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BRÓDER DESPONTA COMO TIME DO MINUTO FINAL

É indiscutível o talento e a competência da Equipe Bróder quando o assunto é Chuteira de Ouro. Além de ter conquistado os dois primeiros canecos da história do torneio, a esquadra do Compre Bem sempre mostrou um desempenho acima da média nas demais edições do campeonato. Mesmo que tenha largado mal em algumas destas edições, a EB nunca deixou de se classificar para o mata-mata – o que comprova a eficiência da trupe, uma vez que o nível do Chuteira aumenta consideravelmente a cada semestre.

Nesse torneio, o Bróder não tem feito diferente. A equipe segue na segunda posição do Grupo A com o formidável escore de 4 vitórias em 5 jogos. No entanto, um aspecto curioso – e, ao mesmo tempo, preocupante, se analisado por uma ótica mais racional – permeou as últimas partidas disputadas pelo time de Lapa, Mutssa e o veterano Marcelinho: a vitória da EB em 3 destes embates só veio nos instantes finais.

No duelo contra o Joga 13, clássico da terceira etapa, a EB virou nos acréscimos graças a uma falha de Caieiras na tentativa de deter um chute cego de Marcelinho. Em disputa com o The Veras, a virada veio com uma cabeçada de Gabriel, anotada quando faltava exatamente um minuto para o árbitro decretar o fim da partida. Por fim, no jogo contra o Primatas, Vitão não perdoou uma falha da zaga adversária e matou a partida poucos segundos antes do apito ressoar estridente na quadra 4. Milagre? Sorte? Ou raça pura? Seria a Equipe Bróder o time do minuto final?

O atacante Mutssa questiona a alcunha e explica que o segredo por trás das viradas épicas de sua equipe nada mais é do que resultado do entrosamento e da experiência do elenco. “A EB não é e nunca foi o time do minuto final. Quem assistiu aos jogos sabe. É que sempre tomamos gols bobos e temos que nos recuperar no final”, comenta ele. “O segredo sempre foi a união. Contamos com amigos, de muito tempo. Então fica mais fácil dar duro e cobrir o outro em suas deficiências”.

Mutssa ainda cutuca o rival Acidus e exalta a fibra da esquadra broderiana. “Sorte é coisa pro Acidus. Eles sim precisam de sorte. A gente é competente e estamos com o preparo físico, a vontade e a raça em dia”.

Já Lapa, capitão da equipe, acredita que as três vitórias consecutivas nos minutos finais não passam de obra do acaso. “Não somos o time do minuto final, não. É coincidência que ganhamos alguns jogos nos últimos minutos nesse campeonato”, afirma. Questionado sobre a possibilidade das conquistas serem fruto da sorte, o camisa 10 ressalta que o ponto forte da equipe do supermercado é a determinação. “A sorte pode ajudar um jogo ou outro... Mas o time tem 80% de aproveitamento. Isso é sorte? Bom, até preferimos que pensem assim! A EB é o time da raça e superação, isso sim”.

Em compensação, o modesto Gabriel afirma que, em detrimento dos últimos resultados da EB, o esquadrão alvirrubro merece, de fato, o epíteto de “time do minuto final”. “Só nesse Chuteira foram três. No último Chuteira, fomos eliminados pelo Bacana tomando o gol faltando uns 2 minutos para o fim. Então, o apelido é justo”, comenta. Porém, Gabriel acredita que o fato da armada broderiana reagir no deadline das disputas não consiste um problema, mas sim uma acuidade do time para com os desafios que enfrenta. “Acho que isso só prova que não existe jogo perdido e que tem que ter seriedade do primeiro ao último minuto”.

É importante salientar que esse empenho que a equipe diz manter ao longo de toda a duração de uma partida nem sempre é verdadeiro. No duelo contra o The Veras, por exemplo, os broders deixaram a desejar em termos de coesão e raça durante todo o primeiro tempo. Parecia que o time estava “economizando energia” para o final – momento em que jogou com uma resolução inabalável. Estratégia ou não, é evidente que esta é uma maneira de jogar bastante arriscada. Que diga a eliminação para o Bacana no torneio passado.

No entanto, parece que ou o time está penando para vencer as turbinadas equipes da Série Ouro ou está brincando com fogo ao deixar para decidir na última hora. De acordo com depoimento do craque Marcelinho, o caso da EB parece ser uma mistura das duas coisas. “Não teve um jogo nesse Chuteira que ganhamos com tranqüilidade, e confesso que o time está gostando disso. Todos os jogos foram jogão de bola. Isso mostra o equilíbrio do campeonato e vence sempre aquele que acredita até o último minuto. Tranquilidade é algo que não existe na EB e nós já nos acostumamos com isso”, explica.

Ao ser questionado, contudo, sobre como o time atuará nas partidas posteriores, o bem humorado Lapa revela que a EB pretende se esforçar para mudar esse quadro de sufoco. “Se pudermos fazer algum jogo ficar fácil para ganharmos com tranqüilidade, será uma honra”, fala rindo.

A despeito de toda essa polêmica, é fato que as emocionantes reviravoltas broderianas dão todo um colorido ao Chuteira de Ouro e fazem cair o queixo dos espectadores. Afinal, que fã de futebol não gosta de um jogo pegado e cheio de raça em que, nos últimos segundos, um lance milagroso decide tudo?
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