Três meses, 13 semanas, 72 partidas e 599 gols depois (média de 8,2 por partida), enfim a Série Ouro conhecerá o seu campeão. Quem vai ocupar o trono dourado por um semestre: um velho conhecido que está na fila há quase cinco anos ou um novo integrante, atual vice-campeão? Pois é, depois de boas campanhas na fase de grupos e derrubando adversários cascudos no mata-mata, Mulekes e Catado vão medir forças para chegar ao topo da montanha.
Já falei da coincidência de esse duelo ter aberto a temporada (1ª rodada) e agora fechar, assim como outros. (leia clicando aqui) Porém, antes de destrinchar esta finalíssima com cara de “revanche”, vamos voltar um pouco no tempo. O ano de 2018 não foi bom para o lado muleke, que tinha a chance de sair da fila no primeiro semestre, mas perdeu a decisão para o Peneira. No segundo semestre, acabou sendo eliminado precocemente nas quartas de final – adivinha para quem?! – para o Catado, na disputa de shoot outs.
Ao mesmo tempo, o Catado vinha de um título da Prata no segundo semestre de 2017 e estreava na elite chuteirense. No debute, parou em uma semifinal eletrizante para o mesmo Mulekes (leia aqui) e mostrava que tinha culhão para figurar entre as três melhores equipes do campeonato. No segundo semestre, o alvinegro avançou mais uma casa, decidindo o título contra o multicampeão Nois Que Soma. A derrota por 2 x 1 serviu de motivação para que buscasse o título na edição seguinte. Está na final.
Fora o contexto da temporada passada, ambos os times se cruzaram quatro vezes no intervalo de um ano, e se a loteria esportiva continuasse a todo vapor, quem quisesse apostar na coluna do meio sairia vencedor, pois foram três empates e apenas uma vitória muleke. Desses encontros, dois foram em mata-mata, com cada lado comemorando um avanço, como já dito. Na 25ª edição, a mulekada eliminou os catadistas após igualdade em 3 gols até que Matheus resolveu a parada com gol salvador na prorrogação (
releia a matéria do jogo aqui). Seis meses depois, lá foram eles se reencontrarem novamente, desta vez, pelas quartas de finais e o empate em 1 x 1 levou o duelo para os
shoot outs, vencido pelo Catado por 1 x 0 e caminhada para sua primeira final dourada (
releia a matéria do jogo aqui).
Depois daquela eliminação precoce nas quartas de final, o Mulekes foi atrás de recuperar o tempo de glórias, já que não fatura a Série Ouro desde 2014, quando bateu o Bacana. Tirou do Fora de Série o técnico Thiago Dacal, especialista em armar bons sistemas defensivos, unindo a fome com a vontade de comer, já que o desafio era manter o DNA do time, aliando a marcação como ponto de equilíbrio. A estreia foi logo um duelo de gigantes contra justamente o Catado, adversário de três meses antes e triunfo por 3 x 2. Era tudo que a mulekada queria após a decepção em dezembro passado. Mesmo com resultados apertados e cornetagem dos analistas, o Mulekes seguia vencendo, engatou mais quatro, mas nas rodadas finais empatou três, incluindo o Zenite, que deu de bandeja a liderança da chave para os alvinegros, e eis os questionamentos sobre a perda do tal DNA e se a mulekada chegaria com sangue nos olhos no mata-mata.
Pois é, pessoal, o time voltou outro para os
playoffs, momento em que a camisa pesa e foram dois resultados com autoridade. Nas quartas, tranquilidade para passar pelo Abre o Olho por 3 x 0, e pela semifinal foi a melhor apresentação do semestre quando eliminou o Nois Que Soma por 5 x 1. Tudo deu certo: a marcação encaixou, os caras de meia-quadra deram conta do recado e o torpedo de Baiano mudou o rumo da peleja. Foram 8 gols em dois jogos, um gol sofrido e o status de melhor defesa do campeonato com 22 tentos sofridos em 11 jogos (média de 2 por jogo). O Mulekes chega à final invicto com oito vitórias e três empates.
Já o Catado precisou de dois cocos no meio da testa para entrar na realidade e ganhar motivação para que o título tornasse “obsessão”. A começar pela final da Ouro passada, quando o Nois Que Soma foi superior e levantou o penta. Depois, justamente aquele confronto do dia 23 de março diante da mulekada. Aquela equipe de garotos que corriam e buscavam dar espetáculo deu lugar a um grupo comprometido e não deixou de ser avassalador. São 10 jogos de invencibilidade, com 9 vitórias e um empate. Foram 68 gols em 11 partidas (média de 6,1 gol por jogo), o melhor ataque do campeonato e com dois jogadores liderando a tábua de artilheiros. Durante a fase de grupos, os alvinegros passaram no teste contra adversários mais cascudos como Condor’s, Guaxupé e Arouca, e quando precisava fazer o dever de casa não comprometeu. Nem o empate contra o rebaixado Fora de Série fez falta no final, já que a liderança da chave caiu no colo na última rodada.
