Idealizado, fundado e comandado por Caio Fleishmann, o Clube Atlético da Vila é, assim como o arquirrival Rabeloska, um time apontado como um dos mais fortes de todo o Chuteira desde sua estreia na Bronze. As previsões se confirmaram com seu terceiro lugar na Bronze e o título da Prata, ambos em decisões contra a equipe mackenzista.
A maior virtude da esquadra tricolor é o elenco numeroso e cheio de qualidade. Caio trabalha como manager para trazer alguns dos destaques das três séries e, assim, reforçar sua equipe, mesmo que já esteja forte. Exemplo disso foi a chegada do trio Diogo Moraes, Leo e Fernando Cidrão, vindos do agora rebaixado Bufalos. Fernando tem sido, aliás, o melhor jogador em atuação pelo CAV nas últimas rodadas, donos de prêmios consecutivos de MVP.
Apesar das mudanças de técnicos terem se tornado uma constante no time – Robertão e Barath já o treinaram nos últimos meses – o padrão tático não parece ser prejudicado. A estrutura da equipe que goleou Elefantes Indomáveis e SPQSF nas últimas rodadas pode ser considerada a principal – apesar da ausência de jogadores importantes e frequentemente titulares, como Teté e Cainho – mas ela pode ter inúmeras versões diferentes de acordo com o rodízio dos jogadores.
O esquema padrão 2-1-2-1 acaba sendo modificado naturalmente durante a partida. Diogo Moraes ou Teté tem qualidade tanto para marcar quanto para atacar pelo lado direito, enquanto Marcel, além de fazer a ligação entre defesa e ataque, volta para cobrir os espaços vazios. Assim, a formação pode mudar para um 3-1-2 em certos momentos. Na frente, Fabiano é o armador do time, criando as jogadas e acionando os dois homens de frente, Fernando Cidrão e Caio. Cidrão se movimenta bastante e busca a bola em vários setores da quadra, enquanto Caio fica mais plantado na área fazendo o pivô ou caindo pelos lados para abrir espaços.

O CAV que massacrou o Elefantes na penúltima rodada. Os avanços de Diogo (ou Teté) e a preocupação de Marcel com a marcação fazem da mobilidade defensiva algo natural na equipe. Na frente, Cidrão se destaca com muitos gols e assistências, enquanto Fabiano arma as jogadas e Caio procura fazer o pivô
Outro destaque é a volta de Vitinho, que passou alguns meses defendendo o Gama profissionalmente e agora retorna sua vida no CAV. Com sua capacidade de jogar em futebol de campo, ele tem à disposição a capacidade para ir e voltar em velocidade, marcando e atacando com qualidade.
Com tantas opções, o leque de variações é bastante vasto. Podemos usar como exemplo a formação usada no segundo tempo contra o Elefantes, quando a goleada já estava construída. Naquele momento, a equipe pode se lançar ao máximo ao ataque, dando liberdade para os ímpetos ofensivos de Diogo Moraes (autor de dois gols) e até do zagueiro Bettoni. Com um esquema bem menos definido e muito mais maleável, os gols saíram como água.
Novamente, a capacidade de Marcel voltar para recompor a defesa foi explorada para que Diogo e Beyttoni subissem ao ataque. Vitinho também se destacou com gols e assistências, enquanto Cidrão continuou aprontando com a defesa rival, mesmo jogando pelo lado oposto. Nesta formação, Caio caía mais para os lados e praticamente formava dupla com Cidrão. Como a movimentação era intensa e em quadra pequena fica ainda mais difícil definir um desenho ou esquema tático, podemos defini-la como 2-2-2, 3-1-2, 2-1-2-1, 1-2-2-1, etc... Dependendo das circunstâncias o time pode variar entre elas.

A formação abstrata usada pelo CAV de acordo com o momento. Vitinho volta para ser o motor da equipe, marcando e atacando com velocidade. Diogo Moraes tem mais liberdade para atacar enquanto a movimentação entre Caio e Cidrão aumenta no ataque
Apesar da qualidade e das muitas opções no elenco, o CAV também tem seus problemas e já passou por maus bocados na Ouro. Contra o Fiorella, por exemplo, sofreu para acompanhar os atacantes velozes e habilidosos do rival, chegando a levar 4 a 0 no primeiro tempo. Diante de um adversário com características parecidas com as do Fiorella, o Só Resenha, novo revés, terminando com uma goleada por 4 a 1. O ímpeto ofensivo da esquadra tricolor parece comprometer a sua defesa, já que muitas vezes Bettoni, Diogo e Teté não conseguem acompanhar a velocidade das tramas dos ataques mais qualificados. Isso quando o goleiro Quintanilha não faz o goleiro linha extremamente avançado e é surpreendido, coisa que já se viu várias vezes, sendo a última contra o Só Resenha.
A fase ruim foi quebrada diante do The Veras, mas, apesar de a equipe de Pedro de Luna ter sido rebaixada, vendeu caro a derrota e saiu de campo batida por 5 a 4. Por mais que o CAV conte com vários jogadores experientes no Chuteira, o fator “Ouro” parece afetar o time, já que tem de enfrentar rivais tão fortes quanto ele – como os dois citados acima ou o Arouca – ou outros que, se não têm tanta capacidade técnica, sabem jogar com a garra e determinação tática, características da elite do Chuteira.
Os momentos complicados servem de experiência para o CAV, que está certamente entre os favoritos para levar o caneco da Ouro. Se as lições serão aprendidas e as qualidades superarão as deficiências na fase final, só o tempo dirá. Mas a certeza que se pode ter é que a Ouro ganhou muito em competitividade com a chegada de CAV e Rabeloska nesta edição, aumentando o número de equipes cotadas para faturar o título.
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