O Rabeloska é, junto com o rival CAV, um caso curioso no Chuteira: desde sua estreia na Bronze, no ano passado, é apontado como um dos favoritos para ser campeão da Ouro – quando chegasse lá. Parte das expectativas as duas equipes já cumpriram, protagonizando uma semifinal e uma final para chegar à elite. O CAV levou a melhor na decisão da Prata, com uma virada incrível nos minutos finais, enquanto a esquadra alvirrubra venceu a Bronze após golear o adversário nas semi.
Mas o que faz do Rabeloska um time tão poderoso? Uma das explicações é o conjunto numeroso e entrosado, acostumado a jogar junto há bastante tempo. Isso também ajuda a explicar por que os jogadores mostram tanta disposição para correr o tempo todo, principalmente nas ações ofensivas.
Prezando sempre pela ofensividade, o Rabeloska conta com jogadores técnicos tanto no ataque quanto na defesa. A troca de passes entre eles é constante, e as finalizações surgem com frequência durante as partidas – até porque uma de suas armas principais são os tiros de média e longa distância oriundo dos zagueiros. Barata é figura importantíssima nas ações ofensivas da equipe. Apesar de jogar em uma posição em que deve equilibrar as subidas ao ataque com a marcação, o capitão da equipe ocupa bastante o campo de ataque, contando com a volta dos alas para compensar sua falta na cobertura da zaga.

A formação padrão do Rabeloska: Barata dita o ritmo do ataque, acionando Juva e Vasko pelos flancos. Os dois alas também se preocupam bastante em voltar ao campo de defesa para cobrir os avanços de Dick Vigarista e Chininha
Pelo lado esquerdo, Vasko é um atacante dedicado, que volta para defender quando necessário, cobrindo os avanços de Barata ou mesmo dos zagueiros. Quando vai à linha de fundo sempre leva perigo ao adversário devido à sua velocidade. Do outro lado, Juva também se destaca como um dos trunfos do time, principalmente quando chega pelo meio buscando espaços para finalizar. Prova disso foram os cinco gols marcados na vitória por 12 a 1 contra o Mulekes na rodada retrasada. Na função de pivô, Cassinho e Mocotó cumprem seu papel com eficiência, ocupando a área rival e tentando aproveitar os rebotes dos muitos chutes vindos de trás.
Entretanto, o Rabeloska não tem encontrado vida fácil na Ouro. Talvez pela constante movimentação em quadra, os jogadores sintam bastante cansaço nos últimos minutos dos jogos. Assim, o time sofre para acompanhar o ritmo de alguns adversários, como quando tomou sufoco do Fúria na primeira rodada mesmo após abrir três gols de vantagem, ou então quando sofreu o empate do Real Paulista após estar vencendo por 2 a 0. Além disso, o ataque sofre certas dificuldades contra times que jogam bem fechados, como o SNG, carrasco do Rabeloska na última rodada. Isto também ficou provado na Prata, quando o time empatou com o Elefantes Indomáveis após sequência de várias boas partidas.
Deste modo, o melhor jeito para enfrentar o Rabeloska talvez seja manter-se sempre atento na marcação ao mesmo tempo em que se explora os contra-ataques. Se, ao invés disso, a esquadra vermelha e branca encontrar espaços para tocar a bola, impor sua correria e concluir a gol, o dano pode ser grande. Prova disso foi o chocolate que o Mulekes levou. O atual campeão da Ouro jogou com cinco jogadores durante todo o tempo e não conseguiu ver a cor da bola – coisa que já aconteceu com muitos times desatentos que, mesmo jogando completos, foi alvo fácil para a equipe de Dick Vigarista. Nesta partida, uma formação diferente e pouco usual foi usada na segunda etapa, quando a goleada já era elástica. Atuando num 2-2-2, o Rabeloska foi ainda mais ofensivo e mostrou que esta tática pode ser usada contra adversários inferiores tecnicamente ou em casos de desespero.

O 2-2-2 ultra ofensivo do Rabeloska. Dick Vigarista volta às suas origens mais ofensivas e faz parceria com Guiñazu ou Juva pelo meio. Na frente, Vasko se torna atacante puro e combina sua velocidade com as características de pivô de Cassio
Com Dick Vigarista adiantado, fazendo companhia a Guiñazu, o Rabeloska ganhou em poder ofensivo, principalmente na criação de jogadas. O lado esquerdo era o mais perigoso, exatamente onde Vasko deitava e rolava. Todavia, esta versão da equipe deve ser usada com extrema cautela, apenas em situações específicas, já que a dupla de zaga formada por Chininha e Maradona fica extremamente exposta, deixando o goleiro Tassio sob constante ameaça. Contra adversários consistentes e experientes, como o SNG, o 2-1-2-1 tradicional é sempre a melhor opção pelo seu equilíbrio, mas isto não é garantia de vida fácil, já que o time de Renê obteve vitória por 2 a 1 no confronto. Este foi talvez o primeiro grande teste do Rabeloska na Ouro e, apesar da derrota e da perda da invencibilidade, a equipe mackenzista ainda deve ser respeitada e segue no grupo dos favoritos pra levar o caneco. Se isto vai se confirmar, somente saberemos depois de mais alguns sábados.
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