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Título da Copa Apertura foi nas penalidades e põe fim à sequência de 6 títulos de CAV e Mulekes


O sábado amanheceu nublado. Lá pelo meio dia, uma chuva forte passageira. Às 13h ela era mera garoa, parecia que deixaria o futebol rolar em paz na final da II Copa Apertura, marcada para 14h30. Até as 14h ela deu trégua, mas na hora dos preparativos para o duelo entre Mulekes e Inflação ela tornou-se uma garoa leve, porém persistente. Foi assim durante todo o jogo – do apito inicial até a cobrança de pênalti de Bahia que definiu o campeão da competição.
 
INFLAÇÃO: campeão da II Copa Apertura

A mulekada chegava aos poucos. Na hora da moeda subir, escolher os lados e quem começaria com a bola, Caíque entrava correndo esbaforido ainda de roupa tradicional. Na hora da foto do time (abaixo), Andreas ainda estava descalço. O Mulekes era o time de sempre: tranquilo, equilibrado, sereno. O Inflação já estava presente desde 14h. A turma ia chegando e pegando uniforme. Batia bola, conversava. O time é veterano, cheio de cobras, mas havia ali uma pulga atrás da orelha, mesmo com toda confiança que Evandrão demonstrara durante a semana. Era jogão de bola entre os dois melhores times do torneio – ambos invictos.
 
MULEKES: vice-campeão da II Copa Apertura

Debaixo de uma garoa incomoda – a ponto de o técnico J. C. Caetano ter de ser muito convencido a aparecer na foto (e dar um pito nos retardatários que o faziam esperar tomando chuva) – a bola começou a rolar. E aí os times mostraram o que seria o primeiro tempo. O relógio não chegou a um minuto quando Vitinho lançou da defesa bola longa. Fácil para Gordo, porém este deixou ela pingar para a chegada de Sandrinho. Não havia nenhum muleke ali perto. Não? Pois o que foi a chegada de Pedrinho por trás e o desvio para o gol????? Falha tremenda do Inflação e 1 x 0 no placar. Quem conhece sabe que o Mulekes é quase imbatível em quadra grande. E saindo ganhando com um presentão desses?
 
O Inflação mostrava nervosismo e pouco chegava à área adversária. O jeito era testar de long, e quase sempre pra fora. O primeiro a fazer Alemão trabalhar foi Lucas Tadeu, mas só depois de mandar duas sapatadas pela linha de fundo. De falta da direita ele mandou o tijolo no meio do gol que o goleirão socou pra frente. Pedrada mesmo. O Mulekes trocava passes – e como troca passes esse time! –, sem medo de recuar quando necessário. É o que diz o ditado – um passo atrás para dar dois à frente. Sim, o Mulekes reinava soberano em campo, com Vitinho comandando tudo ali de trás como um regente no meio da orquestra. Só faltava a batuta.
 
Canibal tentou suas arrancadas, mas a marcação da mulekeda era implacável e estava bem postada

A falha de Gordo no gol quase foi redimida num chute de longe após matar no peito e mandar de primeira. A bola passou raspando a trave, com um Alemão voando para ela sem achar nada. O Inflação tentava sim, mas errava muito atrás. A marcação ficava perdida no toque do Mulekes, que chegava com facilidade à área de Sandrinho. E se o time não ajudava, Sandrinho tinha de resolver sozinho. Ele pegou duas bolas com os pés com atacantes mulekes à sua frente. Em chute rasteiro de Pipo, o arqueiro pegou mais uma.
 
Parece chover no molhado – como estava o dia mesmo – mas o Inflação não cansava de errar. Nego Wé errou dois passes da defesa – ambos sem ser pressionado e tocados para ninguém na linha lateral. Essa dificuldade foi percebida pela mulekada, que avançou sua marcação. Alguém já viu o Mulekes marcar saída de bola em jogo decisivo? Pois o Inflação viu.
 
Na área muleke ninguém entrava. Bahia mal via a bola e Canibal tesourava pelo meio mas nunca com avanço considerável. Quadra grande é outra coisa. O jeito era de fora. Lú sabugou da direita e acertou o travessão. Alemão fez lindo golpe de vista, e só. Quem viu achou que Lú errou o cruzamento. Confere, zagueirão?
 
Capitão Vitinho regia o time do Mulekes atrás e descolava bons lançamentos, como o do primeiro gol

Já eram os minutos finais do primeiro tempo quando Caíque saiu na cara de Sandrinho e chutou em cima do goleiro. Cresceu bem o goleirão na frente do camisa 17. Não houve lamento pelo gol perdido. Afinal de contas, no lance seguinte o mesmo Caíque mandou rasteiro, a bola sofreu leve desvio na defesa e foi lá no cantinho. Sandrinho estava na bola e até ajoelhou para encaixá-la. Encaixar? E por que ela entrou então? Frango saboroso do goleiro, que provavelmente de tão fácil não se tocou do campo molhado, bola molhada, menos atrito e tudo escorregadio...
 
Pois é, dois erros e 2 x 0 para o Mulekes. Há quem já dava como favas contadas. Mas o melhor homem do Inflação na partida apareceu para dizer que não era bem assim. Falta na ponta direita, perto do bico da área. Último lance da etapa inicial. Lucas Tadeu foi pra bola e mandou simplesmente na gaveta oposta de Alemão! Golaço que ele fez parecer fácil. 2 x 1. Inflação vivo, levantou a torcida e animou o time.
 
