela EB num jogo horrível. Vai ficar satisfeito como?! Nem ficar na frente do Primatas ficamos... Ridículo! (risos)” – disparou o matemático do Chuteira.
Já o lado Olímpico da “Família Roleta” foi, por duas vezes no ano que se passou, eliminado pelo campeão da competição, por duas vezes contra times com nomes de animais, por duas vezes nas oitavas-de-final. Primeiro semestre, pelo Primatas, no segundo, pelos Indomáveis Elefantes.
“No primeiro semestre, só 4 equipes foram consistentes, por isso o Roleta Olímpico teve um caminho mais facilitado. No segundo semestre, achei os times mais competitivos. Mas é notório que o time teve uma melhor fase coletiva e individual no primeiro semestre também. Mas, no fim de tudo, a ordem dos confrontos influencia bastante o andamento do campeonato. No segundo semestre perdemos as 3 primeiras (Bucets, Real e Locomotiva). É difícil o time recuperar a autoconfiança” – discorre o presidente.
Abaixo um rápido bate-bola com o agora zagueiro do Roleta Russa Olímpico. Resta saber se ele irá assumir o Roleta principal como técnico, já que a saída de Casari foi ligada aos dois Roletas.
Com saída de Rachid e João, o quarteto fundador do Roleta Olímpico não está mais presente, pois antes tinham deixado o time Billy Joe e Cachopa. Tal informação divulgada pelo próprio Roleta pelo twitter não indica uma perda de identidade? O que você, como presidente-mor, pensa disso?
Quando o Roleta Olímpico foi fundado pela trupe do Cachopa, nunca se imaginou que chegariam a disputar partidas oficiais. Era um passatempo com amistosos contra "catados". Acho que é uma adaptação ao que o time está encarando (campeonatos). A brincadeira ficou apenas para as horas de rachão. Mas é evidente que sinto falta deles. Considero-os bons amigos, em especial o Cachopa, que é o irmão que não tive (queria ter a cabeleira dele também!).
Ainda no twitter do Roleta a Diretoria reclama da falta de comprometimento. A que se deve tal situação e como mudá-la?
Estamos tentando conseguir um time com mais da metade de "ponta-firmes". Sempre foi 50% em amistosos. Com a minha chegada, do Caju e do Bruninho (ex-Basicus), além da volta de Brian, que estava engessado, não acho que este tipo de situação voltará a ocorrer. Precisamos de mais um goleiro. Sempre fui adepto da ideia que não existe time com um goleiro só. Mas é incrível como o time inteiro pode revezar e goleiros torcem o nariz quando chega na posição deles.
Com toda essa metamorfose ocorrendo, o que esperar dos Roletas Russas no campeonato que se avizinha?
Poxa, o objetivo sempre é ter um time mais competitivo pra concretizar a trajetória que os leve ao título. Todos os times se reforçaram. Para continuar com ambição, algumas coisas sempre precisam mudar pra acompanhar o ritmo dos demais.
Como se sente indo jogar no Olímpico e a Série Prata?
Vejo a Prata hoje como o Chuteira de antigamente. Alguns times novos, algumas figurinhas carimbadas e uma incógnita grande de resultados (inclusive goleadas de 10). Agora os dinossauros todos estão lá... É lógico que estou indo por causa do time, mas estes detalhes são a pimenta que deixa um campeonato mais divertido, e este é o grande objetivo de jogar bola com os amigos.
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