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ANÁLISE TÁTICA # 03 – A VITÓRIA DO FUTEBOL-ARTE NA OURO

Mais do que um campeão inédito, o Chuteira de Ouro neste semestre irá premiar, diferente das últimas edições, um time que preza pelo futebol bonito e pela ofensividade acima de tudo. Não que os outros campeões não tenham seu mérito e não joguem bem – longe disso! É apenas uma questão de estilo: Bacana e Mulekes são duas equipes caracterizadas pelo bom toque de bola e pela busca incessante do gol – mesmo que isso resulte em certa fragilidade defensiva.

Outra característica dos dois times é o bom desempenho na primeira fase ao longo dos campeonatos. No campeonato passado, cada um terminou como líder de seu grupo e, na edição atual, Bacana e Mulekes foram, respectivamente, primeiro e segundo colocados no Grupo A. Apesar disso, o encontro dos dois, na terceira rodada, foi vencido pelo time de Caio Ferin por 7 x 5, num jogo eletrizante e imprevisível. O tanto de gols já dá uma mostra do que as equipes são capazes em termos ofensivos... Porém, o que esperar agora que elas farão o jogo derradeiro da 12ª edição da Série Ouro?

Vamos tentar analisar a forma como os dois jogam para se ter uma noção do que iremos ver dia 10 de dezembro a partir das 16h e até fazer alguns palpites. Para começar, o Bacana, que já foi tema de crônica neste site há pouco tempo, é o time que tem se destacado no Chuteira pela vocação ofensiva mantida pela movimentação incessante de seus jogadores, o que faz com que, apesar de eles terem suas posições definidas na teoria, isso não seja muito visto em quadra, pois todos acabam participando das triangulações e tabelas, correndo por toda a quadra.

Sendo assim, apesar de vestir a 10, Demehur não é o único armador da equipe. Até porque ele explora bastante os potentes chutes de fora da área, assim como os outros companheiros. Na frente, Yanes, quando presente, faz o papel de homem-gol, sempre na área para tentar aproveitar as chances – principalmente aqueles advindas de bolas rebatidas pelo goleiro. Porém, ele sabe sair da área para finalizar, como se viu na rodada final de classificação.

Rômulo é um falso atacante que muitas vezes vem até a defesa para iniciar as jogadas. Ele aparece de trás, principalmente na função de finalizador, caindo pelos dois lados na busca pelos espaços. Sua especialidade é a tabela, que invariavelmente confunde adversários e resulta em gols. Boa parte dos 11 gols do camisa 11 (ou 6) do Bacana advém dessa tática. É uma função similar à de Demehur, porém um pouco mais recuado e com características de jogo distintas.

Para dar proteção à zaga, Gustavo Izique ajuda a fazer o papel defensivo, apesar de subir para atacar também. Além dele, Bruno Gomes também se destaca pelo apoio ofensivo como elemento surpresa, resultando em gols importantes. Sem contar Napolitano, que faz a de xerifão atrás mas está sempre explorando a ala direita no ataque.


O “futebol-total” do Bacana, baseado na intensa movimentação, chutes de média distância e passes rápidos e verticais. Na prática, o time sai do tradicional 2-1-2-1 pela ausência de posições fixas de Rômulo e Demehur e os avanços de Gustavo Izique e Bruno Gomes


Todos estes avanços, apesar de coordenados na frente, acabam deixando muitos espaços atrás, o que talvez seja o ponto fraco deste time que tem encantado pelo seu futebol vistoso. A maioria dos jogadores é ótima nas finalizações e nos passes, mas, na marcação, apesar da vontade, o Bacana ainda pena contra alguns adversários – como o próprio rival da final. Talvez por isso o técnico Marcelão tenha adotado, no mata-mata, mais especificamente diante do Jeremias, uma tática mais de precaução, marcadndo e se defendendo mais após sair na frente. Além dos jogadores citados, é importante destacar o papel de Luiz Ventura, bom armador de jogadas pelos lados, Cesinha e Matheus.

Da mesma forma que a equipe dourada, o Mulekes é tido como uma das principais equipes do Chuteira, sempre favorito ao título da Ouro. Além do entrosamento e do toque de bola, ele também possui ótimos valores individuais, como Leco, Robinho, Caio Ferin e o goleiro Diego, além de um técnico que se preocupa com a parte tática, estudando os adversários. Daí você sempre ver o sr. Zé Carlos do lado de fora acompanhando praticamente toda a rodada.

O Mulekes é um time tido como bicho-papão na fase de grupos, mas que fraqueja no mata-mata. Na atual edição, a equipe conseguiu ficar na segunda posição, apesar de uma fase mais complicada pelo meio do campeonato, que incluiu uma derrota de WO para o Fora de Série. Entretanto, ela manteve-se fiel ao seu estilo para se recuperar, reencontrar a eficiência e chegar à final. Estilo esse que preza pela posse de bola e pelas jogadas trabalhadas. O principal armador é Caio Ferin, que ora tenta construir as jogadas ora avança ao ataque para marcar gols ou ir à linha de fundo em sua jogadinha característica – como já fez contra o próprio Bacana na primeira fase, inclusive.

Na frente, Robinho ou Leandrinho fazem o papel de matador e também pivô para as chegadas de bons finalizadores como Gian, Leco e o próprio Caio. A estrutura tática evidencia uma estratégia bastante ofensiva, com Gian se preocupando mais em apoiar o ataque do que em proteger a defesa, o que ajuda na variação das jogadas ao mesmo tempo em que deixa a zaga mais aberta. Por isso a preocupação do meio em manter a posse de bola para construir as jogadas ao invés de partir contudo para cima, como faz o Bacana.

Aliás, o Mulekes parece ser o único time do Chuteira a não ter um zagueirão tradicional, pois Rafinha, o que se aproximaria mais, constantemente sobe ao ataque marcar gols. Isso é bom e ruim, pois força os meias a marcar mais, abdicando muitas vezes de atacar, mas também dá à equipe uma saída de bola praticamente impecável, com jogadores habilidosos iniciando as jogadas. É normal ver Caio ou Gian serem esses zagueiros em campo.


O Mulekes, com sua formação mais tradicional e definida, baseada na qualidade técnica de seus jogadores e na posse de bola. Caio Ferin aparece como principal armador e como elemento surpresa dentro da área. Vindo de trás, Gian também se destaca na armação e finalização


É quase impossível falar do time do Mulekes sem citar o goleiro Diego Gallego, principal força individual da equipe junto com Caio Ferin. Diego foi eleito MVP da Ouro nada menos que quatro vezes. Apesar de não mais na velha forma de antigamente, ainda é uma verdadeira muralha, especialmente nos momentos decisivos, como foi visto diante do Arouca. Ele fechou o gol para manter o 0 x 0 no tempo normal e na prorrogação. Além disso, ele ainda se destaca como bom cobrador de faltas e sabe jogar como líbero quando é necessário exercer uma pressão sobre o rival.

Com propostas parecidas, bons valores individuais, entrosamento e toque de bola refinado, Bacana e Mulekes prometem fazer uma final emocionante. Esperamos que cheia de gols, mas numa final até um jogo com tamanhos destaques individuais e vocação ofensiva pode ser de poucos gols. Até porque debaixo das traves teremos Diego, goleiro já consagrado, e Guido, que tem tudo para ser o MVG do atual torneio. Assim, é quase uma missão impossível dar palpite sobre o placar de um jogo tão equilibrado, sem favorito. Entretanto, qualquer que seja o resultado, uma certeza nós podemos ter: enfim o futebol-arte venceu.
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