Lucas Tadeu foi o melhor do Inflação em campo, com um golaço que manteve o time vivo no jogo

Como um replay do primeiro tempo, lançamento da defesa, Lú furou e só teve tempo de ver a m* que fez quando Bispo recolheu a bola com carinho e tocou na saída do goleiro para deixar o placar em 3 x 1. Agora sim parecia decidido. Afinal, pode uma equipe numa final dar três gols de presente assim a um time maroto com o Mulekes?
 
Ao menos o Inflação não baixou a cabeça. Continuava tentando, mas aí foi a vez da mulekada dar uma mãozinha. Matheus fez falta no meio e saiu reclamando. A bola rolou e o juizão amarelou o jogador, por continuar reclamando. Bobeira, afinal, foram duas faltas em praticamente um lance só. De novo a regra das faltas. Pois com 11 minutos o Mulekes se pendurou – com Victor Cruz cometendo a derradeira num lance bobo de ataque. “Para que isso, garoto?” Era o que gritavam vários no banco de reservas. Rogerinho ia à loucura com a falta de discernimento dos companheiros em alguns lances.
 
O jogo ficou truncado e foi um festival de cartões. Depois de Matheus, Andreas e Gian foram contemplados. O Inflação inflamava a arbitragem. Bahia queria um apito pra ele, mas conseguiu apenas o cartão amarelo. O tempo passava e o Mulekes se defendia – e muito bem. Victor Cruz chegou a salvar ao travar chute a um metro do gol. Valmir chutou de longe. Fora. Elói experimentou também e foi por pouco. O Mulekes, quando atacava, chegava com facilidade. Pedrinho chutou e Sandrinho espalmou para cima. A bola desceu e ninguém chegou para empurrar a gol.
 
Aos 19 minutos, a m* foi do Mulekes. Victor Cruz, numa bola perdida quase na linha de fundo, fez a carga por trás no atacante, dando a falta que o Inflação tanto precisava. Sexta falta. Shoot out. Bahia foi pra bola e tocou rasteiro na saída de Alemão. 3 x 2. Tudo indefinido! O Inflação foi pra cima. Vontade não faltava. E não é que saiu o empate??? Um cruzamento da esquerda não encontrou um pé branco para afastar. A bola pererecou na área até que ele, Bahia, chegasse para empurrar pra dentro em seu 11º gol na competição! 3 x 3! Incrível!
 
A bola entrou rasteirinha no shoot out cobrado por Bahia, que aparece no detalhe pronto para a corrida

Após estar vencendo por dois gols e jogando melhor e com consciência, o Mulekes cedeu o empate cometendo erros. Sim, até o Mulekes erra. Mas o time acordou. E foram 5 minutos de pressão do time, com o Inflação segurando com todos atrás. O Mulekes queria o gol e teve a chance. Na melhor delas, Pedrinho tabelou e saiu de frente para o gol. Era só chutar – e seu irmão do lado de fora gritava isso com toda força – mas ele carregou demais até ser travado pela defesa e perder a chance.
 
Com o término do tempo regulamentar, a chance do título passaria às mãos dos goleiros. A disputa seria nas penalidades! Há um ano, na final da 1ª edição, o Mulekes perdera para o CAV o troféu nos pênaltis. Cheirinho de dejà vu?
 
Moeda para o ar, Sandrinho escolheu começar batendo. Preto foi e guardou. 1 x 0 ao Inflação. Gian foi o primeiro pelo Mulekes. Bateu rasteiro no canto direito do goleiro. A bola deslizou no campo molhado e bateu na trave e voltou na cabeça de Sandrinho e foi para a lateral! Quem tem mais de 35 anos – Sandrinho incluído aí – lembrou do azarado Carlos na Copa de 1986. Sandrinho não era Carlos. Lucas Tadeu fez 2 x 0 e Felipe Bispo marcou para o Mulekes.
 
Elói recebe a taçã de campeão da II Copa Apertura; Inflação agora carrega status de um dos favoritos na Série Ouro

Com 2 x 1, só restava o Inflação converter o terceiro pênalti e comemorar. O encarregado da responsabilidade foi ele, a fera, Bahia. E o soteropolitano não decepcionou e deu ao Inflação o título inédito dentro do universo Chuteira! Inflação campeão derrotando o Mulekes nos pênaltis e colocando fim a uma hegemonia que vinha desde junho de 2013, quando o My Balls derrotou o CAV na final da 15ª edição do Chuteira de Ouro.
 
Agora o desafio é maior. É Chuteira de Ouro, a 19ª edição. Neste domingo, dia 8, os dois times estreiam um contra o outro na revanche da grande final da II Copa Apertura. O Inflação mostrou suas credenciais e já entra como um dos favoritos ao título – ao lado de CAV e Mulekes, claro.


PREMIAÇÃO INDIVIDUAL

Artilheiro - Daniel Bahia (Inflação) - 11 gols

MVP - Matheus (Mulekes)

MVG - Sandrinho (Inflação)

 
Confira a galeria de fotos da final em http://goo.gl/9cPm8a
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