Neste sábado, de oitavas de final, serão 8 equipes em campo para definir as 4 que avançarão para as quartas de final, quando encaram Raça, The Veras, Só Quem Sabe e Só Risada. Independente de quem passe, terão essas equipes cacife para desbancar o big four citado?
Passagem rápida entre os quatro, pois o foco é a análise dos duelos de oitavas. Raça tem o melhor ataque da competição e o artilheiro (43 gols, sendo 14 de Raphinha). Não sabe o que é perder desde a final do III Chuteira 5 – e lá se vão 18 jogos. O Só Risada, em oposição, tem a melhor defesa, com apenas 13 gols sofridos em 8 jogos. O Só Quem Sabe está no meio termo entre ataque e defesa (37 gols marcados e 17 sofridos, sendo o segundo melhor saldo) e traz uma das revelações do ano, o mlk_Muka, que caiu muito bem ao lado de Fernando no ataque. Já o Veras é o Veras. A experiência fala mais alto, a camisa grená pesa, João Claudio continua fazendo gols e Vitinho os distribuindo.
Diante desses atributos acima, eis os desafiantes:
No duelo entre Império Celeste e Shakthar dos Leks, vantagem para os celestiais, com um time muito mais coeso e experiente que os ucranianos. Oriundos da Prata, o Império colocou a cabeça no lugar e fez uma boa 1ª fase, lutando até a penúltima rodada pela liderança – quando o empate com o Raça no minuto final tirou o time da briga. Aliás, o Império daquela partida é o que se deve ver agora no mata-mata – aguerrido, vibrante, com o MVP Guedes buscando o jogo e arriscando seus chutes de longe.
A campanha celestial envolveu duas derrotas (para o Veras no início e para o Paraguay na rodada final). Ante o eliminado Paraguay, foi cumprir tabela, já que não chegaria à 2ª posição e nem perderia a 3ª sob nenhuma circunstância. Isso mostra um time equilibrado, difícil de ser derrotado. E essa é a missão do Shakthar dos Leks, o oposto do que falamos do seu adversário.

Time de jovens talentos, ligeiros, que pecam pela imaturidade em alguns momentos e pelo excesso de cartões e expulsões (3 suspensos na 1ª fase). A chegada de João ao gol do time deu maior segurança, mas o futebol do capitão Gui Simões desapareceu nas ondas do mar do ano novo. Provavelmente ele e Barriga pularam as sete ondas juntos e esqueceram de trazer de volta com eles do litoral o bom futebol. Ao mesmo tempo, Fiore pôs a cabeça no lugar, parou de tomar cartões bobos e voltou a fazer gols (ao lado de Raspanti, é o artilheiro do time com 5 gols). Chuqui começou bem a temporada, mas tomou chá de sumiço em seguida. E Bruninho, aquele do Real Madruga, chegou machucado e só voltou a jogar há duas rodadas, já se destacando.
Esse time instável é capaz de proezas, como vencer o bom Só Quem Sabe (única derrota do Big Four sem ser entre si na fase de grupos), ao mesmo tempo que perde para um Allzuis sem goleiro e sem reservas. A campanha é mediana para ruim – 3v, 2e e 3d – aquém do esperado. A má fase de uns explica em partes o baixo rendimento, mas nada como um mata-mata para apagar o passado e recomeçar. É com essa mentalidade que o Shakthar encara o Império.
Outro jogo que envolve 3º x 6º é o de Roleta Russa Clássico e Corleone. Os clássicos, podemos dizer, é o time que mais evolui e surpreende. Como quem não quer nada, vão comendo pelas beiradas e quase ainda beliscaram na vaga direta nas quartas de final. Um detalhe chama a atenção: além do Big Four, é o time que menos perdeu. Em 8 partidas, apenas uma derrota (Só Quem Sabe). Outro detalhe: foi o único time capaz de tirar ponto do líder Só Risada quando este não estava garantido já na liderança. Mais um detalhe: tem o MVG do campeonato, Leonardo, que repete a dose do que fez na Aço e leva o troféu pra casa. Fazer gol cara a cara com ele é quase impossível!

