O Arouca é conhecido por ser um dos times mais tradicionais do Chuteira de Ouro e também um daqueles que sempre despontam como favorito ao título. Para aqueles que observam atentamente o futebol praticado pela equipe, como o cronista e jogador Daniel Nogueira Pereira, do Irado´s, fez ano passado, verá que o modo como seus jogadores se movimentam em quadra aproxima-se do futsal, e isso desenvolvido na quadra de society.
Esta característica se deve a alguns fatores: entrosamento, posições não claramente definidas – principalmente na marcação –, passes rápidos, modo de trabalhar a bola, entre outros. Na verdade, fica até difícil fazer uma análise exata do esquema de jogo do Arouca, pois é na hora de marcar que uma equipe se mostra taticamente, com as posições de seus jogadores mais definidas, mas isso não acontece com o Arouca. Mesmo assim, vamos tentar entender como funciona o estilo de um dos times com maior eficiência na fase de grupos.
O esquema não foge do básico 2-1-2-1, o mais equilibrado para jogar com seis jogadores. O destaque fica para o modo de marcação pressão usado pelo Arouca para sufocar seu adversário, principalmente nos primeiros minutos de jogo. As linhas de marcação avançam e marcam os defensores rivais, dificultando a saída de bola dos mesmos. No jogo contra o CAV, por exemplo, esta tática foi bastante eficiente nos 15 minutos iniciais, dando à equipe um seguro domínio das ações em quadra. Além disso, os jogadores sabem se dedicar à marcação, como Renanzinho, que, apesar de sua vocação para o ataque, volta constantemente para ajudar os zagueiros e por vezes deixa o time com três defensores para liberar o apoio dos outros três.
Na partida acima citada, o destaque foi o meia Marquinhos Bohn, de bom passe e finalização certeira. Sua posição privilegiada possibilita ficar de frente para o gol para o arremate. Não à toa ele deu bastante trabalho ao goleiro Quintanilha e ainda marcou o gol de empate aos 26 minutos do segundo tempo.

A representação parada do maleável esquema do Arouca contra o CAV. Os apoios de Marquinhos Bohn possibilitam um futebol ofensivo, mas a defesa fica exposta e pode ser envolvida por uma ataque rápido
Como referência no ataque, tanto Markinhos quanto Orley fazem bem seu papel e são mais que meros finalizadores – principalmente o segundo. A criação de jogadas, muitas vezes, depende de suas participações. Pelos lados, Renanzinho é bom no apoio pela esquerda, enquanto, do outro lado, Mota também tem qualidade. Mas o que muitas vezes faz a diferença para as grandes equipes de seis jogadores é mesmo a coordenação e eficiência do apoio do homem que joga no meio, o qual seria equivalente a uma mistura de volante e meia armador do futebol de campo. Sua participação é essencial para desmontar defesas bem armadas e sua posição em quadra possibilita acionar os três jogadores de frente ou ficar de frente para a finalização.
Contra o Jeremias este jogador foi Thiaguinho, ao invés do titular Marquinhos Bohn. Usando um time modificado, o Arouca manteve o padrão de jogo, dominou a maior parte da partida e goleou por 4 a 1. Destaque para Thiaguinho e Felipe Mota, os quais souberam chegar como elemento surpresa e, juntos, anotaram três dos quatro gols da vitória. Todavia, esta pode ser uma arma perigosa para o próprio utilizador se não houver entrosamento suficiente para que seja feita a cobertura. Caso contrário, os dois zagueiros podem ser facilmente surpreendidos por um contra-ataque fulminante.

O time alternativo do Arouca, usado contra o Jeremias na terceira rodada, mostrou ter qualidade semelhante à do titular e o mesmo padrão de jogo. Porém, os mesmos problemas defensivos foram apresentados
Tanto CAV quanto Jeremias souberam se aproveitar disto e apostaram nas rápidas trocas de passes para envolver a defesa do Arouca, a qual não teve velocidade o bastante para acompanhá-las. Contra o Jeremias, este problema foi compensado pela superioridade técnica, mas contra o atual campeão da Prata, uma equipe muito qualificada, o time amarelo e azul sofreu para conseguir o empate no final, encontrando um adversário à sua altura. É o risco que se corre por ter um time ofensivo e que gosta de marcar em cima. Talvez por isso o Arouca tenha falhado no mata-mata das duas últimas edições da Ouro, mesmo tendo um time bom o bastante para faturar o título.
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