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ANÁLISE TÁTICA #02 – O TUDO OU NADA DO ESTUDIANTES

O Estudiantes ganhou certo destaque no Grupo A da Ouro pela sua vocação para o ataque. Isso quer dizer: buscar gols. O bom volume de jogo, as tabelas inteligentes e as finalizações precisas de média distância chamam a atenção de torcedores e preocupam os defensores rivais. Todavia, nem tudo são flores para a equipe que busca sempre fazer gols e acaba se preocupando pouco em não levá-los, bem o oposto do que comentou na crônica passada Lucas sobre o SNG.

O ímpeto ofensivo do Estudiantes pode ser definido em apenas uma palavra: movimentação. Todos os jogadores se movimentam muito em quadra. Rodam, trocam de posições e procuram fugir da marcação adversária. O trio ofensivo é o maior exemplo disso, afinado na troca de passes e de funções. Na teoria, Marcos Aurélio é o pivô, Maurinho o ala pela direita e Washington o ala pela esquerda. Todavia, os três revezam suas colocações para confundir o adversário. Ora Maurinho trabalha mais à frente como pivô, ora Washington faz esta função, enquanto Marcos Aurélio sai da área e busca o jogo pelos lados, principalmente o esquerdo.

Também merece destaque o papel do ex-jogador profissional Maurinho, campeão brasileiro por Santos e Cruzeiro, que, além de fazer belos gols e dar assistências precisas, ainda volta bastante para ajudar na marcação e, principalmente, na saída de bola. Quando a equipe apresenta dificuldades para sair de uma forte marcação, como no primeiro tempo do jogo contra o The Veras, Maurinho chega a se movimentar por toda a quadra procurando opções para distribuir as jogadas. O fôlego privilegiado e o senso de marcação e apoio nas horas certas são certamente herança dos tempos de lateral direito.

Merece destaque também o apoio do polivalente Ricardo, que joga praticamente em todas as posições e se destacou na partida contra o Primatas nas subidas ao ataque que lhe renderam dois belos gols de fora da área. Com isso, o trio ofensivo se torna um losango, pelo menos na teoria, enquanto na prática a movimentação não para em todas as pontas. Essa dedicação à parte ofensiva rendeu ao Estudiantes o posto de terceiro ataque mais positivo da Ouro na primeira fase, com 38 gols feitos.

Entretanto, esta tática é uma faca de dois gumes, pois, se por um lado a equipe bombardeia os adversários, por outro sofre com os contragolpes dos mesmos. Os números mais uma vez são a prova viva disto: a defesa do Estudiantes sofreu 43 gols e é a segunda pior de toda a Série Ouro (só não foi pior que a do rebaixado Roleta, que sofreu 44 gols). A falta de equilíbrio entre um ataque veloz e habilidoso e uma defesa muitas vezes frágil e lenta impediu que a campanha do time fosse melhor na primeira fase – foram quatro vitórias, um empate e quatro derrotas.

O grande problema é que os três homens mais defensivos também seguem a tática de movimentação daqueles da frente, trocando posições a todo momento, mas se descuidando em um ponto: a cobertura aos avanços do volante, que pode ser Ricardo ou Daniel, ou mesmo Julinho, dependendo do momento da partida. Com isso, sobram apenas dois defensores para cuidar da marcação, o que expõe demais a equipe a contra-ataques em velocidade e deixa o goleiro Tucano em situação complicada. Não à toa o Estudiantes levou 8 gols do Real Paulista, 9 do Bacana, 6 do Mulekes...

Mas o maior exemplo desse desequilíbrio talvez seja a partida épica contra o The Veras. Na primeira etapa, a equipe azul-grená botou o time de Maurinho na roda, chegando com boas trocas de passes e movimentação rápida. Assim, Japa e companhia meteram 4 x 0 nos primeiros 25 minutos, sem dar chances de reação ao time tricolor. Na etapa final, contudo, o Estudiantes mostrou o outro lado da moeda, ao reagir de forma espetacular e arrancar um empate em 5 x 5 e chegar perto de uma virada histórica.

Com suas qualidades individuais e problemas coletivos, o Estudiantes vai se destacando na Ouro pela sua filosofia “tudo ou nada”. Ou o time ganha por uma boa diferença ou perde de goleada. Se essa tática dará certo no final das contas, só o tempo vai dizer. Mas é sempre bom ver equipes mais preocupadas em mostrar um futebol vistoso e ofensivo do que apenas se defender, quando tem possibilidades de fazê-lo.
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