Quando o Roleta Russa chegou para o jogo contra o Beer Point pela 2ª rodada do V Chuteira, talvez esperasse uma vitória tranqüila, mas certamente não com a facilidade que foi fazer 20 gols numa partida, não tomar nenhum e ver seu mascote ser reverenciado até mesmo pelo artilheiro-mor Renê. O placar de 20 a 0 para o Roleta Russa, mais que indicar um time com poder ofensivo de primeira linha, mostra o quão frágil são algumas equipes que se juntam para jogar bola sem ter uma organização adequada e um planejamento que envolva comando e comprometimento. Dos 14 jogadores inscritos pelo Beer Point, apenas 6 compareceram ao jogo. Daí a elasticidade do placar e a preocupação de vários times de possíveis e futuros WOs.
Deixando de lado os aspectos negativos que a partida refletiu – algo que o Roleta Russa nada tem a ver –, a equipe alvinegra (parece que a camisa vermelha foi aposentada e deixada para segundo plano) do Bom Retiro mostrou que uma nova estrela surge no horizonte – Cachopa, o menino de óculos e cabelos quase maiores que ele mesmo. Com 8 gols na partida, deu show à parte e saiu do jogo como um verdadeiro herói.
Cachopa entrou no final do primeiro tempo e não saiu mais. Logo fez seu primeiro gol numa equipe sem um goleiro de ofício e com um jogador a menos. A torcida do lado de fora começou a se movimentar. Com o segundo gol Cachopa já era o rei da molecada, composta de amigos do jogador e que sempre acompanham o Roleta. Com o terceiro, algo de mágico havia naquele dia com o menino que está no Roleta desde o II Chuteira, mas pouco tinha sido aproveitado até então. Ao fazer seu quarto gol, jogadores de outras equipes do lado de fora alertaram Renê, o artilheiro do SNG e do Chuteira, de que o jovem camisa 6 estava endiabrado. Quando saiu o quinto, Renê não se agüentou. Pegou o troféu de artilheiro do IV Chuteira que tinha em mãos e queria entregar logo para Cachopa. No sexto gol, Lele, do Joga 13, ouvindo toda a gritaria em torno do último jogo da tarde, foi até a grade junto com sua equipe para ver o que estava acontecendo. Com 7 gols, não havia mais quem no PlayBall não soubesse que Cachopa passara Renê na artilharia da edição atual do Chuteira e iria passar uma semana com seu nome estampado no topo da lista de artilheiro do V Chuteira, nada mais nada menos tendo o nome de Renê abaixo dele (coisa que Renê não sabia o que era há tempos). Quando saiu o oitavo gol, Renê não pode segurar a emoção e invadiu a quadra para lustrar a chuteira do menino prodígio, autor de 8 gols (40% dos gols de sua equipe na partida) num único jogo. Foi a coroação de uma tarde perfeita.
“O Cachopa estava demais hoje (ontem). Fez 8 e se tivesse mais 2 minutos seriam 9 e ele se igualaria ao recorde de Ricci no III Chuteira, quando fez 9 gols numa única partida. O SNG vai esperar o campeonato para oferecer a ele um bom contrato”, declarou Renê, ao final da partida e depois de algumas cervejas.
De fato, Cachopa não se torna o maior goleador numa partida do Chuteira por muito pouco – Ricci, do MachuPichu, fez 9 contra o Dunguereguede. Mesmo assim, ele já ficou marcado na história por ser o único jogador a ser reverenciado pelo maior artilheiro do Chuteira e, claro, colaborar sua equipe a construir a maior goleada de um jogo do Chuteira. Cachopa era só sorrisos e alegria, tanto que não conseguiu falar muito a respeito após a partida, talvez ainda ludibriado pelo momento inigualável. Agora é curtir a fama e sua juventude e esperar por novas oportunidades.
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