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ANÁLISE TÁTICA # 09 – O FUTEBOL POÉTICO DO SÓ RESENHA

Um dos maiores atrativos para se acompanhar as pelejas disputadas no Chuteira – principalmente na Série Ouro – é acompanhar os times por duas ou mais temporadas e constatar que muitas delas têm um estilo de jogo bastante definido, tal qual as equipes de futebol profissional. O Fúria, por exemplo, é bastante conhecido por sua vocação defensiva, o que pode ser constatado pelo baixo número de gols que leva nas partida. Já o SNG preza pela posse de bola, as inversões de jogo, a experiência e poder de decisão de seus jogadores veteranos. Outros, como o Mulekes, se dedicam à ofensividade, enquanto alguns, como o Arouca, jogam de forma equilibrada em todos os setores da quadra.

O estilo bem definido também uma das marcas do Só Resenha. A equipe é formada por muitos jogadores baixos, rápidos e habilidosos, e o toque de bola rápido e a busca ao ataque são as regras gerais do comportamento nas partidas. Novamente, os números comprovam os fatos: a esquadra alviverde ostenta o posto de melhor ataque da primeira fase da Ouro, com 52 gols marcados em apenas nove jogos, uma média de 5,7 tentos marcados por jogo.

Depois de sofrer na temporada passada com a falta de jogadores importantes, especialmente o seu capitão e camisa 10, Dhani, Só Resenha está mais uma vez completo e voltou com tudo na atual edição. Com um esquema de jogo bastante maleável e movimentação constante, a equipe foge do lugar comum no desenho tático. Enquanto a maioria dos seus rivais usa o bom e velho 2-1-2-1, o Só Resenha faz uso do 1-3-2, uma formação que traz riscos se usada sem equilíbrio, mas com muitas alternativas quando há entrosamento e entendimento entre as peças.

Na defesa, o único que joga fixo é Cris Nicolas, ficando sempre próxima à sua área. Pelo meio, Éder, Mirandinha e Fabrício revezam-se em várias funções, tais como recuo para ajudar Cris na marcação, arrancadas em contra-ataque, apoio aos homens de frente e criação de jogadas. Como só existe um zagueiro de ofício na equipe, a cobertura tem de ser infalível por parte dos três. Se esta tática traz riscos para o goleiro Papa Burguer, permite aos três meias terem papeis de destaque no ataque. Exemplo disso foram os cinco gols de Éder na goleada por 13 a 1 sobre o Jeremias. Mas o destaque ofensivo fica por conta da dupla de irmãos Dhani e Darian. Ambos são habilidosos, lisos e têm fôlego para correr por toda a quadra, chamando o jogo, ajudando na saída de bola e criando uma correria no campo adversário.


A formação pouco convencional e volátil do Só Resenha: enquanto apenas Cris Nicolas se mantém fixo em sua posição, os demais jogadores se movimentam sem parar. O revezamento entre ataque e defesa dos três meias e até mesmo dos dois atacantes é fundamental para que o esquema funcione


A ausência de um atacante fixo, que sirva de referência pelo meio, faz com que as ofensivas resenheiras se deem bastante pelos lados da quadra, aumentando a variação na criação de jogadas. Todavia, esta característica de jogo nem sempre funciona. O uso de um centroavante de ofício é uma das táticas mais antigas do futebol, mas se é usada até hoje é porque, sem dúvida, tem sua eficiência. Em algumas partidas Dhani e Darian não conseguem brilhar diante de uma marcação eficiente e é necessária uma outra opção, com características diferentes.

É aí que entra Brunão. Apesar de o camisa 9 não ter a mesma capacidade técnica dos dois companheiros, ele sabe fazer muito bem funções que em que ambos não são eficientes, como jogar de costas para a zaga fazendo o papel de pivô, ser perigoso no jogo aéreo e conseguir disputar fisicamente as bolas divididas com os zagueiros. O segundo tempo contra o Elefantes Indomáveis, na nona rodada, é claro como água neste aspecto. Depois de sofrer para impor seu ritmo contra a defesa bem armada do rival e sair perdendo por 2 a 0 na primeira etapa, o Só Resenha fez profundas modificações no intervalo e, mesmo sem seus dois craques, mudou completamente a história da partida.

Brunão brilhou, fazendo um gol com um chute de fora da área e outro de cabeça para empatar o duelo. Com o passar do tempo os titulares foram voltando e Dhani, Fabrício e Éder ajudaram a construir a virada. De qualquer modo, este fato mostra que, apesar de não ter no banco de reservas opções do mesmo nível técnico dos seus principais jogadores, possui peças com características diferentes para tentar sair de situações ruins.


A equipe modificada que virou o jogo complicado contra o Elefantes no segundo tempo. O desenho tático se altera pouco, mas as características distintas dos suplentes fazem tudo mudar. Andrés defende mais pela esquerda, Éder avança de vez para armar as jogadas e Brunão trabalha muito bem como referência na frente


A variação tática é uma arma importantíssima para o Só Resenha na luta pelo título. Depois de ganhar moral com vitórias expressivas na primeira fase (como o 4 a 1 sobre o CAV) e terminar como segundo colocado no complicado Grupo B da Ouro. Entretanto, a preocupação defensiva e o porte pequeno de alguns de seus titulares podem ser pedras no caminho. Até porque, apesar de não parecer, a defesa resenheira não é um primor: mesmo tendo levado apenas 25 gols, muitos outros poderiam ter saído não fossem as atuações inspiradas de Papa Burguer, o melhor goleiro do campeonato.

De qualquer jeito, fica o legado do futebol ofensivo e bonito de uma equipe que sempre protagoniza grandes duelos e enfrenta qualquer rival de igual para igual.
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