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Arouca e Arouca Jrs. fizeram as melhores campanhas da 1ª fase; já Primatas, último vice-campeão, acabou rebaixado


Terá início enfim os playoffs, o mata-mata do Chuteira. Isso quer dizer que já se foram 9 rodadas e temos os times que brigarão pelo título. Na 21ª edição da Ouro, após os 72 jogos da 1ª fase, a primeira coisa que nos berra ao olhar a tabela é a lanterna do Primatas no Grupo A. E lanterna quer dizer rebaixamento. Sim, o time vice-campeão na edição passada, o time que encantou a todos no mata-mata passado pela raça e luta apresentadas em quadra está de volta à Série Prata. O que explica?
 
Fica difícil de explicar. Acredito que os próprios jogadores e direção não conseguem encontrar palavras para expressar a frustração do momento – surgir como favoritos ao título e terminar como rebaixados. Apesar do discurso de que favorito não existe, que o futebol é jogado e só depois é possível falar, coisa que Chicão deixou claro desde a estreia, o que parece ficar no ar é o oposto. Um autorreconhecimento de seus valores positivos como time, e que esses valores falariam mais alto a qualquer momento para assegurar a vaga no G-6.  Derrota veio, empates vieram, uma vitória e parecia tudo resolvido. Mas eis que mais derrotas vieram. O prometido não apareceu em quadra e, com os resultados da rodada final, a fatalidade.
 
Fatalidade também podemos ver na trajetória do Med Taubaté, o rebaixado do Grupo B. Como fica a cabeça dos jogadores do time ao ver o lanterna desde a 1ª rodada SPQSF ganhar no minuto final do Vingadores e deixar a Série Prata para os doutores? O Med ganhou um jogo (SNG) e empatou justamente ante o SPQSF. O que parecia impossível se concretizou na rodada final.
 

Mas falemos da turma que se classificou e agora quer o caneco! Falemos dos Aroucas líderes de seus grupos! Sim, senhor, matriz e filial fizeram barba e cabelo na 1ª fase – falta o bigode agora nos playoffs. Arouca fechou na liderança do Grupo A e o Arouca Jrs., do Grupo B, ambos com a mesma campanha (19 pontos somados, com 6v, 1e e 1d). E agora não temos como fugir: os dois times chegam já nas quartas e partem como favoritos à grande final!
 
O Arouca parece ter aprimorado seu jogo defensivo, tanto que tem a melhor defesa da competição – 16 gols sofridos em 8 jogos (média de 2 gols por jogo). Se você tirar os 7 gols sofridos para o vice-líder Mercenários na única derrota da equipe (2ª rodada), são incríveis 11 gols em 7 jogos! O Arouca faz seu o mantra de que todo bom time começa na defesa. Ou outro similar: ataque ganha jogos, defesa ganha títulos. Não que uma defesa forte seja uma novidade para o Arouca – pois não é. No semestre passado, a média de gols sofridos na 1ª fase foi de 2,44 gols, praticamente a mesma do melhor time da ocasião, o CAV (média de 2,33). Porém, um fator vai além aí: Thiaguinho, versão mais fina e apurada, está de volta ao time e comandando a defesa tricolor. Só ele? A ele juntam jogadores que fazem o que o Real Madrid fez na final da Liga dos Campeões – meias que marcam e sabem jogar e atacantes que recompõem (gostou, Casão?) fechando espaços e roubando a bola para partir no contra-ataque.

Em termos individuais, ninguém está imune de marcação, com exceção de Balãotelli, que todos esperavam ser destaque em sua volta ao time. Mas não, e pela sua baixa capacidade de marcação talvez ele tenha passado batido na maioria dos jogos, tendo menos tempo de quadra que o esperado e apenas 5 gols na competição (sendo um deles ainda pelo La Buça Romana). Em termos comparativos, Balão anotou 12 gols com o A.A.A. no semestre passado, quando era o “dono do time”.
 
Assim, o que fica de diferencial não é Balãotelli, que continua o mesmo jogador decisivo lá na frente, mas muito menos acionado e com o time nada ou pouco dependente dele, mas sim a união de jogadores com características copeiras e de compactação e mobilidade maiores, o que ajuda a fechar com mais velocidade e competência o time quando atacado. Ao recuperar a bola, vemos esse time se abrir às laterais e os meias, quando não um zagueiro, conduzir a bola ao ataque.
 
  

É esse estilo de jogo que faz de Thiaguinho o grande nome do time, defendendo muito e ainda com tempo de ser artilheiro – ele soma 6 gols. A ele junta-se outra peça que voltou ao time após quase 2 anos longe: Marquinhos Bohn. O maestro tricolor, como era conhecido, dá o toque de qualidade na saída de bola e ainda acha tempo para chutar a gol. E todo mundo sabe que o forte dele é o chute potente e certeiro, sendo um dos melhores batedores de falta do Chuteira.
 
