No meio do ano, no festival, o Cachorro Velho debutava no Chuteira e já tirava o tricampeão SNG daquela competição. Na final, derrota para o Red Devils. No IV Chuteira de Prata, o Cachorro atropelava o favorito SPQSF como um rolo compressor nas quartas de final, para, em seguida, perder para o Red Devils. Tão boas campanhas chamaram a atenção para alguns jogadores, que foram convocados por outros times a disputar o Chuteira em 2011. Resultado: o Cachorro perdeu 3 atletas para equipes do Chuteira, além de outros que foram jogar na várzea.
Essa debandada fez o manager Thiago Barbieri, quando em entrevista que o leitor confere abaixo, clamasse à Organização entre risos: “Coloca o nosso jogo sempre no último horário porque foi muito difícil conseguir esses moleques. Não quero mais olheiro nenhum vendo os nossos jogos”.
Depois do Chuteira, o time deu uma parada, pois, conforme Thiago, “no fim do ano tava todo mundo arrebentado e precisando de férias”. Janeiro e fevereiro serviram para remontar o time. Às saídas de Marcão e Rapha para o Roleta Russa, recentemente se juntou a ida de Tché para o Arouca. Entretanto, a direção adverte: “Mas a gente já montou o novo time. A base continua a mesma, tivemos umas baixas de uma molecada bem importante, mas que já foram substituídos”.
Confira abaixo a conversa com Thiago e as expectativas dele para com o torneio que começa neste sábado:
Como o Cachorro Velho recebeu a notícia da saída desses jogadores?
Cara, é bem triste saber que uma molecada amiga esse semestre vai jogar em outros times. Mas o mercado do futebol é igual em todo lugar, na várzea, na terceira divisão do campeonato sueco e até no Chuteira: quem paga mais, leva. Perdemos Marcão e Raphinha para o Roleta e o Tché para o Arouca. Ainda perdemos Brunão e Argenta para um time da várzea. Mas futebol é assim mesmo. O pessoal tem que fazer o que acha melhor para si.
O time se reforçou com quem?
Bom, a gente não tinha “grana”. Então fomos atrás de uns desconhecidos no Chuteira.
Trouxemos até um cara que tava morando na França. Tudo amigo que já jogou com a gente na PUC. Vamos ver no que isso vai dar.
O Cachorro quase chegou à Ouro semestre passado. O que faltou para o objetivo?
Nosso time começou bem desorganizado, mas no meio do campeonato a gente se acertou. É difícil jogar sem técnico, mas no fim o time aprendeu a se respeitar. Chegamos à final do Festival no meio do ano e à semifinal do Chuteira de Prata. Perdemos as duas para o Red Devils, um time muito mais maduro que o nosso, com muita malícia, e ganharam merecidamente da gente com essa experiência. Eles tiveram poucas chances, mas fizeram todas. Coisa de time experiente. Acho que eles vão se dar muito bem na Ouro. Essas derrotas foram importantes pra gente crescer. Ser mais maduro e menos afobado nos jogos. Precisamos ser mais experientes dentro de campo.
Como enxerga o time neste semestre? Vem mais forte, menos ou igual ao time de 2010?
Um time igual. Com muita raça, que acredito ser o nosso grande diferencial.
Cachorro comendo grama sintética se precisar. A gente vem com muita vontade.
Todo mundo aqui gosta demais de jogar bola entre amigos e ninguém gosta de perder.
Vontade não vai faltar, mas também vamos precisar de uns jogos para o pessoal se conhecer dentro de campo.
Muitos já colocam o time como favorito no Grupo B. O que achou do sorteio e o que espera das equipes?
Ai, ai, lá vem vocês com essas de favorito. Depois nosso jogo fica cheio de olheiro, perdemos metade do time e vocês não sabem por quê! (risos) Não acho que somos favoritos. Se você pegar os resultados do ano passado, todos os jogos que a gente venceu foi por uma diferença pequena de gols. O que nosso time tem que eu acho um grande diferencial é a raça e isso não vai mudar.
O que eu achei do sorteio? Está bem difícil. Mais da metade dos times que estão lá chegaram até as oitavas de final e muitos passaram dessa fase. Vai ser difícil. Não vejo nenhum favorito nessa chave. Pra mim é sim o Grupo da Morte.
O time ainda é da PUC?
Esse time começou em 2004 na PUC. Quase todos os moleques jogaram lá, mas o tempo passou e todo mundo se formou. Mas claro que a vontade de jogar futebol com os amigos continuou. Quando a gente soube do Chuteira, corremos atrás e montamos um time com essa galera. Claro que tem uns moleques que nunca jogaram lá na PUC com a gente, mas até eles pegaram o espírito de ser Cachorro Louco (apelido do time da PUC). Foi até daí que a gente tirou o nome do time: Cachorro Velho. Um monte de cachorros loucos e velhos, mas ainda com muita vontade de ser campeão.
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