Red Devils, Arouca Jrs., Bufalos e SPQSF dominaram o IV Chuteira de Prata e chegaram à Série Ouro. Agora, a realidade é outra: para se manter na elite e não fazer feio (ou mesmo fazer bonito), vai ser preciso planejamento técnico e mental, além, é claro, de muito futebol
A Série Ouro começa no dia 12 de março, e a expectativa é grande entre as 20 equipes que compõem a divisão. Mas quatro equipes em especial estão aguardando com ansiedade o momento do pontapé inicial no certame: Red Devils, Arouca Jrs., Bufalos e SPQSF – times recém-promovidos à elite do Chuteira de Ouro. Como é de praxe em todo início de Série Ouro, com a chegada de novas equipes, fica a questão: os times que subiram poderão fazer frente aos demais times da Ouro?
Campeão do IV Chuteira de Prata, o Red Devils teve um 2010 para não sair da memória dos torcedores: além desta conquista, faturou o IV Festival Bola na Rede. Com o sucesso obtido, a pressão para se manter em alto nível aumenta. Seus dirigentes estão cientes da responsabilidade e prometem um time mais aguerrido para a disputa da Ouro. “Não vejo a possibilidade de queda no rendimento, pois o time é muito bom. Lógico que estamos entrando num terreno mais perigoso (o da Série Ouro), e não podemos vacilar”, relata João Lucas, um dos homens que comandam os ‘Diabos Vermelhos’. A equipe irá manter “a ala mackenzista do time, e o clã dos Pedrettis”, fundamentais nas conquistas do ano passado. De contratação, até agora, apenas o jogador Kiwi, ex-Treinadores do Braz.
O Red quer fazer bonito na Ouro e tentar apagar a imagem de um time violento, estigma que perseguiu o time no ano passado. João Lucas rechaça essa pecha: “Na verdade, fala-se muito do lance do Negão na final (uma falta violenta em cima do atleta do Arouca Jrs.). Fora a final, nossa trajetória no campeonato sempre foi pacífica, sem violência. Temos um time com uma defesa sólida e com jogadores de vigor físico. Desta feita, discordo do rótulo de time violento”.
A realidade do Red ainda é incerta para sua primeira participação na Ouro, mas o elenco está confiante. “Montamos um time (na Prata) com intuito de subir de divisão e, assim, permanecer. Isso com um time competitivo, e que possa brigar pelo título. Não pode ter outro pensamento senão jogar para brigar pelo título”, aponta um confiante João Lucas.
O adversário do Red na decisão do IV Chuteira de Prata, o Arouca Jrs., também está se preparando à grande jornada na Série Ouro. A equipe realiza amistosos, sempre no afã do entrosamento. A base continua a mesma, bem como a permanência de outros atletas. Enquanto isso, outros jogadores estão sendo testados. Baixas no elenco, só duas até o momento: Julio migrou para o novato Atlético da Vila e Markinho foi puxado ao time do Arouca. Com isso, o time quer manter o mesmo ritmo de quando foi vice-campeão da Prata. Quim, um dos mentores do Arouca – e que, recém saído de uma cirurgia no joelho, dirigirá o Arouquinha à beira da quadra –, revela o segredo para o time continuar em evidência: “O sucesso é a raça e a união do time. Muitos jogam há tempo juntos, o que ajuda no entrosamento. E, como eu sempre digo, o Arouca é uma família, seja o Jrs. ou o principal”.
A tática apresentada por Quim para o Arouquinha fazer bonito na Ouro é a mesma que levou o time ao acesso: “Vamos aproveitar que poucos conhecem o Jrs. para fazer que nem na Prata: surpreender. Não posso me adiantar e falar que seremos campeões, mas posso garantir que iremos nos classificar e incomodaremos muita gente”. Essa confiança é fundamental para enfrentar times do gabarito de SNG, Fiorella Brasil e Mulekes, entre outros. E, até, para enfrentar o próprio Arouca. Quim revela a estratégia: “Se isso vier a ocorrer, será fácil: uns 10 a 0 pra gente (risos). Brincadeiras à parte, todos aqui conhecem o time do Arouca. Será um jogo muito pegado, isso eu garanto. Porém, nem eu, e muito menos os jogadores do Jrs., vão querer perder e depois escutar o Vitão enchendo o saco”.