Apesar da melhora com a bola nos pés, o Arouca é tido como um time que joga feio porque prefere jogar sem a bola nos pés. É isso mesmo, o Arouca é melhor marcando e deixando o adversário jogar – ou fazer o adversário pensar que tem o domínio do jogo e está jogando. Exemplo claro disso: na rodada final, ante o Real Paulista Classic, o time fez 1 x 0 e passou 40 minutos deixando o Real jogar. Final de jogo? O mesmo 1 x 0. O mesmo se pode dizer da vitória apertada ante o Futsamba por 2 x 1, quando segurou o resultado durante praticamente todo o segundo tempo.
 
O Arouca tem dois exemplos de jogadores que caem como uma luva nesse sistema. Um deles, tido como ofensivo que sabe marcar e fechar os espaços, é Arthur Fon. Atacante? Sim, mas sem a bola um ala que fecha os cantos da quadra. Outro deles, marcador ferrenho que sabe sair jogando – o que a imprensa esportivo apelidou de “volante moderno” – é Dhani. O pequenino talvez seja o jogador que menos aparece mais importante de todo o Chuteira.
 

O Arouca Jrs. é tido por alguns como melhor que o Arouca. Porém, falta provar em campo isso. O time engrossa para qualquer um, sempre faz boas campanhas e, na mesma proporção, sempre morre na praia. Ao lado do Real Paulista Classic, é considerado o time mais amarelão da Ouro, já que mata-mata não parece ser com eles. Há tempos os juniores não vencem um jogo eliminatório (perdeu de Roleta Olímpico e Kansado, para ficarmos no último ano).
 
Entretanto, 2016 pode ser diferente, parece estar sendo diferente. Fez a melhor campanha do Grupo B, só perdendo na estreia para o Mulekes, num jogo apertado que merecia melhor sorte. Venceu potências como TáLigado e Nois Que Soma e mostra que há algo novo no ar. Em termos de elenco, nada ou quase nada mudou. Chegaram do A.A.A. Cesinha e Ricardinho, que ainda estão se habituando ao time. Nelsinho continua reinando no meio de campo, tanto que levou o troféu de MVP mais uma vez para casa. O camisa 10 ganhou a seu lado a boa fase de Vitinho. Juntos, somam 17 gols dos 32 marcados pelo time, ou seja, é mais do que 50% dos gols.
 
A dupla é de fato o ponto forte da temporada, mas isso não quer dizer que a equipe não tenha outros valores. Quanto ao resto do plantel, Cleitinho e Cesinha são outros dos pilares da equipe, sobretudo na defesa, onde Gallo também é muito importante, quando não está na área buscando as jogadas aéreas. Contudo, fica no ar um sentimento de que o time teria espaço para render mais. Isso porque três jogadores outrora de destaque ainda não mostraram todo seu potencial. A crítica vai em menor grau para Arthur, que deixou de ser protagonista, mas que fez boas aparições na primeira fase. Luan e Heitor, por outro lado, ainda podem render muito mais para o time.

Dos times classificados, o Arouca Jrs. é o que menos demonstra claramente a posição de cada jogador em campo. Não se pode dizer que, além de Ricardinho, fixo atrás, algum outro jogador se apresenta meramente como zagueiro. Todos parecem alas, marcando e saindo para o jogo, centralizando a bola em Nelsinho no meio, ou com os demais avançando pelas laterais. Com Andrey, o time ganhou mais um elo de habilidade no meio, para fazer companhia a Nelsinho, enquanto os demais apostam na força física e explosão.
 
 
São esses Aroucas que terão páreo duríssimo daqui pra frente. O Arouca tem pela frente Nois Que Soma ou Futsamba, duas potências que estão ainda aquém do esperado. O NQS derrapou em alguns jogos em sua primeira Ouro, mas a volta de Tuco começa a colocar o time numa engrenagem mais forte. Ele foi MVP em 3 das 4 partidas que disputou na competição – sendo que o NQS ganhou os três jogos. Paulinho e Rafa Martins apresentam números modestos, mas podem render muito mais.
 
É nesse trio que reside a esperança do time daqui em diante, ante um Futsamba que cansamos de analisar e apontar especialmente seus problemas. A instabilidade joga contra o time de Gabs, que intercala grandes momentos com outros terríveis. E nos terríveis o time encontrou as suas quatro derrotas. Com a base sambista um tanto apagada (Zé, Pagode, Thesko, Torcas e Juvena), quem foi além e decisivo para classificar o Sambão foi a dupla Lodetti-Toretta. O ex-artilheiro do Lodetti já tem 11 gols e seu faro continua apurado. Se a equipe encontrar o equilíbrio defensivo pode complicar ao NQS.
 
O Arouca Jrs., por sua vez, encara o vencedor de Roleta Olímpico e Real Paulista Classic, dois times que vêm numa descendente. O Roleta parou de sangrar com a vitória sobre o SPQSF e o empate ante o SNG – e com isso garantiu sua classificação. Já os merengues seguem com 3 derrotas consecutivas após liderar todo o resto do campeonato. Queda livre, diriam alguns. Amarelou, diriam outros. Mas Jean tem ciência das falhas e teve duas semanas para preparar seu time para não naufragar de novo no mata-mata. Vadão, idem. Bom duelo tático em que é difícil apostar. 
 
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