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AROUQUINHA OU ROLETINHA: A FAMÍLIA VAI CRESCER NA OURO

Equipes se enfrentam por vaga na decisão da Prata e, consequentemente, na Série Ouro do ano que vem. Com isso, já sonham em enfrentar a equipe principal

Time A, time B, expressinho... A grandiosidade dos clubes foi aumentando durante os anos a ponto até de ser criado um segundo time. Casos notórios como o São Paulo, de 1994, que tinha uma verdadeira seleção no seu time principal e formou uma equipe “reserva”, que acabou faturando a extinta Copa Conmebol. Ou o Barcelona, da Espanha, que de tanto jogador que possui acabou criando o Barcelona B. No Chuteira de Ouro duas agremiações têm casos parecidos: o Arouca e o Roleta Russa.

A grandeza destes dois gigantes contribuiu para que fosse criado o Arouca Jrs. e o Roleta Russa Olímpico. E eles se encontrarão em uma semifinal de arrepiar na Série Prata. Quem avançar à decisão irá carimbar passaporte à Ouro. Com isso, a possibilidade de haver enfrentamento entre o criador e a criatura é muito grande. “Seria inusitado. Não consigo nem imaginar, pois todos se conhecem. Sempre que podemos jogamos um contra os outros, porém, na brincadeira. Agora, valendo 3 pontos seria estranho. Esperamos poder chegar neste momento. Eles que se cuidem (risos)”, relata o ala e capitão do Arouca Jrs., Deh.

No futebol profissional é proibido o time A enfrentar o B em jogos oficiais, para não se formar um monopólio ou causar ambiguidade ao torcedor. Mas no Chuteira de Ouro não tem essa: um dos dois times poderá enfrentar a equipe principal sem nenhum problema. Inclusive isso já ocorreu: no I Chuteira de Prata, o Roleta Russa encarou o Olímpico, e se deu mal. Baru, maior expoente dos dois Roletas, é da comissão técnica do Roletão e zagueiro do Roletinha, e já sonha com o futuro: “A parada seria dura. Mas seria especial uma revanche do Roletão. Melhor que isso só uma final entre os dois na Ouro. Levaríamos aos pênaltis e chutaríamos todas as bolas para fora até amanhecer. Daí o Lucas (Pires) decretaria os dois Roletas como campeões. Sonhar pode”, fala ele rindo.

A princípio pode parecer estranho dois times com o mesmo nome atuando na mesma edição do torneio. Quem não faz parte do grupo de jogadores fica se questionando se há conflitos ou ciúme entre o time principal e o segundo time. “A ideia nunca foi segregar, sempre foi fazer com que todos jogassem mesmo. E o espírito parece que contagiou a todos. Quando falamos pessoalmente ou nos e-mails parece que estamos falando de um Arouca só. Acredito muito pelo fato de jogadores da Ouro estarem diretamente envolvidos no time da Prata e vice versa”, detecta o zagueiro do Arouca Vitão, que também acumula o cargo de técnico do Arouquinha.

Se na instituição Arouca nunca houve problemas de relacionamento entre os times, o mesmo não se pode dizer do Roletão. Hoje a convivência é pacífica, e quem chega para se juntar tanto ao Roletão quanto ao Roletinha sabe que se trata de dois times irmãos. Mas no começo não era bem assim. “Já houve conflito sim. Existia uma imagem por parte do Roletão que o Olímpico era fraco. E por parte do Olímpico de que o Roletão era f*. Isso distanciava bastante ambas as equipes no clima de irmandade. Mas depois que o Olímpico venceu o único jogo oficial entre os times isso começou a ruir. Noto, especialmente neste ano, uma evolução grande na irmandade”, analisa Baru.

Outra dúvida que pode surgir nas mentes de quem não faz parte das nações Arouca e Roleta Russa é o que tange à qualidade de elenco. A associação natural feita é a de que o time principal tem jogadores de maior qualidade em relação ao time B. “A única diferença clara entre os dois time é a idade, mesmo a gente contando com o Baru no Olímpico (risos). Na questão técnica, os dois times estão muito equilibrados e creio que o único motivo para, nesse semestre, acontecerem campanhas tão distintas foi a fase ruim do Roletão. O time do Roletão é muito qualificado, tanto quanto o nosso, e tenho certeza que no semestre que vem será diferente”, comenta Ceron, um dos destaques do Roletinha. Ceron referiu-se à péssima campanha do Roletão na Ouro, em detrimento da ótima temporada do Roletinha.

A associação feita em relação à idade também é natural. Aos pensamentos de quem está de fora, imagina-se que os mais novos entram direto na equipe B. Na maioria das vezes isso realmente acontece. Mas nem sempre a seleção dos atletas que irão compor os elencos é feita dessa forma. “A única diferença entre o Arouca e o Arouca Jrs é o tempo em que estamos jogando juntos. O Arouca já está numa crescente faz tempo. Já jogou a Copa dos Campeões, Chuteira de Ouro, Futliga, etc. O Juniors foi montado neste semestre para dar chance a quem não vinha jogando. E não tem essa de idade: o grupo do Arouca realmente tem mais idade, mais experiência, mas somos parecidos até no modo de jogar”, explica Nelsinho, atleta do Arouquinha.

Mas, e na hora de realizar transações de começo de temporada? Será que é livre um jogador do time principal migrar à “filial”, e vice versa? “É tudo muito novo para nós. Mas, por exemplo: Dioguinho, Renanzinho e Veloz estavam confirmados para o Jrs. até o último momento. Aí acabaram sendo inscritos no time da Ouro e estão arrebentando por lá. Mas a ideia é equilibrar bem e fazer dois times fortíssimos”, relata Vitão. Nos “Roletas” também não têm crise no momento de trocar o principal pelo Olímpico, ou o contrário, como revela Baru: “A transação é livre, mas raro de acontecer. Há cerca de um ano, Pina e Ceron foram chamados pelo Roletão. Chegaram a jogar uns 3 amistosos, mas desistiram. Não era a mesma coisa”.

Arouca Jrs. e Roleta Russa Olímpico irão se enfrentar neste sábado, valendo a vaga na decisão da Série Prata. Para chegar à final e poder sonhar com a Ouro, as equipes se preparam para o grande duelo. “Estamos preparados para mais uma ‘final’, agora contra o Roletinha, e que vença o melhor. O que posso te adiantar é que raça e vontade não irão faltar”, garante Nelsinho. Já Bruninho, ex-jogador do Basicus e atualmente no Roletinha, não espera moleza: “Teremos o mesmo que encontramos durante todo o campeonato. São jogos difíceis, mas estamos cada vez mais prontos para enfrentar esses jogos e seguir com vitórias”.
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