A decisão da última edição da Prata foi entre Arouquinha e Red, o que garantiu os dois na Série Ouro. Todavia, mais duas equipes acompanharão os finalistas, já que foram campeões de seus respectivos grupos na fase de classificação. Um será o Bufalos. Espólio do Só Capim Canela, a equipe ficou em primeiro lugar no Grupo A, um ponto à frente do Red Devils. Obteve 9 vitórias em 11 jogos, credenciando-o à divisão de elite do Chuteira.
O Bufalos conta com um elenco sólido e o talento do camisa 10, Dinho. Para somar, chega Kaká, ex-DPGamos, e os dirigentes ainda correm para encontrar um outro goleiro, um zagueiro e um meiocampista. “Voltamos a jogar agora em fevereiro. Estamos treinando às quintas-feiras e jogando amistosos aos sábados. Já vimos que o bicho vai pegar e não queremos apenas fazer papel de figurante na Ouro”, preocupa-se Fryka, capitão e manager do time.
Fryka é realista em relação ao desempenho do Bufalos na Série Ouro: “Dizer que brigaremos para não cair seria como se nós mesmos não acreditássemos na nossa equipe. Lutar pelo título seria pretensão demais e um objetivo fora da realidade do Bufalos nos dias de hoje. Podemos dizer que o nosso desafio, nessa temporada, é firmar um estilo de jogo com a cara e personalidade do Bufalos, tendo como consequência a permanência na Série Ouro”.
O outro time que chegou à divisão máxima do Chuteira foi o ofensivo SPQSF. Dono de um ataque poderoso, a equipe faturou, com folga, o Grupo B da edição passada da Prata. O estilo ofensivo permanecerá, de acordo com um dos seus expoentes, o artilheiro Jaja: “(A ofensividade) Terá que ser mantida, uma vez que sempre tivemos como filosofia o futebol pra frente, e sempre fomos bem-sucedidos dessa forma. Aliás, todas as vezes que tentamos mudar a forma de jogar, o time não rendeu bem”. De fato, o SPQSF não quer prescindir de uma das armas que o deixou tão conhecido dentro do universo Chuteira. Para tanto, tenta manter o elenco que foi sucesso em 2010. Mas já sabe que não contará com o goleiro Guto e o atacante Filipe, além de em alguns jogos nnao contar com Jarbas e Rick.
Jaja revela o plano do SPQSF para encarar a dureza e competitividade assídua da Série Ouro. “Pelo que andamos conversando, creio que nosso time se comportará como nas duas edições que jogamos da Prata: vamos estudar a dinâmica do campeonato, pela maior dificuldade da Ouro, e, depois, jogar tudo que sabemos. Se der para beliscar alguma coisa ainda neste semestre, será ótimo”. Com este pensamento, o SPQSF quer não só fazer uma boa campanha na Ouro: quer, também, acabar com algumas picuinhas geradas na edição passada da Prata. “Nosso time não é de polêmicas. Acontece que, em determinadas situações do campeonato, esse tipo de coisa acontece. Os ânimos ficam à flor da pele. Quem puder desestruturar o adversário para se prevalecer certamente o fará. Portanto, não temos medo de polêmicas, afinal, penso que só se envolve em polêmicas quem se destaca”, esclarece Jaja.
A sorte para Red Devils, Arouca Jrs., Búfalos e SPQSF está lançada. Quem irá se sobressair, quem irá apenas fazer uma campanha modesta ou quem voltará à Série Prata ainda é cedo para se apontar. Mas a lei da sobrevivência será mais do que nunca utilizada. Só o bom planejamento técnico e mental fará com que o time permaneça – ou faça uma campanha memorável – na Série Ouro, lugar onde definitivamente os fracos não têm vez.
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