Nas quartas de final passou pelo Guaxupé com goleada por 7 x 4 e o duelo semifinal tinha tudo para ser bem equilibrado, assim como fora na fase de classificação, mas o Condor’s não viu a cor da bola e o Catado com sangue nos olhos aplicou 8 x 0, deixando o adversário procurando o rumo até agora e chegando à decisão pela segunda vez seguida. Aliás, o alvinegro é o time das goleadas na atual edição. Das 9 vitórias, 7 delas foram por três ou mais gols de diferença, enquanto o Mulekes goleou em 4 dos 8 triunfos.
Os ‘caras’ da decisão
Deixei solto durante a primeira parte do texto que será o duelo entre o equilíbrio (Mulekes) contra a intensidade/letalidade (Catado), e selecionar um jogador de cada lado será um exercício e tanto neste jogo de xadrez a ser realizado na quadra vermelha.
Pelo lado do Catado, não dá para deixar de falar da dupla Raphinha & Interior. O primeiro fareja gols à distância, tal qual um tubarão com sangue no mar. Ele marca em função de velocidade, oportunismo ou até mesmo sorte, deixando a pelota encostar em si. Já o segundo tem a habilidade como seu carro-chefe, deixando os oponentes de cabelo em pé. Também fez seus gols, a maioria deles com aquele oportunismo de só empurrar a redonda. Juntos, os dois marcaram 31 dos 68 tentos catadistas na competição, sendo que o camisa 19 é o artilheiro – são 16 gols contra 15 do seu colega que veste a 20. Intera participou de mais seis
golos dando assistências, enquanto ‘
little Rapha’ foi garçom em quatro. Ou seja, é uma dupla e tanto. Será que teremos uma disputa interna pela artilharia do torneio ou o coletivo irá prevalecer?
Outro destaque catadista fica por conta de Drinho. Ora defensor, ora treinador ou até goleiro (função exercida no duelo contra o Zenite), o camisa 8 faz um bom campeonato protegendo a terceira melhor cozinha do certame. Os chutes de longa distância é uma grande arma do rapaz, então, não deixa espaço, pois o cara chuta mesmo – o Condor’s que o diga.
Pelo Mulekes, Baiano é um dos principais nomes de Dacal. Recuperado de lesão, o camisa 20 voltou nas quartas de final contra o Abre o Olho, mostrando toda a qualidade defendendo e saindo para o jogo. É um dos poucos jogadores que executam ‘n’ tarefas dentro de quadra e com qualidade. Sem falar que tem dos chutes de longa distância uma arma letal, furando qualquer barreira que estiver na sua frente, como foi no encontro contra o NQS, quando abriu o caminho para a gigante classificação ao mandar um pombo sem asa do meio da quadra na gaveta esquerda de Tinho.
O setor ofensivo também merece ressalvas, com Matheus e Gustavo revezando na titularidade e nos gols marcados. Juntos, a dupla assinou 20 dos 42 gols (quase a metade) da equipe e será um bom teste para a defesa bianconera anular esses avantes. A meiúca liderada por Gian e Leco é outro destaque pelo fato de ambos organizarem o setor e colocarem a redonda onde querem. O jogo do Mulekes pode passar por este espaço da quadra.
Para finalizar, o ‘cara’ pode vir do banco de reservas, e não é jogador. Especialista em armar “arapucas” e fortes sistemas defensivos, Dacal poderá ser a arma para neutralizar o forte ataque do Catado. Em dois jogos contra o alvinegro, o treinador não saiu derrotado. Pelo Fora de Série, o cara foi responsável por armar um ferrolho azul contra os alvinegros pela 4ª rodada da edição passada e garantir o empate por 1 x 1 (
releia a matéria do jogo aqui). Depois, sob o comando da mulekada, o famoso 3 x 2, desta vez sem o tradicional “busão”, mas dá para entender que os catadistas dão uma tremida quando veem o professor no banco de reservas. Em compensação, já conhecem o estilo do ‘Felipão’ e sabem o que esperar.
Quem será o campeão?
No mundo chuteirense desde 2016 e comendo seus adversários com farofa nas divisões inferiores, o Catado bateu na trave semestre passado ao cair para o Nois Que Soma. O vice-campeonato serve de estímulo e mostra que essa galera cresceu dentro do Chuteira. Se o título virá ou não é outra história, saberemos no dia 29, mas a certeza é que o time mudou de patamar e entrou na prateleira principal dos postulantes ao caneco de pelo menos duas, três edições.
O Mulekes é daquele seleto grupo cuja camisa pesa e entorta varal. Nas seis finais disputadas, 50% de aproveitamento. Ganhou as três primeiras (Bacana, CAV e Bacana de novo) e perdeu as três últimas (CAV, NQS e Peneira). Portanto, são três vices seguidos e agora tem nova chance de voltar a gritar ‘É CAMPEÃO!’ depois de cinco anos (junho2014, na 17ª edição). Com um time experiente, cascudo e sabendo o que fazer com a redonda, é hora de voltar ao topo depois de conseguir deixar o seu maior rival pelo caminho.
Será uma revanche e tanto entre duas equipes que não sabem o que é perder, decidida acima de tudo na quadra, com festa dos dois lados e aquele
shoot outzinho para deixar todo mundo com o coração na boca.
Habemus tetra ou um novo membro do clube dos campeões? Façam suas apostas, pois eu não ousarei arriscar!
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