Os clássicos do Roleta apresentam outra característica singular: goleada não é com eles! A turma gosta de jogos emocionantes, de placares baixos e apertados. A média de gols – tanto feitos como sofridos – dá uma tônica disso: enquanto o ataque produziu pouco mais de 3 gols por partida, a defesa sofreu um tantinho acima de 2! Goleada mesmo só na rodada final ante o rebaixado Elite por 7 x 1. De resto, duas vitórias apertadas de um gol e nos minutos finais (Roleta Russa e Invictus) e duas vitórias por dois gols contra os times eliminados (Allzuis e Condor´s).
Isso indica que o duelo com o Corleone tende a ser equilibrado e apertado, com os mafiosos tendo o pior saldo entre os 12 classificados (-5 gols). Em termos comparativos, marcou apenas um gol a menos que o Roleta, mas sofreu nada menos que 14 a mais! Em termos individuais, um bom desafio: Zé Blois (11 gols e 14 estrelas no MVP) x Brunão (7 gols e 13 estrelas). O russo se machucou no meio da competição e ficou de fora alguns jogos. Voltou na rodada final, foi MVP e provou que, se não se contundisse, o troféu de MVP poderia ter tido outro destino.
A partida de oitavas mais parelha tende a ser entre Invictus e Cacildis, dois times que adoram oscilar. Ambos tiveram a mesma campanha (13 pontos, com 4v, 1e e 3d), mas variam muito nos números. Em termos ofensivos, 30 a 27 para o Invictus (graças ao Condor´s), mas no defensivo a diferença é significativa: 19 gols sofridos do primeiro ante 29 do Cacildis. De fato, o ponto forte do Invictus é a defesa, e isso já tem um tempo. Mesmo com a contusão do capitão Moacyr o Invictus não perdeu sua vocação de bom defensor, e o goleiro André Engel vive grande fase e contribui muito ao time. Paulão, jogando mais de boca fechada, e Raito recuperando o físico ajudam muito o time na composição defensiva do técnico Leandro.

Justamente o ponto forte de um parece ser o ponto fraco do outro. O Cacildis andou vindo contado para alguns jogos e sofrendo em demasia. Porém, mesmo quando jogou com jogador a menos (contra Império Celeste, por exemplo), sofreu apenas 4 gols. A maior goleada sofrida pelo time foi ante o Raça, melhor ataque da competição, quando levou 7 gols.
Aliás, este parece ser um elemento a se destacar entre as equipes de cada grupo. Os quatro classificados para as oitavas do Grupo B carregam melhores defesas que os quatro do Grupo A (17, 19, 20 e 22 gols sofridos contra 23, 29, 31 e 32 gols). Isso nos permite afirmar que as defesas são melhores? Nada mais enganoso à primeira vista. Afinal de contas, os times do Grupo B não enfrentaram o Raça, melhor ataque com 43 gols. E pode colocar também aí o segundo melhor ataque, o do Fúria F. Moleque, com 42 gols. É bem provável que qualquer time do Grupo B, caso estivesse no Grupo A, teriam números defensivos bem mais modestos.
E, com a citação do Fúria, adentramos a análise da última partida de oitavas. O Furinha encara o Roleta Russa, vice-campeão da Aço passada. A equipe de Figueroa segue buscando se afirmar como pleiteante sério da Série Prata em sua terceira disputa de Bronze – na vez que passou de fase, caiu nas oitavas. O time ainda não encontrou a pegada pra chegar a uma semifinal, mas vai melhorando a cada semestre. Na atual edição, os destaques são Curintia e Duuh, ambos oriundos do Bonde dos Abelhas e com 10 e 7 gols respectivamente. Para a defesa, chegou Rá, ex-Tucho. Eles se juntaram a uma base formada por Igão, Klebão, Valdivia, Victor Araújo e Robinho, além dos sumidos Thalles, Papai Jovem – que lançou seu livro homônimo recentemente e é o maior sucesso – e Douglas Luiz, este outrora o craque do time (por sinal, por onde anda ele?).

Contra esse time longe dos holofotes é que o velho Roleta Russa vai tentar dar mais um passo em direção à Prata, trilhando o caminho de volta depois da queda livre até a Aço. Os russos chegaram com moral após o vice-campeonato da Aço, mas derraparam na pista. 4 vitórias, 1 empate, 3 derrotas e uma singela 5ª posição no Grupo B. Venceu os times de baixo, mas quando encarou Invictus e Roleta Clássico, por exemplo, times considerados do mesmo patamar e brigando nas mesmas posições, acabou perdendo. Daí não ter disputado o acesso até as rodadas finais.
Com a contusão de Alemão e o casamento de Plec, o time perdeu boa parte do poderio ofensivo do ano passado, mas a ascensão de Gio e Pagé amenizou a situação. Gio, aliás, disputou o MVP até a rodada final, terminando a 1ª fase a um ponto dos vencedores. Em relação a gols, ele soma 12 e está apenas dois atrás de Raphinha. Em termos de tradição, o Roleta leva vantagem, mas o Fúria tem uma juventude e certo desconhecimento que podem surpreender, além de uma artilharia aérea pesada.

Quatro passarão para as quartas de final e aí desafiarão o Big Four. Até o momento, o único time a ganhar de um deles (Só Quem Sabe) foi o Shakthar. Raça e Só Risada estão invictos, veras só perdeu do Raça e o Só Quem Sabe, além do citado acima, do Só Risada. Os quatro classificados terão de fazer o que não conseguiram ainda na competição se quiserem ir além.
Comentários (0)